quinta-feira, 14 de maio de 2009

Regime dos aiatolás tenta apagar memória da esquerda


Regime dos aiatolás tenta apagar memória da esquerda

Um companheiro iraniano pede que se divulgue a profanação do cemitério de Kharavan, onde estão sepultados milhares de militantes de esquerda assassinados pelo regime.


Caros Amigos,

Escrevo para vos informar sobre um assalto desastroso ao cemitério dos revolucionários no Irã.

Situado à beira da estrada Kharavan, o cemitério é conhecido pelo nome dessa estrada. É também conhecido como lanet-abad (lugar maldito) pelos islamistas. Desde o início dos anos ’80, milhares de militantes de esquerda mortos nas prisões foram ali sepultados. As famílias não foram autorizadas a colocar pedras tumulares e qualquer tentativa nesse sentido foi violentamente reprimida. As pedras foram partidas e as famílias ameaçadas.

Com o passar do tempo a pressão abrandou. Mas agora estes ataques recomeçaram. Kharavan tornou-se um local simbólico para os grupos de oposição e foram organizadas concentrações nos aniversários dos assassinatos de 1988. Na concentração dos primeiros dias de Setembro, foram presos alguns participantes, sobretudo estudantes.

Este ano, esses ajuntamentos foram proibidos e o portão do cemitério foi bloqueado. Apesar disso, houve mães que conseguiram lá entrar, passando pelo cemitério de Baha, adjacente.

Hoje, as mães que visitaram o cemitério verificaram que ele foi arrasado com um bulldozer e que plantaram árvores.

Ali existem pelo menos quatro valas comuns e estão lá sepultados milhares de militantes esquerdistas. Trata-se de uma tentativa para negar a sua existência e para apagar a verdade e a memória colectiva do povo.

Apelo a que divulguem estes factos de todas as formas possíveis e que exijam a devolução do cemitério às Mães de Kharavan.
(http://passapalavra.info/)

Um comentário:

Ações com a Sociedade e o Governo disse...

Olá Popito!
Interessante a matéria sobre o cemitério dos revolucionários. A destruição da história e da memória de um povo realmente é inaceitável. Como construir um futuro melhor se não temos direito ao nosso passado?
No Irã, a destruição de cemitérios que guardam os restos mortais dos "inimigos do Regime" é comum. Os bahá'ís sofrem deste tipo de perseguição desde o início da década de 1980. Além de terem que enterrar seus mortos em locais cada vez mais distantes e áridos, ainda vêem estes espaços sendo vandalizados e destruídos, com a anuência ou o protagonismo das autoridades públicas. Só desde 2006, foram pelo menos três - inclusive este mencionado na carta de seu amigo, que é um setor "especial" do cemitério de Khavaran. No blog da Comunidade Bahá'í do Brasil (http://secext.bahai.org.br/) há fotos de um destes campos, totalmente arrasado.
Obrigada por trazer este tema! O Irã precisa mudar...
Um beijo para você.
Mary..