sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dia 27 de fevereiro - Uma pequena grande Homenagem



Hoje é dia 27 de fevereiro, para muitos um dia qualquer, mas para mim e alguns ele tem um significado especial. Alguns são aniversáriantes, outros o filho nasceu ou o que quer que seja esse dia se torna especial.

No meu caso era o dia do aniversário na minha mãe, Angela. Nos 28 anos que pude conviver com ela sempre tenho grandes lembranças de seus aniversários. Boêmia assumida e festeira de mão cheia seu aniversário sempre era muito bem comemorardo.

Lembro da casa do Jaó com suas galinhadas, mas lembro ainda mais de nossa casa de tijolinhos na rua 88-A a suas festas. Infelizmente o último aniversário que passei com ela foi em 2004 e foi uma verdadeira aventura. Ele me avisou com grande antecedência da festa e não disse que era pra eu ir. Aliás, ela nunca fez isso... Nunca pediu pra eu ir visitar ou cobrou a falta. Sempre do seu jeito deixava entender isso, confesso que isso sempre me agradou. Odeio cobranças...

Mas nesse aniversário de 2005 ela me avisou e passada algumas semanas foi confirmada uma reunião do secretariado da minha corrente no PT. Secretariado que era um pequeno grupo de 5 pessoas, eu era vice-presidente da UNE e estava começando essa gestão na direção da AE. Enfim, disse que iria no dia seguinte pra dar um beijão nela, mas não poderia ir na festa. Mesmo triste, do seu jeito, me motivou e disse que tinha que cumprir minha obrigações mesmo e que ficava orgulhosa de mim.

É verdade que o fato de eu ter começado a militar, ter ido pra UNE e pra direção nacional do PT sempre encheu minha mãe de orgulho, mas é verdade tb que isso tudo me afastou muito dela. E nunca escutei uma reclamação disso... Isso tem haver com os conflitos dela, da relação com meu pai e com os pais dela. Dizia ela: criei filho pro mundo, não pra barra da minha saia. Me orgulhei muito disso meus 28 anos, hoje acho que poderíamos ter dosado melhor. Sem dúvida pra minha vida foi um grande aprendizado e devo demais a essa coragem dela. Não era desapego, muito pelo contrário. Era apego demais, queria tanto me ver feliz que internalizava todos os sofrimentos. Não dizia pra talvez não me magoar. Uma vez, numa conversa de mãe e filho, ela me disse que agia da mesma forma com quem gostava, daí pude entender as reações dela.

Voltando a festa... Então ela triste me motivou ir pra reunião, era em Campinas. Fui pra reunião e pra minha surpresa terminou cedo. Imediantamente liguei pra ver se tinha vôo pra Goiânia, de Campinas não, mas de Guarulhos sim.Isso era a finada VASP. De ônibus eu tinha uma chance de pegar esse vôo, contudo certamente esse era meu dia de sorte. Um dos companheiros de reunião morava em Guarulhos e ia de carro pra lá. Decidi naõ avisar que ia, iria fazer uma surpresa.

Chegando em Goiânia fui pra festa e cheguei bem no auge. Antes dos parabéns. Ela já tinha dito pra todo mundo que eu não iria. Cheguei meio escondido e ela estava de costas. Nisso uma amiga perguntou de novo de mim... Ele disse que eu não iria, que ia no dia seguinte, que tinha uma reunião muito importante e que agora eu era vice-presidente da UNE e tinha muitas tarefas nacionais(mal sabia ela que nem eram tantas!)

Ela nem tinha terminado de falar, pra quem conheceu sabe que ela falava muito, a amiga falou pra ela virar e deu de cara comigo!!! Acho que poucas vezes vi minha mãe tão feliz... Sensação inexplicável hoje... Pq não fiz isso mais vezes? Enfim...

A festa estava cheia e nos parabéns ela fez uma bela homenagem a várias pessoas. Nem consigo lembrar de todas, mas agradeceu muito a existência delas e que a vida dela nunca seria tão boa se não fosse a presença de todos. Confesso que foi uma das festa mais marcantes e que mais me emocionou. Isso pq ela conseguiu reunir bem uns 5 grupos diferentes de amigos que ela tinha feito na vida.

A amizade tinha um peso enorme na vida dela. E ela fazia questão de valorizar-los. Certamente esse é um grande exemplo de vida dela. Tratava os amigos como família mesmo. Isso fazia que sua família fosse enorme e assim compensava nossa pequena família.

Hoje era pra ser um dia assim... Eu estaria em Goiania(já estive hoje e deixei uma lembranças pra ela) vendo minha mãe feliz em mais uma festa de aniversário com seus inúmeros amigos.

Mas não é! Resta a saudade e a lembrança. Nossa separação precoce, pois fui morar sozinho com 16 anos motivado por ela, fez a gente aprender a guardar e lembrar de cada momento junto apesar da distância que nos separava. Hoje a distância é eterna, mas as memórias estão mais vivas do que nunca. A saudade nunca foi tão forte e a falta cada dia mais intensa.

Sem dúvida seu exemplo motiva viver e enfrentar cada dificuldades na vida. E hoje, dia 27 de fevereiro, é um dia especial. Contudo, os dias especiais são alegres ou tristes. Durante 28 anos foi muito alegre e desde 7 de setembro de 2007 passou a ser triste, mas não menos especial.

E para não perder o hábito: Feliz Aniversário Mãe!

Um comentário:

Uma mulher de palavra - sem dono! disse...

Pelo amor dos meus filhinhos!!! Você quer me matar do coração Pops?! Que bela homenagem. Que falta as pessoas nos fazem quando partem dessa pra melhor. Que dor que dói essa tal de saudade... Enfim, espero que o amor não acabe nunca, como de fato acho que não acabará, mas que o tempo amenize as saudades e deixe em sua memoria só as boas recordações, como a dessa festa! Espero que hoje possamos bebemorar as saudades de quem amamos, num samba por aí e bebendo uma pra melhorar... Beijo enorme.