quarta-feira, 3 de junho de 2009

A luta é dura, mas só ela muda a vida

Caros e Caras,

Hoje vou reproduzir um texto da minha querida amiga Alê Terribili, que foi publicado em seu blog www.terribili.blogspot.com.

Texto na minha opinião genial... Não resisti de repassar por aqui. Sei que boa parte dos leitores são os mesmos, mas não custa repeti pra que outros vejam!!!

Valeu Alê!!! Arrebentou!!!




A luta é dura, mas só ela muda a vida

Tem uma amiga minha que tem uma frase que eu gosto muito: a luta é dura, mas só ela muda a vida. Uma frase simples e tão completa. Tão verdadeira.

A gente luta porque não gosta do mundo como ele está – outra frase que gosto, de Paulo Freire: “o mundo não é, o mundo está sendo”. A gente acha que tem que ser diferente, que pode ser diferente, que é mentira que é natural.

A gente luta pra mudar as coisas que a gente acha que estão erradas. A gente luta pra convencer mais gente de que as coisas estão erradas e isso não é natural. A gente luta pra mais gente lutar também.

A luta é bonita. Mas ninguém disse que ela é fácil... cada tempo histórico traz dificuldades diferentes, inclusive. Lembro da Ermínia Maricato, num debate, respondendo a um companheiro de longa jornada na luta, que falava que sua frustração com o momento atual lhe doía mais do que a ingrata tarefa de sobreviver à ditadura. Ela bradava: “Não! A ditadura matava as pessoas! E nós estamos vivos!”

Mas são muitos os perigos desta vida. Ainda que hoje não haja uma ditadura que mate as pessoas. Lutar ainda é difícil, porque lutar ainda é ir contra a corrente.

A luta suga muito tempo da vida das pessoas. Perdem-se noites de sono, manhãs de preguiça, o cinema do sábado à tarde, a praia do fim de semana, perdem-se feriados, férias. A pessoa trabalha a semana inteira e depois, em vez de descansar, vai pra reunião, pra panfletagem, pro debate, pro seminário, pra eleição de não sei quê não sei onde.

A luta inclui muita gente. Gente sempre discorda entre si. É um inferno às vezes.

A luta não é livre das contradições do mundo que a luta quer transformar... entre os que lutam, tem disputa pouco nobre. Tem métodos pouco nobres servindo a essas disputas pouco nobres. Tem machismo, tem racismo, tem homofobia. Tem quem disputa poder afirmando preconceitos. Tem gente que disputa idéias armado até os dentes. Tem gente que acaba ferido por essas armas. Tem sectarismo. Tem isso de achar que só os seus valem (o sectarismo é um problema, não só porque ele faz “tratar pessoas mal”, ele condiciona a visão do mundo). Tem desrespeito, tem intolerância, tem donos da verdade. Tem tudo que no resto do mundo tem, afinal.

Essa constatação decepciona alguns e algumas. Espera-se, de quem luta, que esteja menos sujeito a determinados vícios que o mundo apresenta. Quem luta nasceu dentro desse mesmo mundo que quer transformar, sob suas normas, padrões, passou por processos semelhantes aos que todo mundo passa. Mas deve resistir. Tem que ser forte como a luta exige que seja, também pra não se render. Porque tem menos o direito de se render, por ter feito essa opção. Tem menos direito de se render, porque vê um mundo errado e não tem direito de fingir que não. Se fingir, atesta o que dizem aqueles que naturalizam tudo o que tá errado no mundo. Não pode.

Muitos o fazem. Não deviam. Diminuem o brilho do que a gente diz.

Muitos seguem o canto da sereia. Muitos desistem da luta por muitas razões – decepção com as contradições, desânimo com as dificuldades. Muitos trocam seus sonhos coletivos por sonhos individuais e mesquinhos. Muitos nem sequer tiveram esses sonhos verdadeiramente... pra quem segue na luta, é sempre um golpe observar todas essas situações.

Mas é só a luta que muda a vida. É dura. Tem essas contradições, tem a necessidade de sobreviver, às vezes parece que não tem resultado – é que nem sempre é simples enxergar processos históricos se desenrolando, se acumulando. A luta é dura. Mas nós estamos vivos, e em movimento, o que haveríamos de fazer, então? A luta é dura, mas a vida é mais dura. A luta é dura, as pessoas são imperfeitas, nós somos frágeis, as tentações para desistir são muitas, mas nós precisamos continuar.

Não sou sectária o suficiente pra aprender só com uma parte. Aprendo quase o tempo todo e adoro roubar pra mim o que cada lutador ou lutadora tem de melhor. Faço as minhas opções sem desistir de entender as dos outros que também lutam. Não acho que só eu estou do lado certo. Acho que estou do lado onde luto melhor.

Assim como Vinícius Carpinejar, todos os dias eu acordo serelepe para me conciliar com novas expectativas. Minha esperança é intocável. E eu não sou rancorosa. Tem a ver com isso. A luta é parte de mim e isso não me abala. Não sei se lutaria se não fosse cheia de esperança como sou. Recuso-me a olhar o mundo com a tristeza de quem lamenta o inalterável.

A luta é dura, mas é bonita. “E quem vai se importar com a dureza do mundo, se tem tanta coisa bonita?”, vem a questão. Mas no fim, é só isso mesmo: a luta é dura, mas só ela muda a vida. Não precisa de mais motivos.

Alessandra

terça-feira, 2 de junho de 2009

A UNE, há 30 anos: o histórico "Congresso da Reconstrução"


1 de junho de 2009
A UNE, há 30 anos: o histórico "Congresso da Reconstrução"- por Celso Marcondes

Nos dias 29 e 30 de maio de 1979 acontecia em Salvador, o 31º. Congresso da União Nacional dos Estudantes, o "Congresso da Reconstrução", um evento histórico. Marcava o fim de 13 anos de ilegalidade, no momento que crescia a pressão sobre a ditadura militar.


O Congresso foi o resultado final de um árduo processo, pavimentado por quatro Encontros Nacionais de Estudantes e inúmeras reuniões. Participei de todos, entre eles o de junho de 1977, em Belo Horizonte, que foi o "Encontro que não ocorreu", porque a PM cercou todo o centro da cidade e as proximidades da Universidade Federal de Minas Gerais. Partimos de São Paulo de madrugada e voltamos ao final da tarde, depois de muito andar perdido por BH. Éramos cinco num Passat, ida eufórica, volta frustrada.


Também inesquecível foi o seguinte, na PUC de São Paulo, em setembro do mesmo ano. Proibido pelo famigerado coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança Pública, mesmo assim o 3º Encontro aconteceria, em formato reduzido, numa sala de aula da universidade, onde não éramos mais de 40 pessoas.


Irado, o coronel, assim que soube da realização do evento que havia burlado seu aparato, disparou a vingança sobre os mais de mil estudantes que realizavam na mesma noite um ato comemorativo da façanha. O resultado, todos conhecem: 900 estudantes presos, dezenas de feridos, alguns graves. Um dia para jamais esquecer.


Menos de um ano depois, no ainda em obras Centro de Convenções cedido pelo governador Antonio Carlos Magalhães, 10 mil estudantes se encontraram. Deles, 3.304 eram delegados eleitos em assembléias nas suas bases. À mesa, entre outros ilustres, José Serra e José Genoíno, ex-presidentes da UNE.


Não, leitor, eu não estava lá. Desta vez por um golpe de azar: nas vésperas do Congresso fui "transferido" — era assim que as organizações de esquerda chamavam as mudanças de área de atuação de seus militantes — e saí do movimento estudantil. Acompanhei o Congresso pela imprensa com uma lupa e muita frustração, aquela sensação de perder o melhor da festa.


Para escrever hoje tenho que recorrer a fragmentos da minha memória já um tanto gasta, recordando conversas com companheiros que voltaram de lá entusiasmados. E a depoimentos de quem viveu de dentro aquele momento. A internet me salva: no site da Fundação Cásper Líbero, Thais Sauaya Pereira, publica uma bela crônica, na qual conta sua aventura quando tinha 20 anos e pertencia à diretoria do Centro Acadêmico da Faculdade de Química da USP. Thais foi até Salvador de ônibus, fretado por mais de 40 estudantes paulistas. Ela fala da viagem de mais de 50 horas:


"Na ansiedade esfuziante, não diferíamos muito dos ônibus de excursão do ginásio, nem daqueles das torcidas de futebol. No entanto, tínhamos consciência de que aquele era um momento histórico: discutíamos com paixão o socialismo, a guerrilha, a ditadura, os rachas nas organizações clandestinas, os professores, as relações afetivas, o aborto, a falta de grana, o amor livre, morar sem os pais, as drogas, o cinema, Marx, Lênin, Engels, Trotsky, Stálin, Brecht, Chaplin, Glauber, Vittorio de Sica... enfim, o mundo".


O Congresso ganhou o nome de Honestino Guimarães, último presidente da UNE, eleito em 1970, quando a entidade atuava muito precariamente na clandestinidade. Honestino era estudante da Universidade de Brasília, foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar), está desaparecido até hoje.


Javier Alfaia também estava presente e se tornaria presidente da entidade dois congressos depois. Em 1999 ele era vereador em Salvador. Aí, na Câmara Municipal, em sessão que comemorava os 20 anos do Congresso, ele discursou contando um pouco do clima na data:


"Enfrentando sucessivos cortes de energia elétrica, lançamento de substâncias tóxicas que irritavam os olhos de delegados e dirigentes da mesa, com os jeans ainda mais esbranquiçados pela caliça que se espalhava por todo canto daquele prédio em construção, nós consolidamos um marco na retomada do processo democrático".


E falava com orgulho do povo soteropolitano: "Salvador recebeu a UNE de braços abertos. O Congresso mobilizou esta cidade. As famílias ligavam para os diretórios acadêmicos, para o DCE, e colocavam suas casas à disposição para receber os estudantes. Nós listamos cinco mil vagas de hospedagem em residências particulares, em casas de companheiros, de professores, em instituições".


Foram dois dias de debates, de desencontros, de confusões. De sons, músicas e gritos. De oradores efusivos e de "questões de ordem". De tensões e temores, de coragem e energia. As diversas "tendências", que era o nome que dávamos na época aos agrupamentos políticos dos estudantes, conduziram os debates. Por trás delas, grupos e organizações clandestinas se construíam, em tempos que só dois arremedos de partidos eram permitidos pela ditadura, a Arena e o MDB.


"Caminhando", "Liberdade e Luta", "Refazendo", "Novo Rumo", "Centelha" eram os nomes de algumas delas, que reuniam então centenas, até milhares, de adeptos. Depois de muita discussão conseguiram aprovar uma "Carta de Princípios", que seria a referência para a entidade que renascia.


Um grande debate tomou conta do encontro. Eleger ou não ali mesmo o presidente da entidade? Venceu a proposta das eleições diretas, que acabaram ocorrendo por todo o País em 3 e 4 de outubro, alguns meses depois. O baiano Ruy Cezar Costa Silva, estudante de comunicações na Universidade Federal da Bahia, foi eleito presidente.


A UNE renascia, quando movimento estudantil saudava a entrada em cena do movimento operário. Depois das greves metalúrgicas do ABC em 1978 e 79, lideradas por um certo Lula da Silva, os militares e seus apoiadores viam crescer uma oposição que logo se tornaria insustentável.


Thais resume o significado de tudo: "Naquele momento, a UNE era o maior símbolo de organização perseguida pela ditadura. Os sindicatos estavam sob intervenção, não havia uma organização geral de trabalhadores. A UNE era a única entidade nacional, afora a ABI, afora a OAB, que tinha uma base social significativa, era a única organização de caráter nacional que representava um corpo social expressivo e significativo em nossa sociedade. A reconstrução da UNE foi o símbolo das conquistas democráticas pelas quais o Brasil tanto precisava passar, foi uma contribuição fundamental e decisiva ao processo de democratização do país".

Boa, Thais, assino embaixo.


Nesta semana que encerra maio, em vários cantos do país, a data está sendo lembrada. Em Araraquara, Salvador e Porto Alegre acontecem algumas delas. Enquanto isso, a UNE já prepara seu 50º. Congresso, que acontecerá de 15 a 19 de julho, em Brasília. E que CartaCapital começa a cobrir a partir de hoje.


* Celso Marcondes é colunista da Revista Carta Capital

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um terrorista em cartaz na Câmara

do blog do jornalista Walter Rodrigues:


Um terrorista em cartaz na Câmara

Noticia-se que o capitão Jair Bolsonaro (PP-RJ), num gesto de inclassificável ignominia, exibe no seu gabinete um cartaz ilustrado com os dizeres:

— “Desaparecidos da Guerrilha do Araguaia: quem procura osso é cachorro”.


A ignomínia do gesto dispensa comentários. Qualquer um que se dê respeito só pode sentir desprezo e horror diante de semelhante besta-fera. Trata-se de um desses tipos que envergonham a raça humana, assim como outros contribuem para enaltecê-la.

E não se diga que foi apenas um momento “infeliz”. Bolsonaro é realmente um homem cruel, mais que isso, um consumado terrorista moral, a quem só falta a oportunidade para realizar sua natureza.

Já chegou perto perto, aliás. Em 1987, no governo do presidente Sarney, o então capitão Bolsonaro contou a uma repórter de Veja, numa conversa “informal”, tomando café num bar, que se o Governo desse aos militares um aumento menor que 60%, ele e outros como ele apelariam para a violência. Essa consistiria na explosão de bombas em estabelecimentos militares, como a Vila Militar e a Academia das Agulhas Negras.

Enquanto falava, Bolsonaro desenhou num guardanapo de papel o diagrama de uma bomba de fabricação caseira, dessas que terroristas aprendem a fabricar no mundo inteiro.

Embora tenha tido o cuidado de guardar o papelucho com os rabiscos do capitão, a repórter padeceu suas dúvidas naturais. Fazia a matéria ou tratava aquilo como bravata de um maluco exibicionista? Optou pelo caminho certo, com apoio do editor que publicou o furo. Saiu na Veja de 28 de outubro de 1987.

Bolsonaro negou a denúncia sem convencer ninguém, mas nunca foi seriamente investigado por suas conexões com suposta Operação Beco sem Saída, a tal das bombas. Em honra do Exército, recorde-se que o ex-ministro general Leônidas Pires Gonçalves o declarou oficialmente “indigno para o oficialato”. O Superior Tribunal Militar anulou a punição, com base numa formalidade qualquer, mas a carreia dele não foi adiante. Virou político e porta-voz da extrema-direita exasperada.

O Brasil acaba de prender um cidadão de origem árabe que mandava pela internet mensagens de cunho racista e supostamente “terrorista” para os Estados Unidos. Uma notícia da Folha de S.Paulo, baseada em fontes estadunidenses, tentou ligá-lo à Al-Qaeda, mas o Ministério da Justiça desmentiu o boato. Tudo indica que estão procurando terroristas no lugar errado.

Veja abaixo o cartaz terrorista, na foto de Rogério Tomaz, do Coletivo Intervozes.

sábado, 30 de maio de 2009

Sobre as Coréias!


Sobre a Guerra da Coréia

Caros e Caras,

Trago no blog hoje um bom texto sobre a guerra da coréia. O motivo deste texto é tentar entender um pouco do que está acontecendo hoje em dia na península coreana.

São anos de ocupação japonesa, depois norte-americana e uma longa história que precisa ser conhecida e não ficar réfem da opinião da mídia.

Este texto foi publicado no Le MOnde Diplomatique em dezembro de 2004.

CORÉIA DO NORTE

Memórias de fogo

Os Estados Unidos, que acusam a Coréia de estar produzindo armas de
destruição em massa, não hesitaram, desde os anos 40, em usá-las. É esta a
história desconhecida da guerra do Coréia, que aniquilou cidades e matou
milhões de pessoas com bombardeios de napalm



Bruce Cumings


Na Coréia, foi despejada uma quantidade maior de napalm do que no Vietnã,
com efeito bem mais devastador


Mais que uma guerra "esquecida", valeria a pena falar, tratando-se da
guerra da Coréia (1950-1953), de uma guerra desconhecida. O efeito
inacreditavelmente destrutivo das campanhas aéreas norte-americanas contra
a Coréia do Norte – que foram do despejo contínuo e em grande escala de
bombas incendiárias (essencialmente com napalm) às ameaças de recurso a
armas nucleares e químicas1 e à destruição de gigantescas barragens
norte-coreanas na fase final da guerra – é indelével. Estes fatos são no
entanto pouco conhecidos, mesmo pelos historiadores, e as análises da
imprensa sobre o problema nuclear norte-coreano nestes últimos dez anos
nunca as mencionaram.


A guerra da Coréia tem fama de ter sido limitada, mas ela foi bem parecida
com a guerra aérea contra o Japão imperial durante a Segunda Guerra
mundial. E foi freqüentemente dirigida pelos mesmos responsáveis militares
norte-americanos. Se os ataques de Hiroshima e Nagasaki foram objeto de
inúmeras análises, os bombardeios incendiários contra as cidades japonesas
e coreanas receberam bem menos atenção. Quanto às estratégias nuclear e
aérea de Washington no nordeste asiático depois da guerra da Coréia, estas
foram ainda menos compreendidas, ao passo que estas estratégias definiram
as escolhas norte-coreanas e permanecem um fator chave na elaboração da
estratégia norte-americana em matéria de segurança nacional. (...)


O napalm foi inventado no fim da Segunda Guerra mundial. Sua utilização
provocou um debate de grandes proporções durante a guerra do Vietnã,
fomentado por fotos intoleráveis de crianças que corriam nuas sobre as
estradas, com a pele em farrapos... Uma quantidade ainda maior de napalm
foi no entanto despejada sobre a Coréia, com efeito bem mais devastador,
porque a República Popular Democrática da Coréia (RPDC) tinha maior número
de cidades populosas que o Vietnã do Norte. Em 2003, eu participe de uma
conferência ao lado de ex-combatentes norte-americanos da guerra da
Coréia. No momento de uma discussão a respeito de napalm, um sobrevivente
da batalha do Reservatório de Changjin (Chosin, em japonês), que havia
perdido um olho e uma parte da perna, afirmou que esta arma era, bem
entendido, ignóbil, mas que ela «caíra sobre as pessoas boas».


Cenas macabras
Quando o napalm havia queimado completamente a pele, ela se descolava em
farrapos do rosto, dos braços, das pernas.. como batatas chips


As pessoas boas? Como quando um bombardeio atingiu por engano uma dúzia de
soldados norte-americanos: "Em toda minha volta os homens estavam
queimados. Eles rolavam na neve. Homens que eu conhecia, com quem eu havia
marchado e combatido, suplicavam que eu atirasse neles... Era terrível.
Quando o napalm havia queimado completamente a pele, ela se descolava em
farrapos do rosto, dos braços, das pernas... como batatas chips2".


Um pouco mais tarde, George Barrett, do New York Times, descobriu um
"tributo macabro à totalidade da guerra moderna" numa vila ao norte de
Anyang (Coréia do Sul): "Os habitantes de toda a cidade e dos campos em
torno foram mortos e conservaram exatamente a posição em que estavam
quando foram atingidos pelo napalm: um homem se preparava para montar na
bicicleta, cinco dezenas de crianças brincavam num orfanato, uma mãe de
família estranhamente intacta tinha na mão uma página do catálogo
Sears-Roebuck onde estava o pedido n° 3 811 294 de uma ‘encantadora
espreguiçadeira de cor coral’". Dean Acheson, secretário de Estado, queria
que este tipo de «reportagem sensacionalista» fosse denunciada à censura,
a fim de que se possa nelas colocar um fim3.


Uma das primeiras ordens para incendiar as cidades e as vilas que
encontrei nos arquivos foi dada no extremo sudeste da Coréia, enquanto
combates violentos se desenrolavam ao longo do perímetro de Pusan. Era o
começo de agosto de 1950, quando milhares de guerrilheiros assediavam os
soldados norte-americanos. No dia 6 de agosto de 1950, um oficial
norte-americano deu à força aérea a ordem de "obliterar as seguintes
cidades": Chongsong, Chinbo e Kusu-Dong. Bombardeiros estratégicos B-29
foram igualmente empregados para bombardeios táticos. No dia 16 de agosto,
cinco formações de B-29 atacaram uma zona retangular próxima ao front, que
contava um grande número de cidades e vilas. Criaram um oceano de fogo,
despejando centenas de toneladas de napalm. Uma ordem semelhante foi
emitida no dia 20 de agosto. E no dia 26 de agosto, encontramos nestes
mesmos arquivos a simples menção: "onze vilas incendiadas4". (...)


Chuvas de napalm
Os pilotos despejavam enormes quantidades de napalm sobre objetivos
secundários, se o alvo principal não fosse atingido


Os pilotos tinham ordem de atacar os alvos que eles pudessem discernir
para evitar atingir civis, mas eles bombardeavam freqüentemente centros
populacionais importantes identificados por radar, ou despejavam enormes
quantidades de napalm sobre objetivos secundários, nos casos em que o alvo
principal não pôde ser atingido. A cidade industiral de Hungnam foi alvo
de um ataque maior no dia 31 de julho de 1950, no curso do qual 500
toneladas de bombas foram soltas através das nuvens. As chamas se elevaram
a até uma centena de metros. O exército norte-americano despejou 625
toneladas de bombas sobre a Coréia do Norte no dia 12 de agosto, uma
tonelagem que teria requerido uma frota de 250 B-17 durante a Segunda
Guerra mundial. No fim de agosto, as formações de B-29 derramavam 800
toneladas de bombas por dia sobre o Norte5. Esta tonelagem consistia em
grande parte em napalm puro. De junho a fim de outubro de 1950, os B-29
derramaram 3,2 milhões de litros de napalm.


No seio da força aérea norte-americna, alguns se deleitavam com as
virtudes deste exército relativamente novo, introduzido no fim da guerra
precedente, rindo-se dos protestos comunistas e confundindo a imprensa ao
falar de "bombardeios de precisão". Os civis, gostavam eles de supor, eram
prevenidos da chegada dos bombardeiros por panfletos, enquanto que todos
os pilotos sabiam que estes panfletos não tinham qualquer efeito6. Isso
não era mais que um prelúdio da destruição da maioria das cidades e vilas
norte-coreanas que iria se seguir à entrada da China na guerra.


A entrada dos chineses no conflito provocou uma escalada imediata da
campanha aérea. A contar do início de novembro de 1950, o general
MacArthur ordenou que a zona situada entre o front e a fronteira chinesa
fosse transformada em deserto, que a viação destruísse todos os
"equipamentos, usinas, cidades e vilas" nos milhares de quilômetros
quadrados do território norte-coreano. Como relatou um assessor militar
britânico do quartel-general de MacArthur, o general norte-americano deu
ordem para "destruir todos os meios de comunicação, todos os equipamentos,
usinas, cidades e vilas", com exceção das barragens de Najin, próximas à
fronteira soviética e de Yalu (poupadas para não provocar Moscou e
Pequim). "Esta destruição [deveria] começar na fronteira manchu e
continuar em direção ao sul". No dia 8 de novembro de 1950, 79 B-29
despejaram 550 toneladas de bombas incendiárias sobre Sinuiju, "riscando
[a cidade] do mapa". Uma semana depois, um dilúvio de napalm se abatia
sobre Hoeryong "com o objetivo de liquidar o local". No dia 25 de
novembro, "uma grande parte da região noroeste entre Yalu e as linhas
inimigas mais ao sul [...] está mais ou menos incendiada". A zona logo
iria se tornar uma "extensão deserta de terra queimada7".


Ameaça atômica
Em várias ocasiões, o uso de bomba atômica foi considerado e debatido
entre os comandantes americanos


Tudo isso se passava antes da grande ofensiva sino-coreana, que expulsou
as foças da ONU do norte da Coréia. No início do ataque, nos dias 14 e 15
de dezembro, a aviação norte-americana soltava sobre Pyongyang 700 bombas
de 500 libras, napalm derramado por aviões de combate Mustang, e 175
toneladas de bombas de demolição de efeito retardado, que aterrorizavam
com um barulho surdo e explodiam em seguida, quando as pessoas tentavam
salvar os mortos dos braseiros acesos pelo napalm. No início de janeiro, o
general Ridgeway ordenou de novo qua a aviação atacasse a capital
Pyongyang "com o objetivo que foi alcançado em dois tempos, nos dias 3 e 5
de janeiro". À medida que os norte-americanos se retiravam para o sul do
paralelo 30, a política incendiária da terra arrasada prosseguiu:
Uijongbu, Wonju e outras pequenas cidades do sul, das quais o inimigo se
aproximava, foram a presa das chamas8.


A aviação militar tentou também decapitar a direção norte-coreana. Durante
a guerra no Iraque em março de 2003, o mundo conheceu a existência da
bomba denominada "MOAB" (Mother of all bombs, ou Mãe de todas as bombas),
que pesa 21.500 libras e tem uma capacidade explosiva de 18 mil libras de
TNT. A Newsweek publicou uma foto dela em sua capa, com o título "Por que
a América dá medo no mundo? 9". No decurso do inverno de 1950-1951, Kim Il
Sung e seus aliados mais próximos haviam voltado a seu ponto de partida
dos anos 30 e se abrigavam em profundos bunkers em Kanggye, perto da
fronteira manchu. Depois de três meses de vãs buscas a partir do
desembarque de Inch’on, os B-29 despejaram bombas "Tarzan" sobre Kanggye.
Tratava-se de uma bomba nova, enorme, de 12 mil libras, nunca utilizada
antes. Mas não era mais que um foguete ao lado da arma incendiária final,
a bomba atômica.


No dia 9 de julho de 1950, apenas duas semanas depois do começo da guerra,
o general MacArthur enviou ao general Ridgeway uma "mensagem urgente" que
incitou os chefes do Estado Maior (CEM) "a examinar se seria necessário ou
não dar ’bombas A’ a MacArthur". O general Charles Bolte, chefe das
operações, foi encarregado de discutir com MacArthur sobre a utilização de
bombas atômicas "em apoio direto aos combates terrestres". Bolte avaliava
que se poderia reservar de dez a vinte bombas para o teatro coreano sem
que as capacidades militares globais dos Estados Unidos se encontrassem
afetadas "além da medida". MacArthur sugeriu a Bolte uma utilização tática
das armas atômicas e lhe fez uma exposição sumária das ambições
extraordinárias que ele alimentava no âmbito da guerra, especialmente a
ocupação do Norte e uma resposta a uma potencial intervenção chinesa ou
soviética, como segue: «Eu os isolarei na Coréia do Norte. Na Coréia, eu
vejo um beco sem saída. Apenas as passagens provenientes da Manchúria e
Vladivostock comportam inúmeros túneis e pontes. Eu vejo aí uma ocasião
única de utilizar a bomba atômica, para fazer um ataque que barraria a
estrada e demandaria um trabalho de reparação de seis meses".


A China na mira
As armas atômicas não seriam empregadas na Coréia, exceto em uma campanha
atômica contra a China maoísta


Nesta fase da guerra, no entanto, os chefes do Estado Maior rejeitaram o
uso da bomba, pois faltavam alvos suficicientemente importantes para
necessitar de armas nucleares; temiam também as reações da opinião mundial
cinco anos após Hiroshima e esperavam que o curso da guerra fosse mudado
por meios militares clássicos. O cálculo não foi mais o mesmo desde que
consideráveis contingentes de soldados chineses entraram na guerra em
outubro de 1950.


Na ocasião de uma famosa entrevista coletiva, no dia 30 de novembro, o
presidente Truman desfraldou a ameaça da bomba atômica10. Não era um
blefe, como se supunha então. No mesmo dia, o general da força aérea
Stratemeyer enviou ordem ao general Hoyt Vandenberg para colocar em alerta
o comando aéreo estratégico "a fim de que ele esteja pronto para enviar
sem atraso formações de bombardeiros equipados de bombas médias ao Extremo
Oriente [...] este suplemento [devendo] compreender capacidades atômicas".


O brigadeiro Curtis LeMay se lembra claramente que os CEM haviam chegado
anteriormente à conclusão de que as armas atômicas provavelmente não
seriam empregadas na Coréia, exceto no caso de uma "campanha atômica geral
contra a China maoísta". Mas, como as ordens mudavam em razão da entrada
das forças chinesas na guerra, LeMay queria ser encarregado da tarefa; ele
declarou a Stratemeyer que seu quartel general era o único a possuir a
experiência, a formação técnica e "o conhecimento íntimo" dos métodos de
lançamento. O homem que dirigiu o bombardeio incendiário de Tóquio em
março de 1945 estava pronto a voltar ao Extremo Oriente para comandar os
ataques11. Washington se preocupava pouco, na época, em saber como Moscou
iria reagir, pois os norte-americanos possuíam ao menos 450 bombas
atômicas, enquanto os soviéticos tinham apenas 25.


Planos de ataque
MacArthur afirmava ter um plano que permitiria ganhar a guerra em dez
dias, usando bombas de cobalto


Pouco tempo depois, no dia 9 de dezembro, MacArthur fez saber que queria
um poder discricionário no que dizia respeito à utilização de armas
atômicas sobre o teatro coreano, e, no dia 24 de dezembro, ele entregou
uma "lista de alvos que devem retardar o avanço inimigo" para os quais ele
dizia ter necessidade de 26 bombas atômicas. Ele pedia, além disso, que
quatro bombas fossem lançadas sobre as "forças de invasão" e quatro outras
sobre as "concentrações inimigas cruciais de meios aéreos".


Em entrevistas divulgadas depois de sua morte, MacArthur afirmava ter um
plano que permitia ganhar a guerra em dez dias: "eu teria despejado três
dezenas de bombas atômicas [...] arrasando tudo ao longo da fronteira com
a Manchúria". Ele teria em seguida levado 500 mil soldados da China
nacionalista a Yalu, depois teria "espalhado atrás de nós, do mar do Japão
ao mar Amarelo, um cinturão de cobalto radioativo [...] cuja duração de
vida ativa se situa entre 60 e 120 anos. Durante 60 anos ao menos, não
seria possível uma invasão terrestre da Coréia pelo norte". Ele tinha
certeza de que os Russos nada fariam diante desta estratégia do extremo:
"Meu plano era simples como um bom-dia12".


A radioatividade do cobalto 60 é 320 vezes mais elevadas que a do rádio.
Segundo o historiador Carroll Quigley, uma bomba H de 400 toneladas de
cobalto poderia destruir toda vida animal sobre a terra. As propostas
belicistas de MacArthur parecem insensatas, mas ele não era o único a
pensar dessa maneira. Antes da ofensiva sino-coreana, um comitê submetido
aos chefes do Estado Maior havia declarado que as bombas atômicas poderiam
se mostrar como "fator decisivo" que bloquearia o avanço chinês na Coréia.
No início, via-se eventualmente sua utilização num "cordão sanitário [que
poderia] ser estabelecido pela ONU, seguindo uma faixa situada da
Manchúria até o norte da fronteira coreana".


Sugestão de cataclisma
Em 1951, Truman se livrou de MacArthur para manter aberta sua política em
matéria de armas atômicas


Alguns meses mais tarde, o deputado Albert Gore (o pai de Al Gore,
candidato democrata derrotado em 2000, que se opôs em seguida à guerra do
Vietnã), deplorava que "a Coréia [faça] a cama da virilidade
norte-americana" e sugeria que se pusesse um fim à guerra com "alguma
coisa cataclísmica" - a saber, um cinturão radioativo que dividiria a
península coreana em duas de maneira permanente. Ainda que o general
Ridgeway não tenha falado de bomba de cobalto, depois de ter sucedido
MacArthur enquanto comandante norte-americano na Coréia, ele renovou em
maio de 1951 o pedido formulado por seu predecessor no dia 24 de dezembro,
reivindicando desta vez 38 bombas atômicas13. Esse pedido não foi aceito.


No início de abril de 1951, os Estados Unidos estiveram a um passo de
utilizar armas atômicas, no momento, precisamente, em que Truman destituía
MacArthur. Se as informações a respeito desse episódio permaneceram ainda
em grande parte classificadas como secretas, é agora claro que Truman não
destituiu MacArthur unicamente em razão de sua insubordinação reiterada,
mas porque ele queria um comandante confiável no local, caso Washington
decidisse recorrer às armas atômicas. Em outros termos, Truman se livrou
de MacArthur para manter aberta sua política em matéria de armas atômicas.
No dia 10 de março de 1951, depois que os chineses concentraram novas
forças perto da fronteira coreana e que os soviéticos estacionaram 200
bombardeiros sobre as bases aéreas da Manchúria (de onde eles poderiam
atingir não apenas a Coréia, mas as bases norte-americanas no Japão) 14,
MacArthur pediu uma "força atômica do tipo Dia D", a fim de conservar a
superioridade aérea no teatro coreano. No dia 14 de março, o general
Vandenberg escrevia: "Finletter e Lovett alertados sobre as discussões
atômicas. Eu creio que está tudo pronto". Fim de março, Stratemeyer
relatou que os fossos de carregamento de bombas atômicas sobre a base
aérea de Kadena, em Okinawa, estavam novamente operacionais. As bombas
foram transportadas para lá em peças separadas e montadas depois na base,
faltando apenas carregar o miolo nuclear. No dia 5 de abril, os CEM
ordenaram que represálias atômicas imediatas fossem lançadas contra as
bases manchus se novos contingentes importantes de soldados chineses se
juntassem aos combates ou, ao que parece, se bombardeiros partissem de lá
contra posições norte-americanas. No mesmo dia, Gordon Dean, presidente da
Comissão sobre Energia Atômica, tomou medidas para fazer a transferência
de nove ogivas nucleares Mark IV para o 9o grupo de bombardeiros da
aviação militar, destinado ao transporte de bombas atômicas. (…)


Milhões de mortos
Durante três anos, os norte-coreanos se viram diante da ameaça cotidiana
de serem queimados pelo napalm


Os chefes do Estado Maior cogitaram novamente o emprego de armas nucleares
em junho de 1951 – desta vez, do ponto de vista tático sobre o campo de
batalha15 – e foi o caso de várias outras situações até 1953. Robert
Oppenheimer, ex-diretor do Projeto Manhattan, trabalhou sobre o "Projeto
Vista", destinado a avaliar a viabilidade do uso tático de armas atômicas.
No início de 1951, um jovem chamado Samuel Cohen, que estava em missão
secreta para o departamento de defesa, estudou as batalhas que conduziram
à segunda tomada de Seul e concluiu que deveria existir um meio de
destruir o inimigo sem destruir a cidade. Ele se tornaria o pai da bomba
de nêutrons16.


O projeto nuclear mais aterrorizante dos Estados Unidos na Coréia foi
provavelmente a operação Hudson Harbor. Esta operação parece ter feito
parte de um projeto mais vasto que tratava da «especulação aberta pelo
departamento de defesa e especulação clandestina por parte da Central
Intelligence Agency, na Coréia, sobre a possibilidade de utilizar novas
armas» (um eufemismo designando o que se chama hoje de armas de destruição
em massa). (...)


Sem recorrer às «novas armas», ainda que o napalm fosse muito novo na
época, a ofensiva aérea não deixou de arrasar a Coréia do Norte e de matar
milhões de civis antes do fim da guerra. Durante três anos, os
norte-coreanos se viram diante da ameaça cotidiana de serem queimados pelo
napalm: "Não se podia escapar", disse-me um deles em 1981. Em 1952,
praticamente tudo havia sido completamente arrasado no centro e no norte
da Coréia. Os sobreviventes viviam em grutas. (...)


Cidades aniquilidadas
Depois do armistício, das 22 principais cidades do país, 18 haviam sido
aniquladas no mínimo pela metade


No decorrer da guerra, escrevia Conrad Crane, a força aérea
norte-americana «provocou uma destruição terrível em toda a Coréia do
Norte. A avaliação, na época do armistício, dos prejuízos causados pelos
bombardeios revelou que das 22 principais cidades do país, 18 haviam sido
aniquiladas no mínimo pela metade». Sobressaía de um quadro estabelecido
pelo autor que as grandes cidades industriais de Hamh˘ung e de H˘ungnam
haviam sido destruídas em 80 a 85%, Sariw˘on em 95%, Sinanju em 100%, o
porto de Chinnamp’o em 80% e Pyongyang em 75%. Um jornalista britânico
descrevia uma das milhares de vilas aniquiladas como "um montículo
expandido de cinzas violetas". O general William Dean, que foi capturado
depois de batalha de Taej˘on, em julho de 1950, e levado ao Norte,
declarou em seguida que da maioria das cidades e vilas que ele viu, não
restou mais que "entulho ou ruínas cobertas de neve". Todos os coreanos
que ele encontrou, ou quase, haviam perdido um parente no bombardeio17.
Winston Churchill, no fim da guerra, se emocionou e declarou a Washington
que no momento em que o napalm foi inventado no fim da Segunda Guerra
mundial, ninguém imaginava que se iria "aspergi-lo" sobre uma população
civil18.


Tal foi a "guerra limitada" travada na Coréia. À guisa de epitáfio para
esta guerra aérea desenfreada, citemos o ponto de vista de seu arquiteto,
o general Curtis LeMay, que declarou depois do início do conflito: "De
certa forma nós colocamos por baixo da porta do Pentágono um bilhete
dizendo: ‘Nos deixem ir até lá [...] incendiar cinco das maiores cidades
da Coréia do Norte – elas não são muito grandes – isso deverá acertar as
coisas’. Bem, nos responderam aos gritos – ‘Vocês vão matar inúmeros
civis’ e ‘é horrível demais’. No entanto, em três anos (...) nós
incendiamos todas [sic] as cidades da Coréia do Norte, assim como da
Coréia do Sul (...). Em três anos, é aceitável, mas matar algumas pessoas
para resolver o problema, muita gente não consegue conceber 19".


(Trad. : Fabio de Castro)


1 - Stephen Endicott, Edward Hagerman, “As armas biológicas da guerra da
Coréia”, Le Monde diplomatique, julho de 1999.
2 - Citado em Clay Blair, Forgotten War, p. 515.
3 - Arquivos nacionais norte-americanos, dossiê 995.000, caixa 6175,
despacho de George Barrett, 8 de fevereiro de 1951.
4 - Arquivos nacionais, RG338, dossiê KMAG, caixa 5418, diário KMAG,
entradas dos 6, 16, 20 e 26 de agosto de 1950.
5 - New York Times, 31 de julho, 2 de agosto e 1o de setembro de 1950.
6 - Ver “Air War in Korea”, em Air University Quarterly Review 4, n° 2,
outono de 1950, pp. 19-40 e “ Precision bombing ” in Air University

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Domésticas querem mudança na Contituição por direitos iguais


Domésticas querem mudança na Contituição por direitos iguais

As empregadas domésticas querem ter direitos trabalhistas iguais a todos os demais brasileiros, diz a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Creusa Maria e Oliveira. Por isso, a categoria luta por uma mudança na Constituição Federal, que as diferencia em relação aos outros trabalhares.



O Artigo 7º da Constituição tem um parágrafo único estabelecendo a que têm direito. Com isso, ficam fora direitos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a multa de 40% sobre seu saldo, em caso de demissão sem justa causa, salário família, horas extras, adicional noturno, seguro-desemprego e várias outras conquistas dos trabalhadores.

A mudança desse artigo faz parte de uma proposta que está sendo elaborada pelo governo, envolvendo a secretarias especiais de Políticas para Mulheres e da Igualdade Racial. Mesmo antes de chegar ao Congresso, ela encontra resistência, de acordo com Creusa. A Fenatrad estima que existam no Brasil cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas — a grande maioria mulheres e negras.

“A resistência vem dos empregadores. Representantes dessa classe defendem que seja aprovado a proposta de autoria da ex-deputada Benedita da Silva, que prevê alguns direitos. Só que, para nós essa proposta, já está ultrapassada”, argumentou Creusa. “Vários direitos previstos nela já nos foram dados por meio de decreto. Queremos a mudança na Constituição, acabando com a discriminação. Só isso nos dará direito a todas as conquistas trabalhistas.”

“Não queremos conquistar nossos direitos a conta-gotas. Queremos direitos de forma ampla”, completou. A proposta que as domésticas rejeitam foi apresentada por Benedita da Silva em 1988. Nesta segunda-feira (27), comemora-se o Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Creusa lembrou que a luta organizada das empregadas domésticas já tem mais de 70 anos no Brasil. “Teve início em 1936, com a criação da primeira associação, em Santos [SP] por Laudilena dos Campos Melo."

No entanto, só em 1972 é que elas conquistaram por lei o direito a 20 dias de férias por ano, carteira assinada e o direito à Previdência Social. Depois disso, a Constituição de 1988 garantiu às domésticas direito ao salário mínimo, ao 13º salário, aviso prévio e descanso semanal aos domingos. Em 2006, uma lei deu direito à estabilidade no emprego em caso de gestantes, folgas nos feriados, aumentou de 20 para 30 dias o período de férias e impediu o empregador de descontar despesas com alimentação e moradia do salário das trabalhadoras.

Creusa acredita que não haverá retração do mercado de trabalho em um cenário de direitos iguais "Precisamos trabalhar, e o empregador precisa do nosso trabalho. Todas as vezes que se fala em direitos trabalhistas das empregadas domésticas se levanta essa discussão como entrave. Mas não faz sentido. É um mercado que continuará existindo, porque nosso trabalho é necessário à vida das pessoas.”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nossa Apresentação de Samba de Gafieira!

Caros e Caras,

Sábado passado estivemos no Festival de Dança do DF e Entorno, foi realizado em Taguatinga. Nossa turma de gafieira, do estúdio de dança André Barcellos, fez uma pequena apresentação. Diga-se de passagem era a única que mesclava alunos e instrutores. Enfim, depois de muito ensaio chegamos lá e cumprimos nossa meta!!!

Fica aí o vídeo pra vcs verem. Antes que me perguntem, eu estou atrás no canto esquerdo da tela.

To tentando colocar o vídeo do you tube aqui, mas não to conseguindo. Por isso, coloco tb o link direto pro vídeo no You Tube!

http://www.youtube.com/watch?v=r0VSASAZ0B8

A Comunicação precisa de mais vozes

Hoje no blog publico o chamado enviado pelo nosso colunista Marcelo Arruda. Neste momento em que o país se prepara pra 1a Conferência Nacional de Comunicação todos e todas devem participar e mobilizar para enfrentarmos o monopólio das comunicações no Brasil.

Fica aí o texto!



A Comunicação precisa de mais vozes

Um convite coletivo a indivíduos, grupos e movimentos sociais

A Comunicação livre, alternativa e independente é uma necessidade para o desenvolvimento social e tecnológico das nações pois permite a participação em processos políticos e estimula o surgimento de novos instrumentos para aproximar grupos e indivíduos. Ela também é indispensável para a vida em sociedade, por meio da qual podemos trocar conteúdos, idéias, fazer planejamentos e promover simples conversas.

Contudo, os países mais desenvolvidos economicamente, ao longo da história, deram à Comunicação um papel meramente comercial e as corporações assumiram o papel de produtores para o público considerado como uma grande "massa passiva", seja por meio do rádio, TV e, recentemente, pela internet. O intuito principal dessa estratégia é promover a venda de produtos, idéias (conceitos, estilos, padrões) ou marcas em troca de retornos lucrativos. Nessa lógica, poucas famílias e empresas, com grandes recursos financeiros ou influência política, se apoderaram dos principais meios de Comunicação, restringindo-os a seus interesses particulares.

A Comunicação é um direito de todxs, exercido diariamente a partir das relações interpessoais e sociais, e que deve ser garantido. Esse direito não serve apenas para proporcionar o diálogo, mas também contribui para reivindicar e assegurar outros direitos básicos como a saúde, educação, alimentação e moradia. O acesso à informação, gerado pela Comunicação, permite fiscalizar as ações do governo. Produções audiovisual, impressa e online servem como mecanismo de denúncia e cobrança do poder público.


Para garantir a participação plural na Comunicação e o acesso a direitos humanos faz-se necessária, contudo, a modificação das estruturas de acesso aos meios de Comunicação atuais. Deve ser permitido que mais pessoas possam produzir conteúdos. A lógica de que somos apenas receptores precisa ser quebrada, pois essa visão é totalmente desconexa com o novo período que vivemos: da interatividade e convergência das mídias, e das áreas do conhecimento.

No Brasil, os principais espaços formais de Comunicação como o Rádio e a TV abertos também são restritos aos interesses de poucos. São eles, inclusive, que influenciam o desenvolvimento de políticas públicas no país e contribuem para a ausência de uma política nacional de Comunicação coerente com os princípios constitucionais de valorização da cultura e regionalização do conteúdo. Apesar desse cenário negativo, movimentos sociais de comunicação e de outras lutas se juntaram para reivindicar uma participação mais efetiva da sociedade na Comunicação brasileira. Graças a esse árduo esforço, recentemente o Governo Federal anunciou a realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em dezembro de 2009.

A Conferência será voltada para o debate e consolidação de diretrizes que orientarão o rumo da Comunicação do Brasil. Mas só a realização da Conferência não basta. Para que o processo seja efetivo, é preciso que a sociedade se mobilize e ocupe todos os fóruns possíveis de discussão. Vale lembrar que há interesse dos controladores da “grande mídia” em manter o cenário atual ou restringi-lo ainda mais. Dessa forma, mais movimentos sociais, grupos e indivíduos podem dar suas contribuições (de acordo com seu perfil de mobilização), para que a democracia prevaleça na Conferência.

Atualmente, existem vários movimentos e coletivos em prol do direito à Comunicação. No nosso campo de atuação, podemos destacar alguns desses coletivos:

- O Projeto de Extensão Comunicação Comunitária, que visa integrar os estudantes da UnB (de Comunicação ou não) com a sociedade, estimula produções comunitárias, além de construir um vínculo entre teoria e prática e entre conhecimento acadêmico e cidadania.

- O Projeto de Extensão SOS Imprensa, constituído por estudantes universitários, estimula a leitura crítica dos meios de Comunicação, baseados em princípios de cidadania e direitos à Comunicação, fiscaliza os abusos por parte da imprensa. O projeto busca também a criação de alternativas comunicacionais pautadas em estudos de políticas de Comunicação e em práticas já existentes de meios autônomos de Comunicação.

- O Projeto Dissonante (faça-rádio-web-você-mesmx) foi pensado no intuito de estabelecer um espaço virtual por meio da internet para que qualquer indivídux ou coletivo pudesse criar e manter uma rádio web livre, sem fins lucrativos, que respeite os direitos humanos, estimule a produção e a pluralidade da Comunicação.

- A Executiva Nacional dxs Estudantes de Comunicação (Enecos) atua na realização de grandes eventos regionais e estaduais, a fim de possibilitar espaços onde xs estudantes de Comunicação possam discutir, trocar experiências e criar alternativas de pensamentos e ações no campo da Comunicação.

- A rádio livre com princípios comunitários Ralacoco se afirma como um espaço experimental por meio do qual todxs podem apresentar programas, aprendendo, na prática, tanto as questões técnicas de operação de uma emissora quanto os princípios de uma Comunicação democrática.

- O Diretório Central dos Estudantes da UnB busca, nessa atual gestão e também o fez na gestão anterior, manter informados os estudantes da UnB sobre as atividades promovidas pela entidade e por outros grupos, a valorização de espaços de divulgação e discussão horizontal como listas de e-mail e trabalha em parceria com outros grupos na discussão sobre a construção da Conferência de Comunicação, na Universidade de Brasília.

É também notável que todos os grupos/entidades relatados estão participando das Comissões Nacionais e Estaduais Pró-Conferência. Perguntamos, então, como mais coletivos, movimentos e indivíduxs podem ajudar na construção da Conferência Nacional de Comunicação? Um caminho é começar com a prática da Comunicação no cotidiano, seja em blogs, programas de rádio, manifestações artísticas ou produções audiovisuais independentes. E também ao participar das Comissões Estaduais Pró-Conferência, levando o debate para o cotidiano de sua comunidade. Para que a Conferência seja de fato participativa ela deve ser, antes de tudo, constituída de pessoas com vontade de transformação social.

Procure se informar quando e onde ocorrem as reuniões das Comissões Estaduais Pró-Conferência. Entre também no site da Comissão Nacional Pró Conferencia em www.proconferencia.com.br e envie e-mail para proconferencia.com@gmail.com para saber mais informações, contatos e conteúdos.

Esse é um convite construído colaborativamente pelos seguintes grupos:

Projeto de Extensão Comunicação Comunitária - COMCOM/UnB
www.unb.br/fac/comcom

Projeto Dissonante - faça-rádio-web-você-mesmx
www.dissonante.org

Executiva Nacional dxs Estudantes de Comunicação - ENECOS
www.enecos.org.br

Rádio Ralacoco - livre com princípios comunitários
ralacoco.blogspot.com

Projeto SOS Imprensa
www.unbr.br/fac/sos

Diretório Central dos Estudantes da UnB
www.dce.unb.br

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um pequeno verso da Minha Mãe!


Caros e Caras,

Antes de qualquer coisa queria me desculpar com nosso assíduos leitores pela ausência de textos próprios aqui no Blog. A inspiração está baixa, mas prometo enfrentá-la. e digo assíduos pq a média de visita permanece a mesma, mas o índice de novos visitantes caiu muito. Enfim, fico feliz com leitores fiéis.

O tema de hoje vai ser mais uma lembrança da minha mãe. Essa semana senti muito forte sua ausência. Vi e revi fotos, lembranças e momentos juntos. Deu uma vontade incontrolável de encontra-la, infelizmente isso não é mais possível.

Mas se encontrar não é possível, me dediquei muito em lembrar das coisas que falava, dos ensinamentos e de sua coragem de viver enfrentando desafios. Grande Guerreira...

Ela tinha um grande número de poemas escrito. Que seus amigos e amigas estavam tentando organizar e por isso cedi os originais para eles. Pouca coisa ficou aqui comigo, somente alguns em digital. Deve ter muito coisa produzida que nem eu sei onde deve estar, mas ela conseguiu muito se expressar através da poesia. Coisa bem profunda ou apenas pequenos versos.

Na sua lembrança da missa de sétimo dia escolhemos um pequeno verso dela que falava de saudade, de ausência e lembrança. Justamente que senti essa semana e por isso trago hoje esse poema:

Basta!

Aqui Longe...
Basta uma gota...
Uma borboleta azul...
uma saudade...
e uma canção pra lembrar...

Angela Barbosa
02/05/2007

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre a Oficina de Movimento Estudantil na Semana Política - Unb

Ontem, terça, fui chamado pra fazer uma oficina sobre movimento estudantil na Semana Política da UnB, promovida por várias entidades do curso de Ciência Política. Sempre bom voltar as origens... Gostei de falar sobre um tema que já falei muito, num curso que tenho grande carinho e no auditório que já fiz tanta coisa.

Apesar da matéria não ter ficado muito boa, vou reproduzi-la aqui pra registrar esse momento!!


SEMANA POLÍTICA - 26/05/2009

Movimento estudantil sofre com desmobilização

Para Rafael Moraes, militante desde 2001, modelo de funcionamento das agremiações não permite a continuidade de projetos e debates
Camila Rabelo - Da Secretaria de Comunicação da UnB


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O movimento estudantil sofre com a desmobilização e a perda de legitimidade, segundo o cientista político Rafael Moraes. Militante desde 2001, ele lembra que a última grande mobilização nas ruas foi em 1992 com os “caras pintadas” a favor do impeachment do presidente Fernando Collor. Certo de que não faltam temas para protesto e reivindicação, Moraes, que esteve na vice-presidência da União Nacional dos Estudantes entre 2003 e 2005, acredita que as entidades precisam inovar suas estruturas.

“A estrutura de funcionamento do movimento estudantil, marcado por assembléias, conselhos e direção, remonta à década de 1950, não houve inovação", critica Moraes, que começou sua trajetória no movimento quando era estudante da Universidade de Brasília. Em 2001, ele foi coordenador do Centro Acadêmico de Ciência Política e, no ano seguinte, integrou a gestão do DCE na instituição.

O cientista político de 30 anos, hoje filiado ao PT e empresário imobiliário, contou sua experiência no movimento estudantil a uma platéia de cerca de 40 alunos na manhã de terça-feira, 25 de maio. A palestra abriu a Semana Política, organizada pelo CA, PET e empresa júnior do curso de Ciência Política. O encontro, com o tema Participação política e os caminhos da democracia no Brasil, vai até o dia 29.

SEM CONTINUIDADE - Para Moraes, conhecido também como Pops, a crise estrutural no movimento estudantil deve-se, sobretudo, ao enfraquecimento das entidades de base, os Centros Acadêmicos, e à descontinuidade característica do movimento. “A categoria estudante dura cinco ou seis anos no máximo, a renovação é muito grande. Acabamos refém da conjuntura, seja a greve dos professores ou a lixeira do reitor”, avalia.

Sem a participação ativa dos Centros Acadêmicos e do Conselho de Entidade de Base, CEB – que reúne todos os CAs – os grupos que lideram os DCEs acabam em gestões autônomas e individualistas. Reuniões fechadas e a falta de registro em atas das decisões e do histórico dos projetos dificultam avanços nos debates e a continuidade das propostas.

Recém-eleito coordenador-geral do DCE da UnB, Rafael Holanda está sentindo na pele a dificuldade de ter de começar tudo de novo. “Registro em ata e outros procedimentos democráticos fazem parte da construção da instituição. Com mais organização, poderíamos aprender com as gestões anteriores para acertar mais agora”, afirma. Segundo ele, a atual gestão quer fortalecer os CAs e a CEB para retomar o funcionamento mais sistemático e, ao mesmo tempo, chamar os jovens da UnB para participarem.

Durante a palestra, Moraes buscou incentivar os alunos da instituição a participarem das discussões políticas e a proporem um novo modelo para o movimento estudantil. “Vejo pouca ousadia na hora de mudar o funcionamento das entidades, precisamos pensar coisas novas”, disse.

sábado, 23 de maio de 2009

Um ano de uma nova juventude!


Um ano de uma nova juventude!

Neste dia 22 de maio completa um ano do início do I Congresso da Juventude do PT, que foi um marco na história da organização juvenil no Partido dos Trabalhadores. Foram 15 mil jovens reunidos na base e construindo um novo modelo de organização. Os debates foram intensos e problemas certamente tiveram, mas o salto organizativo é visto claramente depois de passado um ano de congresso.

Quando iniciamos a gestão em 2005, afirmávamos que “Na Falta de Céu Ninguém Voa”, ou seja, sem ter um mínimo de organização, de comprometimento e empenho a juventude do PT continuaria numa inércia de pouca mobilização e organização. Era preciso sacudir as estruturas, pensar um pouco pra dentro do partido, mas sem descuidar da disputa da sociedade, e se preciso enfrentar a direção!. Era um desafio grande e que nem sempre foi tranqüilo.

Da campanha de Lula em 2006 até o Congresso do PT em agosto de 2007 era uma incógnita qual seria o resultado das medidas estruturais propostas. Contudo, o grau de grande maturidade que deram todos os agrupamentos do PT conseguimos dar o primeiro passo para construção dessa novidade na vida do partido.

Essa novidade chamava I Congresso da JPT! Não foi fácil o congresso sair... Primeiro foi o desafio de aprovar a resolução, depois foi o desafio de organizar um congresso que reuniu 15 mil na base tendo na organização nacional somente 4 ou 5 militantes liberados pra isso, ainda tivemos as tensões normais entre as tendências no decorrer do processo, que era frágil, e por último o problema estrutural devido a ameaça da direção de não arcar com os custos. Contudo, cada uma dessas barreiras foi sendo superada... Quando lembro desse pré-congresso penso muito no dia 19 de maio, neste dia tínhamos uma grande indecisão do congresso. Sem ônibus para o deslocamento dos delegados eleitos estávamos a um passo de remarcar o congresso. Era uma sensação de ter ido tão longe e morrer na praia. Certamente isso teria sido traumático!

Mas o Congresso saiu! Foram decisivos os funcionários do PT, que deram o sangue pro sucesso do congresso. Todos os dirigentes de juventude das tendências e alguns dirigentes nacionais do partido. Foram muitas idéias e resoluções aprovadas. Com maior ou menor apoio. Foi uma eleição em 2º turnos, onde o resultado sempre foi uma dúvida, e ainda tínhamos fraturas abertas nos estados que precisam ser cicatrizadas. Entre mortos e feridos todos se salvaram. De tudo, pra mim, o mais importante foi a aprovação da Caravana de Juventude... Idéia muito importante e prática política militante que o PT tinha abandonado e retomamos. Vejo que as caravanas voltaram ao cotidiano do partido, vejo vários estados fazendo caravanas de juventude. E ainda tenho percebido que outros setores também retomaram a idéia. Enfim, a juventude sempre será uma referência de idéias e práticas para manter o partido vivo.

Pois bem passado todos esses processos agora fica a lição para juventude, sua organização e mobilização dependem de sua atitude, de sua unidade interna, de sua maturidade e principalmente de mobilização coletiva. De nada adianta um só grupo se avocar como melhor pra juventude ou mesmo dizer que tem as melhores propostas pra nossa organização. Isso não basta, por mais que as idéias sejam boas, elas não serão executadas por todo partido. E se for assim não serve... As lições da história já nos deram muitas demonstrações disso. E certamente o que queremos é uma JPT forte e cada vez maior.

Termino dizendo que nestes dias minha memória retomou tudo como se tivesse sido ontem. Revivi a tensão, a emoção e a satisfação de ter contribuído com meu partido e de não ter passado meus anos de militância na juventude em vão. Serão tempos que não voltam mais e que não podemos nos prender no saudosismo. Mas será impossível ver uma Caravana da Juventude do PT, um ato da JPT ou mesmo uma bandeira da JPT sem lembrar daqueles 22 a 25 de maio de 2008 em Brasília!

Viva a JPT!

Rafael Moraes (Pops)
Secretário de Juventude do PT 2005/2008

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O dia em que a PETROBRAS deixou de ser BRASileira


O dia em que a PETROBRAS deixou de ser BRASileira

Publicado no blog do sociólogo Emir Sader e reproduzido no site da Carta Maior

Dia 26 de dezembro de 2000, um dia depois do Natal, o povo brasileiro foi surpreendido por mais uma medida antinacional do governo FHC. Coerente com a máxima de FHC de que “ia virar a página do getulismo no Brasil” – sem o que o neoliberalismo não seria possível – o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, anunciou que a empresa estava mudando seu nome comercial para PetroBrax. Segundo ele, o objetivo seria “unificar a marca e facilitar seu processo de internacionalização” (sic) (FSP, 27/12/2000). Afirmou ele que “a medida ganhou na semana passada o aval do presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Segundo Alexandre Machado, consultor da presidência da Petrobras, a operação custaria à empresa 50 milhões de dólares, para realizar um projeto da agência paulista de design Und SC Litda, “contratada sem licitação”, segundo o presidente da Petrobras. “Um dos argumentos favoráveis – relata a FSP – foi que o sufixo “bras” estaria, internamente, associado à ineficiência estatal.” “No front externo, um dos argumentos para a mudança da marca é de tirar a associação excessiva que o nome Petrobras tem com o Brasil . Segundo Norberto Chamma, diretor da Und, que apresentou a nova marca ontem para jornalistas, a desvinculação é importante para que a empresa não seja obrigada a arcar com os ônus dessa ligação.” (sic)

A direita subestimou a capacidade de resistência do povo brasileiro, submetido a tantas afrontas no governo tucano, que este pensou que ele estava anestesiado. (Uma coluna do próprio jornal FSP diz que o jornal subestimou a reação popular contra a medida.) Mas a operação durou apenas algumas horas. Apesar da tentativa de pegar o povo distraído pelo período entre Natal e Ano Novo, em dois dias o governo teve que retroceder da sua vergonhosa tentativa de preparar a maior empresa brasileira para “facilitar seu processo de internacionalização” – não há melhor confissão da intenção de privatizá-la, de que a venda de ações na Bolsa de Nova York foi um passo concreto. O país estava submetido à nova Carta de Intenções do FMI, depois da terceira vez que o governo tucano de FHC e de Serra havia quebrado nossa economia e havia indícios claros que a privatização da Petrobras, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil faziam parte das contrapartidas dos novos empréstimos que o FMI concedia ao governo de FHC.

26 de dezembro foi um dia da vergonha nacional, com essa tentativa fracassada de tirar o nome do Brasil da Petrobras, para tirar a Petrobras do Brasil. Sabemos que FHC estava totalmente de acordo. Seria bom saber onde andavam e que atitude tomaram os que agora dizem se preocupar com a Petrobras. Que posição teve, por exemplo, José Serra diante dessa ignominiosa atitude do governo a que ele pertenceu? E as empresas da mídia e seus funcionários colunistas

E que atitude tomaram os senadores, agora tão interessados nos destinos da Petrobras, ao subscrever o pedido da CPI, quando a existência mesma da empresa estava em jogo?
O senador Álvaro Dias talvez estivesse ocupado com a defesa dos processos por uso da cavalaria da PM contra professores ou preparando algum dossiê falso contra adversários políticos, ou tentando se defender das acusações de crime contra a administração pública, movidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Já o senador Artur Virgilio talvez estivesse tentando organizar sua defesa da acusação de envolvimento com prostituição infantil de que foi acusado ou preocupado em libertar o filho, preso por desacato e pornografia .

O senador Cícero Lucena talvez estivesse preocupado com o processo do Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e desvio de verba.

O senador Eduardo Azeredo, fundador do mensalão mineiro, poderia estar preparando já seu projeto de lei que quer censurar a internet.

O senador Flexa Ribeiro talvez estivesse às voltas com o que depois foi revelado como sendo a inclusão do seu nome na “folha de pagamento” das empreiteiras.

Já o senador Marconi Perillo poderia estar preocupando-se pelo que o Ministério Publico Federal encontraria como irregularidades em seu governo, pedindo sua cassação.

O senador Tasso Jereissatti poderia estar às voltas com viagens em um do seus jatinhos, por conta das verbas do Senado, que ele consideraria “legais”.

O senador Efraim Morais poderia estar ocupado com a nomeação de algum dos seus 52 parentes que tem no seu gabinete.

Ou com a investigação do Ministério Público Federal sobre o que, uma vez apurado, se tornaria seu envolvimento em esquema de propinas no Senado, junto com o senador Romeu Tuma.

O senador Heraclio Fortes poderia estar preocupado com o caso de corrupção do Zoghibi, tentando esconder sem envolvimento.

Já o senador Jayme Campos poderia estar às voltas com o que viria a ser denunciado como sua participação no inquérito sobre sanguessugas.

O senador José Agripino poderia estar em contato com empreiteiras, segundo acusações de doações “por fora” de que foi objeto.

A senadora Katia Abreu poderia estar manifestando seu apoio aos escravagistas do Pará.
A senadora Maria do Carlo Alves poderia estar envolvida com o que se configurou depois como acusações de caixa dois.

Já o senador Jarbas Vasconcelos poderia estar gozando dos 17,3 mil reais mensais desde 1992, sem trabalhar.

O senador Pedro Simon poderia estar tomando a mesma atitude que tomaria diante da corrupção do governo de Yeda Crusius: silêncio total.

O senador Geraldo Mesquita poderia estar utilizando os salários que os seus funcionários lhe acusam de que lhes roubou.

O senador Mão Santa poderia estar ocupado em algum contato com Camargo Correa, da qual foi acusado de receber propinas.

O senador Romeu Tuma poderia estar preocupado com aquilo de que mais tarde foi acusado, de participação em esquema do Senado.

O senador Mozarildo Cavalcanti poderia estar ocupado em atividades que mais tarde seriam denunciadas como crimes contra a administração pública.

Poderiam os senadores que convocaram a CPI estar ocupados nisso. Mas o certo é que estavam centralmente ocupados em apoiar o governo que tentou privatizar a Petrobras, que fez um balão de ensaio no dia 26 de dezembro de 2000, teve que recuar, e agora tenta voltar à carga, no momento em que se discute a nova regulamentação da exploração do petróleo e todo o processo do pré-sal. Une suas atuações um profundo sentimento de desprezo pelo que é brasileiro, pela que a Petrobras representou e representa para o país.

Por isso precisam ser repudiados, na mesma lista dos políticos que resistiram à fundação da Petrobras, aos que quebraram o monopólio do petróleo e aos que desprezam o que representa a Petrobras para o Brasil. Defender hoje a Petrobras é defender o Brasil, de hoje e de amanhã.

Todas as informações acima estão disponíveis na internet, nos endereços abaixo e em outros:
http://www.fabiocampana.com.br/2008/08/professores-param-no-dia-29-para-lembrar-cavalaria-de-alvaro-dias
http://democraciapolitica.blogspot.com/2008/04/o-dossi-tucano-para-ser.html
http://www.stf.jus.br/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=4216&classe=Pet&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
http//alainet.org/active/21674&Lang=es
http://www.midiandependente.org/pt/blue/2004/10/292415.shtml
http://www.institutobrasilverdade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2010&Itemid=67
http://www.jusbrail.com.br/1063687/stf-desmembra-inquerito-do-mensalao-mineiro/relacionadas;jsessionid=41E291D0ABA0E476D62380FA4316E7
http://www.interney.net/blogs/inagaki=2008/11¹15diga_nao_ao_projeto_do_senador_azeredo_d/
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac345516,0.html
http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/eleitoral/caixa-dois-mpe-go-pede-a-cassacao-de-marconi-perillo/
http://brasildacorrupcao.blogspot.com/2009/04/tasso-jereissati-aviao-fretado-com.html
http//:veja.abril.com/noticias/Brasil/senador-mantinha-52-funcionarios-fantasmas-470762.shtml
http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=27940
http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/criminal/sanguessuga-inquerito-sobre-senador-de-mato-grosso-e-enviado-ao-stf/
http://revistaepoca.globo.com/Revista/EpocaQo,,EMI65568-15223,00-PSDB+DEM+E+FIESP+NOS+PAPEIS+DA+CAMARGO+CORREA,html
http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2007/07/06/e-katia-abreu-continua-indo-contra-o-combate-a-escravidão
http://www.cinforme.com.br/noticias/1294
http://oglobo.com/pais/mat/2009/03/03/em-discurso-inflamado-no-plenario-da-camara-silvio-costa-chama-jarbas-de-maraja-parasita-do-dinheiro-publico-754669548.asp
http://julidaluz.blogspot.com/2008/09/geografia-moral-do-senador-pedro-simon.html
http://pt.wiki/Senador_brasileiro_acusado_de_mensalinho_anuncia_desfilia%C3&percent;A7percent;C3percent;A3o_de_partido
http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/03/29/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=93684/noticia_interna.shtml
http://www.novojornal.com/politica_noticia.php?codigo_noticia=9722
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.aps?numero=2595&classe=Inq&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=O&tipoJulgamento=M

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hoje é o Dia da Cachaça!


Tire o cálice da estante e brinde o dia da Cachaça

O requinte vai além, com museu próprio e os especialistas cachaçólogos
Da mesma maneira que os vinhos, a cachaça pede um paladar cada vez mais apurado para ser degustada e conta, inclusive, com dia de homenagem: em 21 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Cachaça. Muito mais do que aperitivo, a bebida já aparece como acompanhante de muitos pratos e, para que isso aconteça de forma saborosa, o conhecimento dos ingredientes é necessário.

"Quando se toma uma cachaça, é preciso observar a 'agressividade', a acidez, o sabor alcoólico inicial e residual", afirma o mestre cachaceiro- Delfino Golfetto, que dirige a maior rede de cachaçarias do mundo - a Água Doce Cachaçaria. Segundo ele, a doçura também deve ser observada: é positiva se ela for resultante dos compostos doces do próprio produto e do método de armazenamento (quando também recebe açúcares provenientes da madeira na qual a cachaça é armazenada). É negativa quando é resultante da adição de sacarose. "Muitas vezes, o açúcar mascara sabores ruins", diz o especialista.

A bebida, que hoje é sofisticada e aparece como o terceiro destilado mais consumido em todo o mundo (superado apenas pela vodca e pelo soju coreano), faz parte da Historia do Brasil, desde os anos 1500. Naquela época, a produção era realizada de forma clandestina pelos escravos (os senhores de engenho preferiam a bagaceira, destilado alcoólico feito com restos da fermentação do vinho).

Após a fermentação do melaço e a destilação do produto em alambiques improvisados, seguindo a técnica usada pelos portugueses para a produção da bagaceira, foi criada a primeira aguardente brasileira. A menção mais antiga à palavra cachaça é de 1640, época em que Maurício de Nassau governou os domínios holandeses no Nordeste (1637-1644).

Sobre a origem do termo cachaça, há muitas explicações. Uma delas diz que tudo começou com o vocábulo ibérico cachaza, que nomeava um tipo de vinho barato muito consumido em Portugal e na Espanha. Outra hipótese é que a palavra designava a fêmea do cachaço, um porco selvagem cujas carnes duras eram amaciadas com a aguardente.


Delfino Golfetto ensina você a reconhecer uma boa cachaça

- Uma boa cachaça é límpida, transparente e sem resíduos

- O aroma deve ser agradável e dar vontade de continuar cheirando, além de despertar a vontade de saborear

- A boa cachaça deixa no copo uma oleosidade que escorre lentamente. É por isso que o cálice deve liso, transparente e de boca larga. A bebida queima agradavelmente na boca, descendo de modo suave pela garganta

- No processo de degustação de várias cachaças de gradação alcoólica diferentes é importante tomar água mineral gasosa e comer pedaços de pão puro

- Para degustar uma dose, o 'cachaçólogo' demora de 15 a 20 minutos. Um coquetel e uma batida requerem de 20 a 30 minutos

- Alguns degustadores costumam agitar a garrafa para verificar a quantidade de bolhas que se formam. Quanto maior o número de bolhas, melhor a qualidade da bebida.

- A cachaça de qualidade precisa ficar armazenada por, no mínimo, dois anos numa boa madeira. Se ficar acima de oito anos, vira produto nobre e ganha status.

Melhore a digestão
A cachaça é um ótimo digestivo, por isso o costume de degustá-la antes das refeições, como aperitivo, e depois delas, para colaborar na digestão.

Museu da cachaça
Toda a história da bebida pode ser conhecida no Museu da Cachaça, idealizado e mantido pela Água Doce Cachaçaria em Tupã, cidade do interior de São Paulo. O museu apresenta a história da cachaça,fotos, reportagens e mais de 2 mil garrafas, além de peças de engenho usadas antigamente na produção.

Museu da Cachaça
Rua Nhambiquaras, 385 - Vila Aviação - Tupã - SP
Telefones: (14) 3441-2321 / 3441-4337

UNE realiza encontro nacional de estudantes negros(as) e cotistas


UNE realiza encontro nacional de estudantes negros(as) e cotistas
Enviado pelo diretor de combate ao racismo da UNE, Miguel Cruz Carvalho.

Um espaço privilegiado de debate e convergência sobre os impactos da adoção de Políticas de Ações Afirmativas para a população afrodescendente no ensino superior brasileiro. Assim pode ser definido o Encontro Nacional de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE, que reunirá jovens de diversas regiões do país durante os dias 05 e 07 de junho na Faculdade de Arquitetura da UFBA em Salvador.

O ENUNE 2009 terá mesas de debate, palestras, oficinas e atividades culturais para tratar de temas como Reserva de vagas, cotas, permanência, descolonização do conhecimento, entre outros. O Movimento Estudantil tem como responsabilidade pautar na agenda política brasileira esta que é talvez a mais antiga e grave nuance da questão social do Brasil – o racismo. As ações de combate ao racismo precisam ser acompanhadas de uma série de outras medidas universalizantes para reformarem a educação secundária e universitária.

Colocar o debate racial na pauta central das discussões sobre educação é uma das tarefas de todas e todos que acreditam na transformação através de Políticas Afirmativas para um novo Brasil!

Obtenha informações sobre programação, alojamento e inscrições através do blog www.unecombateaoracismo.blogspot.com ou entre em contato através do email enune2009@gmail.com.

Faça a sua inscrição Online no www.unecombateaoracismo.blogspot.com. Informações em: (71) 87481498 e (71) 92843074.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lá se vai Benedetti, boa praça, boa gente


Lá se vai Benedetti, boa praça, boa gente

O poeta e dirigente político uruguaio Mario Benedetti despediu-se da vida neste domingo. Perde a literatura, perde a humanidade, mas seu humor tranquilo e muitas vezes mordaz permanece na herança de seus escritos, expressão sensível e eloquente da consciência avançada da América Latina.


Por José Carlos Ruy


''Que a morte perca sua asquerosa e brutal pontalidade''

A literatura ficou de luto neste domingo (17): o grande poeta uruguaio Mario Benedetti deixou de viver. Ele tinha 88 anos de idade e deixa um legado de mais de 80 romances, ensarios, contos e principalmente poemas que fazem parte da mais elevada expressão do sentimento humano nesta parte do mundo e que registram a crença, como ele dizia, ''na vida e no amor, na ética e em todas essas coisas tão fora de moda''.



Mario Benedetti referiu-se a seu pai, na dedicatória do romance Primavera num espelho partido, que ele fora ''boa gente''. Os poemas de Benedetti dão ao leitor a impressão de que ele próprio podia ser definido assim, como ''boa gente''.



Militante e dirigente de esquerda (em 1971 ele foi um dos fundadores do Movimento 26 de Março, marxista leninista, expressão política do Movimento de Libertação Nacional - Tupamaros), seus escritos oscilaram sempre entre um lirismo tocante e um compromisso social permanentemente reafirmado; muitas vezes, conseguiu a habilidade de unir estas duas dimensões, a lírica e a social, em poemas como este, escrito quando Che Guevara foi morto na Bolívia:



donde estés
se es que estás
si estás llegando
será una pena que no exista Dios



mas habrá otros
claro que habrá otros
dignos de recibirte
comandante
(do poema Consternados, rabiosos, 1967)



ou



Quizá mi única noción de patria
sea esta urgencia de decir Nosotros
quizá mi única noción de patria
sea este regreso al própro desconcierto
(do poema Noción de patria)



ou



los obreros no estaban en los poemas
pero a menudo estavan en las calles
con su rojo proyecto y con su puño
sus alpargatas e su humor de lija
y su beligerancia su paz y su paciencia
sus cojones de clase
qué clase de cojones
sus ollas populares
su modestia e sy orgullo
que son casi lo mismo
(do poema Los espejos las sombras, 1976)



ou



Compañera
usted sabe
que pude contar
conmigo
no hasta dos
o hasta diez
sino contar
conmigo
(do poema Hagamos un trato)



São textos que exprimem uma experiência de vida intensa e rica, que se desdobrou em inúmeras atividades para ganhar a vida (empregado de uma oficina, taquígrafo, caixa, vendedor, contador, funcionário público, tradutor e jornalista, antes viver somente de literatura), e muitas vezes a amarga paciência do exílio. Seus poemas, disse o escritor argentino Pedro Orgambide na introdução a uma antologia, ''são o inventário de um homem de aparência simples, de gesto e voz medida, de um próximo, um 'fulano' que fala de amor'', de ''mulheres nuas, e leva às pessoas sua palavra despojada de solenidade'', perseverando em ''seu ofício de poeta que não é outra coisa senão seu ofício de viver.''



Militante desde a década de 1940 da luta pela paz, foi um incansável crítico do imperialismo dos EUA. Foi um dos fundadores e diretor, entre 1968 e 1971, do Centro de Pesquisas Literárias da Casa de las Américas, em Havana (Cuba). Em 1971, ano de fundação do Movimento 26 de Março, foi nomeado diretor do Departamento de Literatura Hispanoamericana na Faculdade de Humanidades e Ciencias da Universidade da República, de Montevidéu, cargo que manteve até 27 de Junho de 1973, quando um golpe de estado iniciou a ditadura militar no Uruguai. Em consequência, Benedetti renunciou ao cargo na Universidade. Exilou-se na Argentina, Peru e, em 1976, em Cuba. Só voltou ao Uruguai em 1983, depois do fim da ditadura.



No poema Digamos, ele escreveu



1.
Ayer fue yesterday
para buenos colonos
mas por fortuna nuestro
mañana no es tomorrow



2.
Tengo un mañana que es mio
y un mañana que es de todos
el mio acaba mañana
pero sobrevive el otro



No último domingo, o amanhã de Benedetti acabou, mas - como ele sempre soube - sobrevive em todos nós, os outros.



* José Carlos Ruy é jornalista e editor do jornal A Classe Operária

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A BÍBLIA NÃO TEM INSPIRAÇÃO DIVINA.


A BÍBLIA NÃO TEM INSPIRAÇÃO DIVINA.

Em entrevista a ÉPOCA, Bart Ehrman, professor de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte, fala sobre seu novo livro, no qual debate as contradições dos evangelhos
José Antonio Lima


POLÊMICA
Ehrman afirma que apenas oito dos 27 livros no Novo Testamento foram escritos pelos autores aos quais são atribuídosO americano Bart Ehrman cresceu em uma família religiosa e, quando adolescente, havia se tornado um evangélico fervoroso. O interesse pela Bíblia e por sua história o acompanhou a vida toda e hoje, após 35 anos de estudo, diz ter abandonado o Cristianismo por não acreditar que Deus poderia estar no “comando de um mundo cheio de dor e sofrimento”. Professor de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Ehrman já escreveu 21 livros sobre religião, incluindo Verdade e Ficção em O Código Da Vinci, sobre o best-seller de Dan Brown, e O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? – Quem mudou a Bíblia e por quê, que figurou entre os mais vendidos na lista do jornal The New York Times. Agora, em Jesus, Interrupted (ainda sem tradução), que será lançado no Brasil no segundo semestre, Ehrman tenta revelar as contradições da Bíblia, que provam, segundo ele, que o livro não foi enviado à humanidade por Deus.

ÉPOCA – De um tempo para cá temos visto um crescimento do número de títulos com críticas às religiões. O que está motivando os leitores?
Bart Ehrman – Há uma reação contra a direita conservadora do mundo religioso. Aqui nos Estados Unidos há vários líderes desse tipo que tiveram muita atenção da mídia por muito tempo, e as pessoas que estão do lado esquerdo deste espectro começaram a se incomodar. Muitos desses livros escritos por essas pessoas chamadas de "neo-ateístas" são uma representação deste movimento.

ÉPOCA – Alguns dos principais representantes do "neo-ateísmo" são Sam Harris e Richard Dawkins. Em um artigo recente da revista Time, o senhor reconheceu que compartilha leitores com eles. Mas o senhor se considera parte deste movimento?
Ehrman – Não me considero um ateu e não acho que estou fazendo a mesma coisa que esses autores. Eles têm feito coisas boas, mas estão atacando a religião sem conhecer muito. Quando eu escrevo, faço isso como alguém que já esteve profundamente envolvido com a Cristandade, mas que agora a rejeitou. Por isso, a minha perspectiva é completamente diferente.

ÉPOCA – O que fez o senhor passar de um fiel cristão a um “agnóstico feliz”?
Ehrman – Fui criado na Igreja Protestante e fui um cristão muito ativo por vários anos. Mas eu deixei a cristandade não por conta dos meus estudos históricos sobre a Bíblia, mas por não conseguir mais acreditar que poderia haver um deus no comando deste mundo cheio de dor e sofrimento.

"A Igreja acabou juntando duas visões, de que Jesus é humano e divino, e criou um conceito que não está escrito nem [no evangelho] de João e nem no de Mateus"

ÉPOCA – Qual é o motivo de o livro se chamar Jesus, Interrupted [em tradução livre: Jesus, interrompido]? Quando e como ele foi interrompido?
Ehrman – O título significa que há inúmeras vozes diferentes falando no Novo Testamento. São autores diferentes, que possuem pontos de vista diferentes e que, muitas vezes, são conflitantes. Com tantas vozes assim falando no mesmo livro, muitas vezes é impossível escutar a voz do Jesus histórico, porque ele foi interrompido por outras pessoas.

ÉPOCA – E é possível definir qual é a maior contradição da Bíblia?
Ehrman – São muitas discrepâncias, mas é possível destacar duas. O apóstolo Paulo, por exemplo, acha que a pessoa chega a Deus apenas pela fé, e não pelo que faz. No capítulo 24 de Mateus, no entanto, nós lemos que boas ações levam ao reino dos céus. Essas duas visões são excludentes em um assunto determinante, que é a salvação. Também há visões diferentes sobre quem era Jesus. No evangelho de João, Jesus é Deus, mas nos textos atribuídos a Marcos, Mateus e Lucas não há nada sobre isso. No evangelho de Mateus fica claro que ele acredita que Jesus é um ser humano, e que é o Messias. A Igreja acabou juntando essas duas visões, de que ele é humano e divino, e criou um conceito que não está escrito nem em João e nem em Mateus.

ÉPOCA – O senhor acha que essas discrepâncias fazem da Bíblia uma história falsa?
Ehrman – Eu diria que os diferentes autores da Bíblia tem versões diferentes da história e por isso é errado tentar fazer com que eles digam a mesma coisa. Há muitos erros na Bíblia e, mais importante que isso, há diferentes pontos de vista teológicos e isso precisa ser reconhecido.

"Na tradição católica a fé nunca foi sobre a Bíblia, mas sobre os ensinamentos da Igreja e sobre acreditar que Jesus é o filho de Deus"

ÉPOCA – Desde quando a Bíblia começou a ser questionada? De que maneira isso enfraquece a Cristandade?
Ehrman – As pessoas só começaram a notar essas diferenças na época do Iluminismo, no século XVIII. Antes disso, os estudioso da Bíblia eram teologicamente comprometidos com ela e não imaginavam que poderia haver erros. Essas descobertas são problemáticas especialmente para quem acredita que a Bíblia foi entregue a nós diretamente por Deus. Se isso ocorreu, por que não temos a Bíblia original? Por que temos apenas manuscritos escritos mais tarde e que não são iguais? Essas diferenças mostram que não existe um livro com inspiração divina que foi entregue a nós.

ÉPOCA – E como isso afeta especificamente a Igreja Católica?
Ehrman – Existem estudiosos na Igreja Católica que concordam com quase tudo o que está escrito em Jesus, Interrupted. Mas na tradição católica a fé nunca foi sobre a Bíblia, mas sobre os ensinamentos da Igreja e sobre acreditar que Jesus é o filho de Deus. E isso não muda se a pessoa perceber ou não os erros da Bíblia. É bem diferente do fundamentalismo cristão que é tão poderoso onde eu vivo, no sul dos Estados Unidos. Aqui as pessoas acham que você só poder ser cristão se acreditar totalmente na Bíblia.

ÉPOCA – Alguns críticos do seu trabalho, especialmente o líder evangélico James White, dizem que você quer destruir a fé cristã. O que você acha disso?
Ehrman – Estou tentando destruir o tipo de fé cristã de James White! (risos). Mas na verdade nada que eu faça pode destruir o Cristianismo. O problema é que há um certo tipo de fé cristã que diz que a Bíblia não tem erros e é infalível, e eu não concordo com isso. Eu não sou o único que pensa assim. As opiniões que estão descritas no meu livro são as mesmas da maioria dos estudiosos da Bíblia há muitas e muitas décadas, mas eles não costumam falar disso em público. Meu livro apenas pega o que os estudiosos dizem há muito tempo e torna disponível para os leitores normais.

ÉPOCA – Você recebeu muitas críticas de leitores por conta do livro?
Ehrman – Recebi e-mails de pessoas bravas e sei que na internet há muita gente contrariada. Dizem que quero destruir sua fé, que sou o anti-Cristo. Mas a maior parte dos que escreve ficou grata pelo livro e feliz por eu ter dito essas coisas, já que suspeitavam desses erros, mas não tinham base teológica para questionar a Bíblia.[i]

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI72106-15220,00-A+BIBLIA+NAO+TEM+INSPIRACAO+DIVINA.html

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Em abril o Olodum comemorou 30 anos!


Olodum 30 anos: Por uma cultura africana não colonizada

Quando o Olodum foi fundado, no dia 25 de abril de 1979, o Pelourinho era reduto de marginalidade e prostituição, e as únicas metas do bloco eram chamar a atenção para a degradação do centro histórico de Salvador e divulgar a música, a dança e os costumes africanos. "Ao contrário da maioria dos blocos de Salvador, que veem apenas o lado comercial em seus desfiles, o Olodum leva para as ruas da cidade uma história de luta contra o preconceito e a injustiça sociais", diz a médica mineira Cinara Rodrigues, que desde 2001 desfila com o grupo.

Em 1979, o bloco-afro Olodum nasceu no coração do centro histórico de Salvador, o Pelourinho. Segundo Nelson Mendes, diretor cultural, o objetivo era celebrar a cultura africana no carnaval baiano. "Isto significou o renascimento do Pelourinho, que estava completamente abandonado pelos órgãos públicos".

- O Olodum foi o principal divulgador do Pelourinho, não só internacionalmente, com pressões para a restauração do bairro, mas também por atrair as atenções regionais para o bairro.

Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro do Brasil. Surgiu em 1974 com o mesmo propósito: discutir a cultura africana e racial. "Esta é a semelhança entre nós", diz Nelson. E acrescenta que "grandes blocos afros valorizam a cultura africana e lutam contra o preconceito racial".

Pós-carnaval, Olodum desenvolveu seminários e exibições de filmes. As ações eram voltadas para a comunidade afro-descendente. Isto fez com que o Olodum se aproximasse do movimento negro e se transformasse em uma ONG.

"Nos denominamos afro-brasileiros por sermos descendentes africanos nascidos no Brasil", explica o diretor cultural. E acrescenta, mais do que depressa, que "queremos mostrar uma cultura africana não colonizada".

O grupo criador do samba-regae, adotado por vários compositores, faz um trabalho basilado em três pilares: "música, cultura e educação". Nelson pede para atentarmos ao fato de os trabalhos serem feitos sempre com jovens de baixa renda que "podem encontrar no Olodum uma saída", acrescenta.

Como nem tudo são batuques, "temos problemas financeiros", lamenta o diretor. "O dinheiro oscila, ora temos apoio do governo, ora não. Vendemos camisetas e outras coisas, mas a arrecadação flutua. Mas vamos administrando...".

As comemorações pelos 30 anos do Olodum foram intensas. além de festas, tiveram debates e palestras com personalidades negras de todo o mundo. E ainda continua com a turnê, que tem como nome provisório "Samba-Reggae".

Como presente, o Olodum ganhou o direito de posse do prédio por ele ocupado na Rua Laranjeiras no Pelourinho desde 1990, mediante Termo de Permissão de Uso, para atividades de cunho social. Na ocasião, diversos vereadores, de variados partidos, fizeram questão de se pronunciar parabenizando o Olodum pela conquista, já que era uma antiga reivindicação do grupo.

E no Dia 27 de abril, a Câmara Municipal de Salvador homenageou, em sessão especial, os 30 anos do Olodum.