terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre o BBB9!


Caros e Caras,

segue o texto sobre BBB9, não resisti escrever depois do papo do final de semana.



Sobre BBB9


Outro dia estávamos numa despedida de uma amiga e começamos um longo papo sobre o BBB9. Sim, eu assisto e gosto de BBB. Tem a parte medíocre do programa, como as apelações da GLOBO nas propagandas, no controle das pessoas, o viés de buscar a fama e muito mais. Mas não posso deixar de dizer que tem um elemento muito interessante que é ver as pessoas dentro daquela situação. Como reagem em contato com outras pessoas, como reagem aquele confinamento e como um pequeno fato pode mudar toda história do jogo. Neste basta pensar que no paredão que saiu o TON, ao invés dele tivesse qualquer um do lado B a Ana teria saído. E assim ela não teria se tornado a favorita do jogo. Será que isso não acontece na vida tb? Uma pequena ação muda todo o contexto da sua vida, pra mim certamente isso acontece.

Acompanhei em especial esse BBB. Por alguns motivos óbvios: 1- estava com muito menos coisas pra fazer na minha vida; 2- Não sei pq, mas o PPV estava liberado na minha casa; e 3- minha empatia foi imediata pq colocaram pessoas mais velhas ou maduras nesse BBB. Não estou falado do Nonô e da Naná e sim de pessoas de 30 anos e mais vividas. Foi justamente essa combinação que fez o lado B crescer no jogo. O lado A era formado por pessoas mais imaturas, salvando talvez o Ralf e o Alexandre. Este último logo se distanciou dos demais. Enquanto o lado B era mais vivido, construiu uma relação de amizade forte e madura. É verdade que existem as exceções, a Fran logo caiu a sua face madura e com o tempo o Flávio mostrou tb que mesmo vivido ainda é muito imaturo.

O que quero dizer é que esse BBB tem coisas diferentes dos outros. Somente nessa semana temos uma favorita clara. Nos demais não era assim. Quem fez esse jogo foi o lado B. Não pela combinação de votos, mas pela simpatia. Acontece que com o tempo as brigas com a Ana foram ferrando esse círculo de amizade. A justa perseguição a Ana fez com que eles pensassem mais no jogo que na convivência da casa. Isso fez muitos mudarem de perfil. Junto com as edições da Globo, quem vê o PPV vê outro BBB, isso foi vitimizando a Ana, que esperta soube muito bem usar isso.

Ana é a pessoa mais medíocre pra mim desse BBB. As pessoas dizem que pelo menos ela é verdadeira. Verdadeira com quem? Ela que contou pra Josi que o Ton tinha conhecido a Pri, ela que ficava enchendo a cabeça da Fran contra o Max e ela não consegue parar nas suas intrigas entre as pessoas. Só ela é boa o suficiente... Impressionante o que a edição da globo é capaz de fazer.

Nesse mesmo longo papo falei que torcia pelo Max (jogador cuja as duas maiores qualidades podem ser interpretadas como dois grandes defeitos), resolvi sentar em frente ao pc e fazer uma mega pesquisa sobre a participação dele ao longo do programa. Confesso, no início do jogo, ele era - de longe - meu jogador preferido. Com o passar das semanas, perdeu um pouco do brilho, principalmente pelo desgaste na relação com a Fran e Flávio. Se declarar jogador e chamar a responsabilidade pra si é uma atitude corajosa e arriscada. Max não titubeou em nenhum momento quando indagado sobre isso. Dono de uma sinceridade quase nociva, não teme as conseqüências de suas atitudes, como não defender a namorada. Ele é carismático e tem total consciência disso. Tenho minhas restrições em relação a ele, mas, até agora, foi o único do lado B que se manteve fiel ao pacto de amizade. Sem contar que ele foi a figura central do lado B, quase que como um Sol onde todos se referenciavam. Uma coisa é certa: gostando ou não, o BBB9 não existira sem Max.

Outro foi um dia muito interessante. Josi, Flavio e Priscila foram sorteados para fazer uma produção fotográfica com o JR Duran. Ficaram na casa Max, Francine e Ana. Foi impressionante como Max foi desmontando as barreiras que Ana tem contra ele. Daquele Max que ela adorava tanto falar mal e denegrir o caráter ficou por algumas horas apenas o cara legal que pela manhã havia acalentado a tristeza de Ana com palavras amigas.
Max passou o dia com as meninas, cozinhou, conversou, deu espaço para que elas tivessem conversas de meninas e parecia feliz por ter Fran por perto relaxada e tranqüila, isso de fato deve ser um alívio pra ele. Max contou que quando perguntado na cadeira elétrica se ele era um pegador, ele havia respondido que é um conquistador, que conquistava os amigos, as mulheres, os sonhos. No grupo de amigos ele é a liderança, o referencial, o objeto do desejo. Dos adversários, a primeira a render-se aos encantos de Max foi Josi, ontem foi a vez de Ana, se outros ainda estivessem na casa para serem conquistados certamente o seriam.

Na última festa o bombardeio foi contínuo. Ana diz que não existe carinho na relação dele com a Fran e insiste nisso faz pelo menos um mês. Ana quer ser o centro do mundo, a referência em tudo, portanto o único casal lindo e perfeito é o dela com seu namorado. Engraçado que Ana fala tanto que Max não parece gostar da Fran, que isso é um absurdo, que Francine tem que se valorizar e buscar alguém que a queira de verdade, blá, blá, blá... Mas ao falar sobre seu relacionamento amoroso ela conta que correu atrás do Lindo por um ano e meio, que chorou e implorou para que ele a namorasse, que ele não a levava para conhecer a família dele... Enfim... Mas, Max tem que estar apaixonado e entregue em apenas dois meses e com data de casamento marcado com Fran... Sei não.

Outra coisa importante do Max é que quando perguntado deu sua opinião sincera, mas jamais ficou pelas costas tecendo comentários maldosos sobre o caráter de seus adversários numa tentativa de ”fazer a cabeça” do público. Aliás, esta foi outra discussão que ele levou para dentro do jogo, até onde são válidos os julgamentos feitos pela casa e as injustiças que podem ser cometidas contra seus adversários, ou seja, Max buscou um jogo ético e franco. Mas, os bombardeios continuam. Sem falar nas edições da Globo que construíram essa imagem fria e calculista dele. É verdade que ele se perdeu, mas não tanto como a Globo mostra. Max parece muito forte e firme, mas como esse povo não desiste a gente segue observando a casa e imaginando quem vai levar a melhor, se será Max ou a nojentinha da Ana que vem se comportando como um bando de Candinha invejosa e fofoqueira.

Neste jogo de gente grande tivemos um momento que foi muito sofrido para quem assistia. Max, Francine e Flavio fizeram juras de amizade eterna, promessas de lealdade e caminharam grande parte do jogo unidos nesse propósito. Mas, assim como Flavio disputa a amizade de Max com o amor de Francine, Francine faz o mesmo com relação à amizade dos dois. Ambos foram imaturos e Max se viu no meio de uma disputa que ele não queria jamais. Ficar na corda bamba entre Flavio e Fran é tarefa para Hércules, não para um homem comum. Fran e suas inseguranças e alfinetadas. Flavio e seu maldoso sarcasmo. Não queiram que Max compre esta briga da maneira como vocês gostariam. Ele não vai discutir com Flavio e eu nem acho que alguém ali tenha condições emocionais de enfrentar uma discussão e sair ileso e inteiro a essa altura do jogo.

Flávio pra mim passou de provável ganhador para um Cara chato, inconveniente, invejoso, maldoso e sei lá quantos mais defeitos a gente pode encontrar nesse cara. Ele não larga o assunto. Assim como não largava o assunto Ana, assim como não largava o assunto Nana, assim como encheu o saco com o assunto Maira hoje ele não larga o assunto Francine. Vai encher o nosso saco e torrar a paciência de Max até Francine explodir com Max. Mais uma vez a situação vai reverter contra Max. Max, o jogador que levou para o programa uma discussão adulta sobre a postura dos jogadores diante dos desafios propostos pela produção.

A Fran sofre de uma insegurança gigantesca. Típica de uma pessoa bonita e que construía sua vida em cima disso. Sua segurança vinha de sua beleza, afinal ela já foi Miss. Neste momento ela sempre deixou transparecer essa insegurança. No primeiro ou segundo paredão, quando a Pri estava, ela disse que era pra deixar a Pri pq ninguém merecia ver a bunda dela. Imatura, baseada sua segurança somente na beleza ela decidiu se envolver com Max e aí as coisas pioraram pra ela. Ele super independente e ela super carente. Mistura explosiva isso!

Numa hora que Francine poderia ser mais adulta e pensar um pouco que ele também está cansado e estressado, ela faz justamente o inverso. Neste momento em mais uma crise de insegurança, ela busca o atrito e a confusão e ele e seu stress, seu cansaço, seu corpo ressentido que agüente o tranco. Mas isso algumas pessoas não percebem, Max que se ferre, ele tem mais é que ser um super homem e entrar de cabeça numa briga estressante com aquele que foi e é seu melhor amigo no jogo só porque Francine quer brigar.
A briga de Fran com Flavio ainda tem um elemento intuitivo dela com relação às mudanças acontecidas no amigo nas últimas semanas, mas ao mesmo tempo essa briga tem muito mais a ver com a Francine disputando com Flavio a atenção do Max do que por algum senso de justiça no jogo. Max não tem que ser divisor de águas entre Francine e Flavio, ele não tem que escolher entre um e outro.

À sua maneira Max tem falado para Flavio e Fran as verdades que eles precisam ouvir. Mas isso soa mal nas edições tb. Mas pra mim isso é ser verdadeiro. Sua sinceridade crua, como disse se reverte contra ele. Max o chamou de medroso, afirmou que Francine é ciumenta e infantil. Mas existe alguma maneira sã de se argumentar com Flavio e Fran? Não, pois a imaturidade deles não para de argumentar em cima da mesma tecla.
É verdade que Max cometeu alguns vacilos. Mas quem nunca cometeu? Qual campeão de Big Brother teve uma trajetória isenta de erros e tropeços? Eu não conheço nenhum, todos tiveram defeitos e qualidades erros e acertos. Mas de Max foi exigido muito mais, foi exigida a perfeição. Mas é justamente este conjunto de defeitos e qualidades que ele tem que o torna uma pessoa tão cativante. Max luta com seus demônios internos, não começou seu aprendizado no dia em que entrou no BBB.

E nesse caminhar fez a mais difícil opção, a de ser forte, a de não ter medo de enfrentar a vida e o de assumir que é consciente e responsável pelas decisões que ele tomou, toma e tomará na vida. É muito mais fácil sermos frágeis, sermos loucos. Pois a fragilidade provoca pena e instinto de proteção e a loucura remete ao perdão por pura generosidade de nosso coração. Aos responsáveis, aos conscientes e maduros seres humanos só resta o caminho da perfeição ou senão serão julgados sem dó e sem piedade. Max cometeu este deslize, o de se assumir adulto para ser responsabilizado por tudo que falasse e fizesse no confinamento. E assim ocorreu. Nunca um jogador foi tão testado, tão questionado, não apenas pelo público, mas por todos. Teve sua sexualidade colocada em questão, sua sinceridade questionada à exaustão, suas atitudes dissecadas e estudadas em cada mínimo detalhe.

E ele resistiu. Chegou até aqui íntegro e inteiro, digno e sincero, com uma trajetória e madura. Mesmo questionado, mesmo colocado em xeque.. Nunca traiu um amigo, nunca puxou o tapete de um adversário, nunca fez intriga, confusões desnecessárias, nunca denegriu o caráter de seus parceiros ou de seus oponentes, nunca foi desleal, não se desviou de seus princípios. E fez tudo isso com a calma e a paciência de quem sabe o que está fazendo, com a mesma tranqüilidade que ele demonstrou ao colocar em questão o voto e as atitudes daquele que julga ser seu grande amigo, seu irmão no jogo, Flavio.

Max chega bem perto da Final cansado, tenho certeza. Nestes dias seu semblante não escondia o cansaço, mas ao mesmo tempo ele passava ao público um ar tranqüilo de quem fez o que pode, fez a sua parte, está com seu dever cumprido, agora é com vocês decidirem o destino deste jogador. O embate entre o jogador ponderado, como muito bem definiu Josiane, sensato e o ser humano educado, amigo, parceiro e apaixonado foi finalmente vencido pela emoção. Apesar das plaquinhas de frio e calculista terem sido penduradas em seu pescoço, nunca em nenhuma atitude desse jogador nós poderíamos dizer que o cálculo frio e matemático foi a diretriz de sua permanência no jogo.

Pelo contrário, seu jogo pensado e ponderado tinha como base de sustentação a lealdade aos amigos, os laços de amizade. Vocês querem sentimento mais emoção do que esse? Outro dia em formação do paredão, Max mostrou o quanto tudo que falam dele é apenas rótulo e preconceito com quem teve coragem de dizer – Eu vim aqui para jogar. Com quem teve a pretensão de verbalizar o que de fato todos fazem ali, jogo.

Mostrou que sua coragem não passa pelo dedo em riste na cara do adversário, não se pauta no dedo na ferida nas falhas alheias, mas pelo peito aberto para enfrentar o jogo e suas conseqüências, pelo mostrar-se grande sem apequenar seus oponentes e parceiros.

Será uma pena se ele não se sagrar campeão do BBB9, pois vai ser lamentável tirar da galeria dos campeões alguém que discutiu com o público o que era o jogo, o que é ser um jogador no Big Brother, a realidade e a ilusão tanto do ponto de vista de quem assiste quanto da vivência de quem está jogado inteiro nesse louco projeto de se trancafiar numa casa para se submeter ao julgamento popular em troca de um prêmio em dinheiro. Max conseguiu travar essa discussão com integridade, delicadeza e determinação. Veremos como desenrola esta batalha que será travada nas próximas semanas.

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