quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nossa Apresentação de Samba de Gafieira!

Caros e Caras,

Sábado passado estivemos no Festival de Dança do DF e Entorno, foi realizado em Taguatinga. Nossa turma de gafieira, do estúdio de dança André Barcellos, fez uma pequena apresentação. Diga-se de passagem era a única que mesclava alunos e instrutores. Enfim, depois de muito ensaio chegamos lá e cumprimos nossa meta!!!

Fica aí o vídeo pra vcs verem. Antes que me perguntem, eu estou atrás no canto esquerdo da tela.

To tentando colocar o vídeo do you tube aqui, mas não to conseguindo. Por isso, coloco tb o link direto pro vídeo no You Tube!

http://www.youtube.com/watch?v=r0VSASAZ0B8

A Comunicação precisa de mais vozes

Hoje no blog publico o chamado enviado pelo nosso colunista Marcelo Arruda. Neste momento em que o país se prepara pra 1a Conferência Nacional de Comunicação todos e todas devem participar e mobilizar para enfrentarmos o monopólio das comunicações no Brasil.

Fica aí o texto!



A Comunicação precisa de mais vozes

Um convite coletivo a indivíduos, grupos e movimentos sociais

A Comunicação livre, alternativa e independente é uma necessidade para o desenvolvimento social e tecnológico das nações pois permite a participação em processos políticos e estimula o surgimento de novos instrumentos para aproximar grupos e indivíduos. Ela também é indispensável para a vida em sociedade, por meio da qual podemos trocar conteúdos, idéias, fazer planejamentos e promover simples conversas.

Contudo, os países mais desenvolvidos economicamente, ao longo da história, deram à Comunicação um papel meramente comercial e as corporações assumiram o papel de produtores para o público considerado como uma grande "massa passiva", seja por meio do rádio, TV e, recentemente, pela internet. O intuito principal dessa estratégia é promover a venda de produtos, idéias (conceitos, estilos, padrões) ou marcas em troca de retornos lucrativos. Nessa lógica, poucas famílias e empresas, com grandes recursos financeiros ou influência política, se apoderaram dos principais meios de Comunicação, restringindo-os a seus interesses particulares.

A Comunicação é um direito de todxs, exercido diariamente a partir das relações interpessoais e sociais, e que deve ser garantido. Esse direito não serve apenas para proporcionar o diálogo, mas também contribui para reivindicar e assegurar outros direitos básicos como a saúde, educação, alimentação e moradia. O acesso à informação, gerado pela Comunicação, permite fiscalizar as ações do governo. Produções audiovisual, impressa e online servem como mecanismo de denúncia e cobrança do poder público.


Para garantir a participação plural na Comunicação e o acesso a direitos humanos faz-se necessária, contudo, a modificação das estruturas de acesso aos meios de Comunicação atuais. Deve ser permitido que mais pessoas possam produzir conteúdos. A lógica de que somos apenas receptores precisa ser quebrada, pois essa visão é totalmente desconexa com o novo período que vivemos: da interatividade e convergência das mídias, e das áreas do conhecimento.

No Brasil, os principais espaços formais de Comunicação como o Rádio e a TV abertos também são restritos aos interesses de poucos. São eles, inclusive, que influenciam o desenvolvimento de políticas públicas no país e contribuem para a ausência de uma política nacional de Comunicação coerente com os princípios constitucionais de valorização da cultura e regionalização do conteúdo. Apesar desse cenário negativo, movimentos sociais de comunicação e de outras lutas se juntaram para reivindicar uma participação mais efetiva da sociedade na Comunicação brasileira. Graças a esse árduo esforço, recentemente o Governo Federal anunciou a realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em dezembro de 2009.

A Conferência será voltada para o debate e consolidação de diretrizes que orientarão o rumo da Comunicação do Brasil. Mas só a realização da Conferência não basta. Para que o processo seja efetivo, é preciso que a sociedade se mobilize e ocupe todos os fóruns possíveis de discussão. Vale lembrar que há interesse dos controladores da “grande mídia” em manter o cenário atual ou restringi-lo ainda mais. Dessa forma, mais movimentos sociais, grupos e indivíduos podem dar suas contribuições (de acordo com seu perfil de mobilização), para que a democracia prevaleça na Conferência.

Atualmente, existem vários movimentos e coletivos em prol do direito à Comunicação. No nosso campo de atuação, podemos destacar alguns desses coletivos:

- O Projeto de Extensão Comunicação Comunitária, que visa integrar os estudantes da UnB (de Comunicação ou não) com a sociedade, estimula produções comunitárias, além de construir um vínculo entre teoria e prática e entre conhecimento acadêmico e cidadania.

- O Projeto de Extensão SOS Imprensa, constituído por estudantes universitários, estimula a leitura crítica dos meios de Comunicação, baseados em princípios de cidadania e direitos à Comunicação, fiscaliza os abusos por parte da imprensa. O projeto busca também a criação de alternativas comunicacionais pautadas em estudos de políticas de Comunicação e em práticas já existentes de meios autônomos de Comunicação.

- O Projeto Dissonante (faça-rádio-web-você-mesmx) foi pensado no intuito de estabelecer um espaço virtual por meio da internet para que qualquer indivídux ou coletivo pudesse criar e manter uma rádio web livre, sem fins lucrativos, que respeite os direitos humanos, estimule a produção e a pluralidade da Comunicação.

- A Executiva Nacional dxs Estudantes de Comunicação (Enecos) atua na realização de grandes eventos regionais e estaduais, a fim de possibilitar espaços onde xs estudantes de Comunicação possam discutir, trocar experiências e criar alternativas de pensamentos e ações no campo da Comunicação.

- A rádio livre com princípios comunitários Ralacoco se afirma como um espaço experimental por meio do qual todxs podem apresentar programas, aprendendo, na prática, tanto as questões técnicas de operação de uma emissora quanto os princípios de uma Comunicação democrática.

- O Diretório Central dos Estudantes da UnB busca, nessa atual gestão e também o fez na gestão anterior, manter informados os estudantes da UnB sobre as atividades promovidas pela entidade e por outros grupos, a valorização de espaços de divulgação e discussão horizontal como listas de e-mail e trabalha em parceria com outros grupos na discussão sobre a construção da Conferência de Comunicação, na Universidade de Brasília.

É também notável que todos os grupos/entidades relatados estão participando das Comissões Nacionais e Estaduais Pró-Conferência. Perguntamos, então, como mais coletivos, movimentos e indivíduxs podem ajudar na construção da Conferência Nacional de Comunicação? Um caminho é começar com a prática da Comunicação no cotidiano, seja em blogs, programas de rádio, manifestações artísticas ou produções audiovisuais independentes. E também ao participar das Comissões Estaduais Pró-Conferência, levando o debate para o cotidiano de sua comunidade. Para que a Conferência seja de fato participativa ela deve ser, antes de tudo, constituída de pessoas com vontade de transformação social.

Procure se informar quando e onde ocorrem as reuniões das Comissões Estaduais Pró-Conferência. Entre também no site da Comissão Nacional Pró Conferencia em www.proconferencia.com.br e envie e-mail para proconferencia.com@gmail.com para saber mais informações, contatos e conteúdos.

Esse é um convite construído colaborativamente pelos seguintes grupos:

Projeto de Extensão Comunicação Comunitária - COMCOM/UnB
www.unb.br/fac/comcom

Projeto Dissonante - faça-rádio-web-você-mesmx
www.dissonante.org

Executiva Nacional dxs Estudantes de Comunicação - ENECOS
www.enecos.org.br

Rádio Ralacoco - livre com princípios comunitários
ralacoco.blogspot.com

Projeto SOS Imprensa
www.unbr.br/fac/sos

Diretório Central dos Estudantes da UnB
www.dce.unb.br

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um pequeno verso da Minha Mãe!


Caros e Caras,

Antes de qualquer coisa queria me desculpar com nosso assíduos leitores pela ausência de textos próprios aqui no Blog. A inspiração está baixa, mas prometo enfrentá-la. e digo assíduos pq a média de visita permanece a mesma, mas o índice de novos visitantes caiu muito. Enfim, fico feliz com leitores fiéis.

O tema de hoje vai ser mais uma lembrança da minha mãe. Essa semana senti muito forte sua ausência. Vi e revi fotos, lembranças e momentos juntos. Deu uma vontade incontrolável de encontra-la, infelizmente isso não é mais possível.

Mas se encontrar não é possível, me dediquei muito em lembrar das coisas que falava, dos ensinamentos e de sua coragem de viver enfrentando desafios. Grande Guerreira...

Ela tinha um grande número de poemas escrito. Que seus amigos e amigas estavam tentando organizar e por isso cedi os originais para eles. Pouca coisa ficou aqui comigo, somente alguns em digital. Deve ter muito coisa produzida que nem eu sei onde deve estar, mas ela conseguiu muito se expressar através da poesia. Coisa bem profunda ou apenas pequenos versos.

Na sua lembrança da missa de sétimo dia escolhemos um pequeno verso dela que falava de saudade, de ausência e lembrança. Justamente que senti essa semana e por isso trago hoje esse poema:

Basta!

Aqui Longe...
Basta uma gota...
Uma borboleta azul...
uma saudade...
e uma canção pra lembrar...

Angela Barbosa
02/05/2007

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre a Oficina de Movimento Estudantil na Semana Política - Unb

Ontem, terça, fui chamado pra fazer uma oficina sobre movimento estudantil na Semana Política da UnB, promovida por várias entidades do curso de Ciência Política. Sempre bom voltar as origens... Gostei de falar sobre um tema que já falei muito, num curso que tenho grande carinho e no auditório que já fiz tanta coisa.

Apesar da matéria não ter ficado muito boa, vou reproduzi-la aqui pra registrar esse momento!!


SEMANA POLÍTICA - 26/05/2009

Movimento estudantil sofre com desmobilização

Para Rafael Moraes, militante desde 2001, modelo de funcionamento das agremiações não permite a continuidade de projetos e debates
Camila Rabelo - Da Secretaria de Comunicação da UnB


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O movimento estudantil sofre com a desmobilização e a perda de legitimidade, segundo o cientista político Rafael Moraes. Militante desde 2001, ele lembra que a última grande mobilização nas ruas foi em 1992 com os “caras pintadas” a favor do impeachment do presidente Fernando Collor. Certo de que não faltam temas para protesto e reivindicação, Moraes, que esteve na vice-presidência da União Nacional dos Estudantes entre 2003 e 2005, acredita que as entidades precisam inovar suas estruturas.

“A estrutura de funcionamento do movimento estudantil, marcado por assembléias, conselhos e direção, remonta à década de 1950, não houve inovação", critica Moraes, que começou sua trajetória no movimento quando era estudante da Universidade de Brasília. Em 2001, ele foi coordenador do Centro Acadêmico de Ciência Política e, no ano seguinte, integrou a gestão do DCE na instituição.

O cientista político de 30 anos, hoje filiado ao PT e empresário imobiliário, contou sua experiência no movimento estudantil a uma platéia de cerca de 40 alunos na manhã de terça-feira, 25 de maio. A palestra abriu a Semana Política, organizada pelo CA, PET e empresa júnior do curso de Ciência Política. O encontro, com o tema Participação política e os caminhos da democracia no Brasil, vai até o dia 29.

SEM CONTINUIDADE - Para Moraes, conhecido também como Pops, a crise estrutural no movimento estudantil deve-se, sobretudo, ao enfraquecimento das entidades de base, os Centros Acadêmicos, e à descontinuidade característica do movimento. “A categoria estudante dura cinco ou seis anos no máximo, a renovação é muito grande. Acabamos refém da conjuntura, seja a greve dos professores ou a lixeira do reitor”, avalia.

Sem a participação ativa dos Centros Acadêmicos e do Conselho de Entidade de Base, CEB – que reúne todos os CAs – os grupos que lideram os DCEs acabam em gestões autônomas e individualistas. Reuniões fechadas e a falta de registro em atas das decisões e do histórico dos projetos dificultam avanços nos debates e a continuidade das propostas.

Recém-eleito coordenador-geral do DCE da UnB, Rafael Holanda está sentindo na pele a dificuldade de ter de começar tudo de novo. “Registro em ata e outros procedimentos democráticos fazem parte da construção da instituição. Com mais organização, poderíamos aprender com as gestões anteriores para acertar mais agora”, afirma. Segundo ele, a atual gestão quer fortalecer os CAs e a CEB para retomar o funcionamento mais sistemático e, ao mesmo tempo, chamar os jovens da UnB para participarem.

Durante a palestra, Moraes buscou incentivar os alunos da instituição a participarem das discussões políticas e a proporem um novo modelo para o movimento estudantil. “Vejo pouca ousadia na hora de mudar o funcionamento das entidades, precisamos pensar coisas novas”, disse.

sábado, 23 de maio de 2009

Um ano de uma nova juventude!


Um ano de uma nova juventude!

Neste dia 22 de maio completa um ano do início do I Congresso da Juventude do PT, que foi um marco na história da organização juvenil no Partido dos Trabalhadores. Foram 15 mil jovens reunidos na base e construindo um novo modelo de organização. Os debates foram intensos e problemas certamente tiveram, mas o salto organizativo é visto claramente depois de passado um ano de congresso.

Quando iniciamos a gestão em 2005, afirmávamos que “Na Falta de Céu Ninguém Voa”, ou seja, sem ter um mínimo de organização, de comprometimento e empenho a juventude do PT continuaria numa inércia de pouca mobilização e organização. Era preciso sacudir as estruturas, pensar um pouco pra dentro do partido, mas sem descuidar da disputa da sociedade, e se preciso enfrentar a direção!. Era um desafio grande e que nem sempre foi tranqüilo.

Da campanha de Lula em 2006 até o Congresso do PT em agosto de 2007 era uma incógnita qual seria o resultado das medidas estruturais propostas. Contudo, o grau de grande maturidade que deram todos os agrupamentos do PT conseguimos dar o primeiro passo para construção dessa novidade na vida do partido.

Essa novidade chamava I Congresso da JPT! Não foi fácil o congresso sair... Primeiro foi o desafio de aprovar a resolução, depois foi o desafio de organizar um congresso que reuniu 15 mil na base tendo na organização nacional somente 4 ou 5 militantes liberados pra isso, ainda tivemos as tensões normais entre as tendências no decorrer do processo, que era frágil, e por último o problema estrutural devido a ameaça da direção de não arcar com os custos. Contudo, cada uma dessas barreiras foi sendo superada... Quando lembro desse pré-congresso penso muito no dia 19 de maio, neste dia tínhamos uma grande indecisão do congresso. Sem ônibus para o deslocamento dos delegados eleitos estávamos a um passo de remarcar o congresso. Era uma sensação de ter ido tão longe e morrer na praia. Certamente isso teria sido traumático!

Mas o Congresso saiu! Foram decisivos os funcionários do PT, que deram o sangue pro sucesso do congresso. Todos os dirigentes de juventude das tendências e alguns dirigentes nacionais do partido. Foram muitas idéias e resoluções aprovadas. Com maior ou menor apoio. Foi uma eleição em 2º turnos, onde o resultado sempre foi uma dúvida, e ainda tínhamos fraturas abertas nos estados que precisam ser cicatrizadas. Entre mortos e feridos todos se salvaram. De tudo, pra mim, o mais importante foi a aprovação da Caravana de Juventude... Idéia muito importante e prática política militante que o PT tinha abandonado e retomamos. Vejo que as caravanas voltaram ao cotidiano do partido, vejo vários estados fazendo caravanas de juventude. E ainda tenho percebido que outros setores também retomaram a idéia. Enfim, a juventude sempre será uma referência de idéias e práticas para manter o partido vivo.

Pois bem passado todos esses processos agora fica a lição para juventude, sua organização e mobilização dependem de sua atitude, de sua unidade interna, de sua maturidade e principalmente de mobilização coletiva. De nada adianta um só grupo se avocar como melhor pra juventude ou mesmo dizer que tem as melhores propostas pra nossa organização. Isso não basta, por mais que as idéias sejam boas, elas não serão executadas por todo partido. E se for assim não serve... As lições da história já nos deram muitas demonstrações disso. E certamente o que queremos é uma JPT forte e cada vez maior.

Termino dizendo que nestes dias minha memória retomou tudo como se tivesse sido ontem. Revivi a tensão, a emoção e a satisfação de ter contribuído com meu partido e de não ter passado meus anos de militância na juventude em vão. Serão tempos que não voltam mais e que não podemos nos prender no saudosismo. Mas será impossível ver uma Caravana da Juventude do PT, um ato da JPT ou mesmo uma bandeira da JPT sem lembrar daqueles 22 a 25 de maio de 2008 em Brasília!

Viva a JPT!

Rafael Moraes (Pops)
Secretário de Juventude do PT 2005/2008

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O dia em que a PETROBRAS deixou de ser BRASileira


O dia em que a PETROBRAS deixou de ser BRASileira

Publicado no blog do sociólogo Emir Sader e reproduzido no site da Carta Maior

Dia 26 de dezembro de 2000, um dia depois do Natal, o povo brasileiro foi surpreendido por mais uma medida antinacional do governo FHC. Coerente com a máxima de FHC de que “ia virar a página do getulismo no Brasil” – sem o que o neoliberalismo não seria possível – o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, anunciou que a empresa estava mudando seu nome comercial para PetroBrax. Segundo ele, o objetivo seria “unificar a marca e facilitar seu processo de internacionalização” (sic) (FSP, 27/12/2000). Afirmou ele que “a medida ganhou na semana passada o aval do presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Segundo Alexandre Machado, consultor da presidência da Petrobras, a operação custaria à empresa 50 milhões de dólares, para realizar um projeto da agência paulista de design Und SC Litda, “contratada sem licitação”, segundo o presidente da Petrobras. “Um dos argumentos favoráveis – relata a FSP – foi que o sufixo “bras” estaria, internamente, associado à ineficiência estatal.” “No front externo, um dos argumentos para a mudança da marca é de tirar a associação excessiva que o nome Petrobras tem com o Brasil . Segundo Norberto Chamma, diretor da Und, que apresentou a nova marca ontem para jornalistas, a desvinculação é importante para que a empresa não seja obrigada a arcar com os ônus dessa ligação.” (sic)

A direita subestimou a capacidade de resistência do povo brasileiro, submetido a tantas afrontas no governo tucano, que este pensou que ele estava anestesiado. (Uma coluna do próprio jornal FSP diz que o jornal subestimou a reação popular contra a medida.) Mas a operação durou apenas algumas horas. Apesar da tentativa de pegar o povo distraído pelo período entre Natal e Ano Novo, em dois dias o governo teve que retroceder da sua vergonhosa tentativa de preparar a maior empresa brasileira para “facilitar seu processo de internacionalização” – não há melhor confissão da intenção de privatizá-la, de que a venda de ações na Bolsa de Nova York foi um passo concreto. O país estava submetido à nova Carta de Intenções do FMI, depois da terceira vez que o governo tucano de FHC e de Serra havia quebrado nossa economia e havia indícios claros que a privatização da Petrobras, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil faziam parte das contrapartidas dos novos empréstimos que o FMI concedia ao governo de FHC.

26 de dezembro foi um dia da vergonha nacional, com essa tentativa fracassada de tirar o nome do Brasil da Petrobras, para tirar a Petrobras do Brasil. Sabemos que FHC estava totalmente de acordo. Seria bom saber onde andavam e que atitude tomaram os que agora dizem se preocupar com a Petrobras. Que posição teve, por exemplo, José Serra diante dessa ignominiosa atitude do governo a que ele pertenceu? E as empresas da mídia e seus funcionários colunistas

E que atitude tomaram os senadores, agora tão interessados nos destinos da Petrobras, ao subscrever o pedido da CPI, quando a existência mesma da empresa estava em jogo?
O senador Álvaro Dias talvez estivesse ocupado com a defesa dos processos por uso da cavalaria da PM contra professores ou preparando algum dossiê falso contra adversários políticos, ou tentando se defender das acusações de crime contra a administração pública, movidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Já o senador Artur Virgilio talvez estivesse tentando organizar sua defesa da acusação de envolvimento com prostituição infantil de que foi acusado ou preocupado em libertar o filho, preso por desacato e pornografia .

O senador Cícero Lucena talvez estivesse preocupado com o processo do Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e desvio de verba.

O senador Eduardo Azeredo, fundador do mensalão mineiro, poderia estar preparando já seu projeto de lei que quer censurar a internet.

O senador Flexa Ribeiro talvez estivesse às voltas com o que depois foi revelado como sendo a inclusão do seu nome na “folha de pagamento” das empreiteiras.

Já o senador Marconi Perillo poderia estar preocupando-se pelo que o Ministério Publico Federal encontraria como irregularidades em seu governo, pedindo sua cassação.

O senador Tasso Jereissatti poderia estar às voltas com viagens em um do seus jatinhos, por conta das verbas do Senado, que ele consideraria “legais”.

O senador Efraim Morais poderia estar ocupado com a nomeação de algum dos seus 52 parentes que tem no seu gabinete.

Ou com a investigação do Ministério Público Federal sobre o que, uma vez apurado, se tornaria seu envolvimento em esquema de propinas no Senado, junto com o senador Romeu Tuma.

O senador Heraclio Fortes poderia estar preocupado com o caso de corrupção do Zoghibi, tentando esconder sem envolvimento.

Já o senador Jayme Campos poderia estar às voltas com o que viria a ser denunciado como sua participação no inquérito sobre sanguessugas.

O senador José Agripino poderia estar em contato com empreiteiras, segundo acusações de doações “por fora” de que foi objeto.

A senadora Katia Abreu poderia estar manifestando seu apoio aos escravagistas do Pará.
A senadora Maria do Carlo Alves poderia estar envolvida com o que se configurou depois como acusações de caixa dois.

Já o senador Jarbas Vasconcelos poderia estar gozando dos 17,3 mil reais mensais desde 1992, sem trabalhar.

O senador Pedro Simon poderia estar tomando a mesma atitude que tomaria diante da corrupção do governo de Yeda Crusius: silêncio total.

O senador Geraldo Mesquita poderia estar utilizando os salários que os seus funcionários lhe acusam de que lhes roubou.

O senador Mão Santa poderia estar ocupado em algum contato com Camargo Correa, da qual foi acusado de receber propinas.

O senador Romeu Tuma poderia estar preocupado com aquilo de que mais tarde foi acusado, de participação em esquema do Senado.

O senador Mozarildo Cavalcanti poderia estar ocupado em atividades que mais tarde seriam denunciadas como crimes contra a administração pública.

Poderiam os senadores que convocaram a CPI estar ocupados nisso. Mas o certo é que estavam centralmente ocupados em apoiar o governo que tentou privatizar a Petrobras, que fez um balão de ensaio no dia 26 de dezembro de 2000, teve que recuar, e agora tenta voltar à carga, no momento em que se discute a nova regulamentação da exploração do petróleo e todo o processo do pré-sal. Une suas atuações um profundo sentimento de desprezo pelo que é brasileiro, pela que a Petrobras representou e representa para o país.

Por isso precisam ser repudiados, na mesma lista dos políticos que resistiram à fundação da Petrobras, aos que quebraram o monopólio do petróleo e aos que desprezam o que representa a Petrobras para o Brasil. Defender hoje a Petrobras é defender o Brasil, de hoje e de amanhã.

Todas as informações acima estão disponíveis na internet, nos endereços abaixo e em outros:
http://www.fabiocampana.com.br/2008/08/professores-param-no-dia-29-para-lembrar-cavalaria-de-alvaro-dias
http://democraciapolitica.blogspot.com/2008/04/o-dossi-tucano-para-ser.html
http://www.stf.jus.br/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=4216&classe=Pet&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
http//alainet.org/active/21674&Lang=es
http://www.midiandependente.org/pt/blue/2004/10/292415.shtml
http://www.institutobrasilverdade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2010&Itemid=67
http://www.jusbrail.com.br/1063687/stf-desmembra-inquerito-do-mensalao-mineiro/relacionadas;jsessionid=41E291D0ABA0E476D62380FA4316E7
http://www.interney.net/blogs/inagaki=2008/11¹15diga_nao_ao_projeto_do_senador_azeredo_d/
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac345516,0.html
http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/eleitoral/caixa-dois-mpe-go-pede-a-cassacao-de-marconi-perillo/
http://brasildacorrupcao.blogspot.com/2009/04/tasso-jereissati-aviao-fretado-com.html
http//:veja.abril.com/noticias/Brasil/senador-mantinha-52-funcionarios-fantasmas-470762.shtml
http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=27940
http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/criminal/sanguessuga-inquerito-sobre-senador-de-mato-grosso-e-enviado-ao-stf/
http://revistaepoca.globo.com/Revista/EpocaQo,,EMI65568-15223,00-PSDB+DEM+E+FIESP+NOS+PAPEIS+DA+CAMARGO+CORREA,html
http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2007/07/06/e-katia-abreu-continua-indo-contra-o-combate-a-escravidão
http://www.cinforme.com.br/noticias/1294
http://oglobo.com/pais/mat/2009/03/03/em-discurso-inflamado-no-plenario-da-camara-silvio-costa-chama-jarbas-de-maraja-parasita-do-dinheiro-publico-754669548.asp
http://julidaluz.blogspot.com/2008/09/geografia-moral-do-senador-pedro-simon.html
http://pt.wiki/Senador_brasileiro_acusado_de_mensalinho_anuncia_desfilia%C3&percent;A7percent;C3percent;A3o_de_partido
http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/03/29/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=93684/noticia_interna.shtml
http://www.novojornal.com/politica_noticia.php?codigo_noticia=9722
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.aps?numero=2595&classe=Inq&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=O&tipoJulgamento=M

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hoje é o Dia da Cachaça!


Tire o cálice da estante e brinde o dia da Cachaça

O requinte vai além, com museu próprio e os especialistas cachaçólogos
Da mesma maneira que os vinhos, a cachaça pede um paladar cada vez mais apurado para ser degustada e conta, inclusive, com dia de homenagem: em 21 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Cachaça. Muito mais do que aperitivo, a bebida já aparece como acompanhante de muitos pratos e, para que isso aconteça de forma saborosa, o conhecimento dos ingredientes é necessário.

"Quando se toma uma cachaça, é preciso observar a 'agressividade', a acidez, o sabor alcoólico inicial e residual", afirma o mestre cachaceiro- Delfino Golfetto, que dirige a maior rede de cachaçarias do mundo - a Água Doce Cachaçaria. Segundo ele, a doçura também deve ser observada: é positiva se ela for resultante dos compostos doces do próprio produto e do método de armazenamento (quando também recebe açúcares provenientes da madeira na qual a cachaça é armazenada). É negativa quando é resultante da adição de sacarose. "Muitas vezes, o açúcar mascara sabores ruins", diz o especialista.

A bebida, que hoje é sofisticada e aparece como o terceiro destilado mais consumido em todo o mundo (superado apenas pela vodca e pelo soju coreano), faz parte da Historia do Brasil, desde os anos 1500. Naquela época, a produção era realizada de forma clandestina pelos escravos (os senhores de engenho preferiam a bagaceira, destilado alcoólico feito com restos da fermentação do vinho).

Após a fermentação do melaço e a destilação do produto em alambiques improvisados, seguindo a técnica usada pelos portugueses para a produção da bagaceira, foi criada a primeira aguardente brasileira. A menção mais antiga à palavra cachaça é de 1640, época em que Maurício de Nassau governou os domínios holandeses no Nordeste (1637-1644).

Sobre a origem do termo cachaça, há muitas explicações. Uma delas diz que tudo começou com o vocábulo ibérico cachaza, que nomeava um tipo de vinho barato muito consumido em Portugal e na Espanha. Outra hipótese é que a palavra designava a fêmea do cachaço, um porco selvagem cujas carnes duras eram amaciadas com a aguardente.


Delfino Golfetto ensina você a reconhecer uma boa cachaça

- Uma boa cachaça é límpida, transparente e sem resíduos

- O aroma deve ser agradável e dar vontade de continuar cheirando, além de despertar a vontade de saborear

- A boa cachaça deixa no copo uma oleosidade que escorre lentamente. É por isso que o cálice deve liso, transparente e de boca larga. A bebida queima agradavelmente na boca, descendo de modo suave pela garganta

- No processo de degustação de várias cachaças de gradação alcoólica diferentes é importante tomar água mineral gasosa e comer pedaços de pão puro

- Para degustar uma dose, o 'cachaçólogo' demora de 15 a 20 minutos. Um coquetel e uma batida requerem de 20 a 30 minutos

- Alguns degustadores costumam agitar a garrafa para verificar a quantidade de bolhas que se formam. Quanto maior o número de bolhas, melhor a qualidade da bebida.

- A cachaça de qualidade precisa ficar armazenada por, no mínimo, dois anos numa boa madeira. Se ficar acima de oito anos, vira produto nobre e ganha status.

Melhore a digestão
A cachaça é um ótimo digestivo, por isso o costume de degustá-la antes das refeições, como aperitivo, e depois delas, para colaborar na digestão.

Museu da cachaça
Toda a história da bebida pode ser conhecida no Museu da Cachaça, idealizado e mantido pela Água Doce Cachaçaria em Tupã, cidade do interior de São Paulo. O museu apresenta a história da cachaça,fotos, reportagens e mais de 2 mil garrafas, além de peças de engenho usadas antigamente na produção.

Museu da Cachaça
Rua Nhambiquaras, 385 - Vila Aviação - Tupã - SP
Telefones: (14) 3441-2321 / 3441-4337

UNE realiza encontro nacional de estudantes negros(as) e cotistas


UNE realiza encontro nacional de estudantes negros(as) e cotistas
Enviado pelo diretor de combate ao racismo da UNE, Miguel Cruz Carvalho.

Um espaço privilegiado de debate e convergência sobre os impactos da adoção de Políticas de Ações Afirmativas para a população afrodescendente no ensino superior brasileiro. Assim pode ser definido o Encontro Nacional de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE, que reunirá jovens de diversas regiões do país durante os dias 05 e 07 de junho na Faculdade de Arquitetura da UFBA em Salvador.

O ENUNE 2009 terá mesas de debate, palestras, oficinas e atividades culturais para tratar de temas como Reserva de vagas, cotas, permanência, descolonização do conhecimento, entre outros. O Movimento Estudantil tem como responsabilidade pautar na agenda política brasileira esta que é talvez a mais antiga e grave nuance da questão social do Brasil – o racismo. As ações de combate ao racismo precisam ser acompanhadas de uma série de outras medidas universalizantes para reformarem a educação secundária e universitária.

Colocar o debate racial na pauta central das discussões sobre educação é uma das tarefas de todas e todos que acreditam na transformação através de Políticas Afirmativas para um novo Brasil!

Obtenha informações sobre programação, alojamento e inscrições através do blog www.unecombateaoracismo.blogspot.com ou entre em contato através do email enune2009@gmail.com.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lá se vai Benedetti, boa praça, boa gente


Lá se vai Benedetti, boa praça, boa gente

O poeta e dirigente político uruguaio Mario Benedetti despediu-se da vida neste domingo. Perde a literatura, perde a humanidade, mas seu humor tranquilo e muitas vezes mordaz permanece na herança de seus escritos, expressão sensível e eloquente da consciência avançada da América Latina.


Por José Carlos Ruy


''Que a morte perca sua asquerosa e brutal pontalidade''

A literatura ficou de luto neste domingo (17): o grande poeta uruguaio Mario Benedetti deixou de viver. Ele tinha 88 anos de idade e deixa um legado de mais de 80 romances, ensarios, contos e principalmente poemas que fazem parte da mais elevada expressão do sentimento humano nesta parte do mundo e que registram a crença, como ele dizia, ''na vida e no amor, na ética e em todas essas coisas tão fora de moda''.



Mario Benedetti referiu-se a seu pai, na dedicatória do romance Primavera num espelho partido, que ele fora ''boa gente''. Os poemas de Benedetti dão ao leitor a impressão de que ele próprio podia ser definido assim, como ''boa gente''.



Militante e dirigente de esquerda (em 1971 ele foi um dos fundadores do Movimento 26 de Março, marxista leninista, expressão política do Movimento de Libertação Nacional - Tupamaros), seus escritos oscilaram sempre entre um lirismo tocante e um compromisso social permanentemente reafirmado; muitas vezes, conseguiu a habilidade de unir estas duas dimensões, a lírica e a social, em poemas como este, escrito quando Che Guevara foi morto na Bolívia:



donde estés
se es que estás
si estás llegando
será una pena que no exista Dios



mas habrá otros
claro que habrá otros
dignos de recibirte
comandante
(do poema Consternados, rabiosos, 1967)



ou



Quizá mi única noción de patria
sea esta urgencia de decir Nosotros
quizá mi única noción de patria
sea este regreso al própro desconcierto
(do poema Noción de patria)



ou



los obreros no estaban en los poemas
pero a menudo estavan en las calles
con su rojo proyecto y con su puño
sus alpargatas e su humor de lija
y su beligerancia su paz y su paciencia
sus cojones de clase
qué clase de cojones
sus ollas populares
su modestia e sy orgullo
que son casi lo mismo
(do poema Los espejos las sombras, 1976)



ou



Compañera
usted sabe
que pude contar
conmigo
no hasta dos
o hasta diez
sino contar
conmigo
(do poema Hagamos un trato)



São textos que exprimem uma experiência de vida intensa e rica, que se desdobrou em inúmeras atividades para ganhar a vida (empregado de uma oficina, taquígrafo, caixa, vendedor, contador, funcionário público, tradutor e jornalista, antes viver somente de literatura), e muitas vezes a amarga paciência do exílio. Seus poemas, disse o escritor argentino Pedro Orgambide na introdução a uma antologia, ''são o inventário de um homem de aparência simples, de gesto e voz medida, de um próximo, um 'fulano' que fala de amor'', de ''mulheres nuas, e leva às pessoas sua palavra despojada de solenidade'', perseverando em ''seu ofício de poeta que não é outra coisa senão seu ofício de viver.''



Militante desde a década de 1940 da luta pela paz, foi um incansável crítico do imperialismo dos EUA. Foi um dos fundadores e diretor, entre 1968 e 1971, do Centro de Pesquisas Literárias da Casa de las Américas, em Havana (Cuba). Em 1971, ano de fundação do Movimento 26 de Março, foi nomeado diretor do Departamento de Literatura Hispanoamericana na Faculdade de Humanidades e Ciencias da Universidade da República, de Montevidéu, cargo que manteve até 27 de Junho de 1973, quando um golpe de estado iniciou a ditadura militar no Uruguai. Em consequência, Benedetti renunciou ao cargo na Universidade. Exilou-se na Argentina, Peru e, em 1976, em Cuba. Só voltou ao Uruguai em 1983, depois do fim da ditadura.



No poema Digamos, ele escreveu



1.
Ayer fue yesterday
para buenos colonos
mas por fortuna nuestro
mañana no es tomorrow



2.
Tengo un mañana que es mio
y un mañana que es de todos
el mio acaba mañana
pero sobrevive el otro



No último domingo, o amanhã de Benedetti acabou, mas - como ele sempre soube - sobrevive em todos nós, os outros.



* José Carlos Ruy é jornalista e editor do jornal A Classe Operária

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A BÍBLIA NÃO TEM INSPIRAÇÃO DIVINA.


A BÍBLIA NÃO TEM INSPIRAÇÃO DIVINA.

Em entrevista a ÉPOCA, Bart Ehrman, professor de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte, fala sobre seu novo livro, no qual debate as contradições dos evangelhos
José Antonio Lima


POLÊMICA
Ehrman afirma que apenas oito dos 27 livros no Novo Testamento foram escritos pelos autores aos quais são atribuídosO americano Bart Ehrman cresceu em uma família religiosa e, quando adolescente, havia se tornado um evangélico fervoroso. O interesse pela Bíblia e por sua história o acompanhou a vida toda e hoje, após 35 anos de estudo, diz ter abandonado o Cristianismo por não acreditar que Deus poderia estar no “comando de um mundo cheio de dor e sofrimento”. Professor de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Ehrman já escreveu 21 livros sobre religião, incluindo Verdade e Ficção em O Código Da Vinci, sobre o best-seller de Dan Brown, e O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? – Quem mudou a Bíblia e por quê, que figurou entre os mais vendidos na lista do jornal The New York Times. Agora, em Jesus, Interrupted (ainda sem tradução), que será lançado no Brasil no segundo semestre, Ehrman tenta revelar as contradições da Bíblia, que provam, segundo ele, que o livro não foi enviado à humanidade por Deus.

ÉPOCA – De um tempo para cá temos visto um crescimento do número de títulos com críticas às religiões. O que está motivando os leitores?
Bart Ehrman – Há uma reação contra a direita conservadora do mundo religioso. Aqui nos Estados Unidos há vários líderes desse tipo que tiveram muita atenção da mídia por muito tempo, e as pessoas que estão do lado esquerdo deste espectro começaram a se incomodar. Muitos desses livros escritos por essas pessoas chamadas de "neo-ateístas" são uma representação deste movimento.

ÉPOCA – Alguns dos principais representantes do "neo-ateísmo" são Sam Harris e Richard Dawkins. Em um artigo recente da revista Time, o senhor reconheceu que compartilha leitores com eles. Mas o senhor se considera parte deste movimento?
Ehrman – Não me considero um ateu e não acho que estou fazendo a mesma coisa que esses autores. Eles têm feito coisas boas, mas estão atacando a religião sem conhecer muito. Quando eu escrevo, faço isso como alguém que já esteve profundamente envolvido com a Cristandade, mas que agora a rejeitou. Por isso, a minha perspectiva é completamente diferente.

ÉPOCA – O que fez o senhor passar de um fiel cristão a um “agnóstico feliz”?
Ehrman – Fui criado na Igreja Protestante e fui um cristão muito ativo por vários anos. Mas eu deixei a cristandade não por conta dos meus estudos históricos sobre a Bíblia, mas por não conseguir mais acreditar que poderia haver um deus no comando deste mundo cheio de dor e sofrimento.

"A Igreja acabou juntando duas visões, de que Jesus é humano e divino, e criou um conceito que não está escrito nem [no evangelho] de João e nem no de Mateus"

ÉPOCA – Qual é o motivo de o livro se chamar Jesus, Interrupted [em tradução livre: Jesus, interrompido]? Quando e como ele foi interrompido?
Ehrman – O título significa que há inúmeras vozes diferentes falando no Novo Testamento. São autores diferentes, que possuem pontos de vista diferentes e que, muitas vezes, são conflitantes. Com tantas vozes assim falando no mesmo livro, muitas vezes é impossível escutar a voz do Jesus histórico, porque ele foi interrompido por outras pessoas.

ÉPOCA – E é possível definir qual é a maior contradição da Bíblia?
Ehrman – São muitas discrepâncias, mas é possível destacar duas. O apóstolo Paulo, por exemplo, acha que a pessoa chega a Deus apenas pela fé, e não pelo que faz. No capítulo 24 de Mateus, no entanto, nós lemos que boas ações levam ao reino dos céus. Essas duas visões são excludentes em um assunto determinante, que é a salvação. Também há visões diferentes sobre quem era Jesus. No evangelho de João, Jesus é Deus, mas nos textos atribuídos a Marcos, Mateus e Lucas não há nada sobre isso. No evangelho de Mateus fica claro que ele acredita que Jesus é um ser humano, e que é o Messias. A Igreja acabou juntando essas duas visões, de que ele é humano e divino, e criou um conceito que não está escrito nem em João e nem em Mateus.

ÉPOCA – O senhor acha que essas discrepâncias fazem da Bíblia uma história falsa?
Ehrman – Eu diria que os diferentes autores da Bíblia tem versões diferentes da história e por isso é errado tentar fazer com que eles digam a mesma coisa. Há muitos erros na Bíblia e, mais importante que isso, há diferentes pontos de vista teológicos e isso precisa ser reconhecido.

"Na tradição católica a fé nunca foi sobre a Bíblia, mas sobre os ensinamentos da Igreja e sobre acreditar que Jesus é o filho de Deus"

ÉPOCA – Desde quando a Bíblia começou a ser questionada? De que maneira isso enfraquece a Cristandade?
Ehrman – As pessoas só começaram a notar essas diferenças na época do Iluminismo, no século XVIII. Antes disso, os estudioso da Bíblia eram teologicamente comprometidos com ela e não imaginavam que poderia haver erros. Essas descobertas são problemáticas especialmente para quem acredita que a Bíblia foi entregue a nós diretamente por Deus. Se isso ocorreu, por que não temos a Bíblia original? Por que temos apenas manuscritos escritos mais tarde e que não são iguais? Essas diferenças mostram que não existe um livro com inspiração divina que foi entregue a nós.

ÉPOCA – E como isso afeta especificamente a Igreja Católica?
Ehrman – Existem estudiosos na Igreja Católica que concordam com quase tudo o que está escrito em Jesus, Interrupted. Mas na tradição católica a fé nunca foi sobre a Bíblia, mas sobre os ensinamentos da Igreja e sobre acreditar que Jesus é o filho de Deus. E isso não muda se a pessoa perceber ou não os erros da Bíblia. É bem diferente do fundamentalismo cristão que é tão poderoso onde eu vivo, no sul dos Estados Unidos. Aqui as pessoas acham que você só poder ser cristão se acreditar totalmente na Bíblia.

ÉPOCA – Alguns críticos do seu trabalho, especialmente o líder evangélico James White, dizem que você quer destruir a fé cristã. O que você acha disso?
Ehrman – Estou tentando destruir o tipo de fé cristã de James White! (risos). Mas na verdade nada que eu faça pode destruir o Cristianismo. O problema é que há um certo tipo de fé cristã que diz que a Bíblia não tem erros e é infalível, e eu não concordo com isso. Eu não sou o único que pensa assim. As opiniões que estão descritas no meu livro são as mesmas da maioria dos estudiosos da Bíblia há muitas e muitas décadas, mas eles não costumam falar disso em público. Meu livro apenas pega o que os estudiosos dizem há muito tempo e torna disponível para os leitores normais.

ÉPOCA – Você recebeu muitas críticas de leitores por conta do livro?
Ehrman – Recebi e-mails de pessoas bravas e sei que na internet há muita gente contrariada. Dizem que quero destruir sua fé, que sou o anti-Cristo. Mas a maior parte dos que escreve ficou grata pelo livro e feliz por eu ter dito essas coisas, já que suspeitavam desses erros, mas não tinham base teológica para questionar a Bíblia.[i]

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI72106-15220,00-A+BIBLIA+NAO+TEM+INSPIRACAO+DIVINA.html

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Em abril o Olodum comemorou 30 anos!


Olodum 30 anos: Por uma cultura africana não colonizada

Quando o Olodum foi fundado, no dia 25 de abril de 1979, o Pelourinho era reduto de marginalidade e prostituição, e as únicas metas do bloco eram chamar a atenção para a degradação do centro histórico de Salvador e divulgar a música, a dança e os costumes africanos. "Ao contrário da maioria dos blocos de Salvador, que veem apenas o lado comercial em seus desfiles, o Olodum leva para as ruas da cidade uma história de luta contra o preconceito e a injustiça sociais", diz a médica mineira Cinara Rodrigues, que desde 2001 desfila com o grupo.

Em 1979, o bloco-afro Olodum nasceu no coração do centro histórico de Salvador, o Pelourinho. Segundo Nelson Mendes, diretor cultural, o objetivo era celebrar a cultura africana no carnaval baiano. "Isto significou o renascimento do Pelourinho, que estava completamente abandonado pelos órgãos públicos".

- O Olodum foi o principal divulgador do Pelourinho, não só internacionalmente, com pressões para a restauração do bairro, mas também por atrair as atenções regionais para o bairro.

Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro do Brasil. Surgiu em 1974 com o mesmo propósito: discutir a cultura africana e racial. "Esta é a semelhança entre nós", diz Nelson. E acrescenta que "grandes blocos afros valorizam a cultura africana e lutam contra o preconceito racial".

Pós-carnaval, Olodum desenvolveu seminários e exibições de filmes. As ações eram voltadas para a comunidade afro-descendente. Isto fez com que o Olodum se aproximasse do movimento negro e se transformasse em uma ONG.

"Nos denominamos afro-brasileiros por sermos descendentes africanos nascidos no Brasil", explica o diretor cultural. E acrescenta, mais do que depressa, que "queremos mostrar uma cultura africana não colonizada".

O grupo criador do samba-regae, adotado por vários compositores, faz um trabalho basilado em três pilares: "música, cultura e educação". Nelson pede para atentarmos ao fato de os trabalhos serem feitos sempre com jovens de baixa renda que "podem encontrar no Olodum uma saída", acrescenta.

Como nem tudo são batuques, "temos problemas financeiros", lamenta o diretor. "O dinheiro oscila, ora temos apoio do governo, ora não. Vendemos camisetas e outras coisas, mas a arrecadação flutua. Mas vamos administrando...".

As comemorações pelos 30 anos do Olodum foram intensas. além de festas, tiveram debates e palestras com personalidades negras de todo o mundo. E ainda continua com a turnê, que tem como nome provisório "Samba-Reggae".

Como presente, o Olodum ganhou o direito de posse do prédio por ele ocupado na Rua Laranjeiras no Pelourinho desde 1990, mediante Termo de Permissão de Uso, para atividades de cunho social. Na ocasião, diversos vereadores, de variados partidos, fizeram questão de se pronunciar parabenizando o Olodum pela conquista, já que era uma antiga reivindicação do grupo.

E no Dia 27 de abril, a Câmara Municipal de Salvador homenageou, em sessão especial, os 30 anos do Olodum.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Regime dos aiatolás tenta apagar memória da esquerda


Regime dos aiatolás tenta apagar memória da esquerda

Um companheiro iraniano pede que se divulgue a profanação do cemitério de Kharavan, onde estão sepultados milhares de militantes de esquerda assassinados pelo regime.


Caros Amigos,

Escrevo para vos informar sobre um assalto desastroso ao cemitério dos revolucionários no Irã.

Situado à beira da estrada Kharavan, o cemitério é conhecido pelo nome dessa estrada. É também conhecido como lanet-abad (lugar maldito) pelos islamistas. Desde o início dos anos ’80, milhares de militantes de esquerda mortos nas prisões foram ali sepultados. As famílias não foram autorizadas a colocar pedras tumulares e qualquer tentativa nesse sentido foi violentamente reprimida. As pedras foram partidas e as famílias ameaçadas.

Com o passar do tempo a pressão abrandou. Mas agora estes ataques recomeçaram. Kharavan tornou-se um local simbólico para os grupos de oposição e foram organizadas concentrações nos aniversários dos assassinatos de 1988. Na concentração dos primeiros dias de Setembro, foram presos alguns participantes, sobretudo estudantes.

Este ano, esses ajuntamentos foram proibidos e o portão do cemitério foi bloqueado. Apesar disso, houve mães que conseguiram lá entrar, passando pelo cemitério de Baha, adjacente.

Hoje, as mães que visitaram o cemitério verificaram que ele foi arrasado com um bulldozer e que plantaram árvores.

Ali existem pelo menos quatro valas comuns e estão lá sepultados milhares de militantes esquerdistas. Trata-se de uma tentativa para negar a sua existência e para apagar a verdade e a memória colectiva do povo.

Apelo a que divulguem estes factos de todas as formas possíveis e que exijam a devolução do cemitério às Mães de Kharavan.
(http://passapalavra.info/)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Semifinais do Festival Parque Sucupira movimentam o Campus da UnB-Planaltina neste final de semana


Semifinais do Festival Parque Sucupira movimentam o Campus da UnB-Planaltina neste final de semana

Bandas selecionadas e ordem de apresentação podem ser encontradas no Blog do festival: http://festivalparquesucupira.blogspot.com/

Neste sábado e domingo, 16 e 17 de Abril de 2009, ocorrerão as Semifinais do Festival de Música Parque Sucupira. Os Shows serão realizados no estacionamento do campus da UnB, localizado ao lado da Vila N. S. de Fátima em Planaltina, DF. O evento começará a partir das 19 h e a entrada é franca. A iniciativa é da Rádio Comunitária Utopia FM, 98,1 MHZ , com patrocínio do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Universidade de Brasília (Campus Planaltina e Faculdade de Comunicação) e a Empresa Brasileira de Comunicação, EBC.

O Festival é parte integrante do Projeto Rádio Diversidade Ambiental. Tendo o Parque Sucupira como ponto de partida, pretende tornar conhecidos os parques ecológicos do DF, legalmente constituídos, que não possuem estruturas básicas para funcionamento. Objetiva mobilizar a sociedade para sensibilizar o poder público para a efetiva implantação destas áreas de proteção ambiental. Também são objetivos o incentivo e a promoção da produção cultural brasileira, através da música; a valorização da obra dos artistas locais; a criação de um espaço alternativo de cultura e lazer, que intensifique a defesa da diversidade, da comunicação e da cidadania.

Vinte canções foram escolhidas para se apresentarem nas semifinais, de 280 músicas inscritas. Destas, 10 músicas farão parte de um CD do projeto e concorrerão aos prêmios da final, que acontecerá no dia 13 de Junho de 2009. As três primeiras músicas colocadas escolhidas pelo júri serão premiadas. O primeiro Lugar com R$ 5.000,00, o segundo lugar com R$ 3.000,00 e o terceiro lugar com R$ 2.000,00. A Melhor Música e Melhor Intérprete também serão premiados pelo Júri Popular, cujos ganhadores receberão R$ 500,00, cada.

O Nome de Todas as Bandas Concorrentes, as 20 canções selecionadas para as semi finais e a ordem de apresentação nos dois dias podem ser encontradas : http://festivalparquesucupira.blogspot.com/



Serviço:

Semifinais do Festival de Música Parque Sucupira

Dias 16 e 17 de Maio, No estacionamento do Campus da Universidade de Brasília (UnB) em Planaltina - ao lado da Vila Nossa Senhora de Fátima, à partir das 19 horas.

Entrada franca

Classificação indicativa livre.

Contato: Batista Filho, 8406-7438

Mais informações : http://festivalparquesucupira.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O grande fracasso dos Bancos Centrais independentes


O grande fracasso dos Bancos Centrais independentes

Um dos principais fracassos evidenciados pela crise atual é a tese dos bancos centrais independentes. Para que serviu dar independência a estas instituições senão para que as suas competências ficassem fora do alcance das instituições democráticas dos Estados? Os bancos centrais independentes só foram úteis para que grandes investidores do setor financeiro e banqueiros sem escrúpulos tirassem proveito nestes últimos anos. O desenvolvimento da crise mostra a sua impotência e a sua efetiva incapacidade para dar respostas, primeiro de previsão e depois de solução.

Juan Torres Lopez e Alberto Garzon Espinosa - Informação Alternativa

A crise que estamos vivendo pôs em evidência muitos fracassos que já ninguém pode dissimular: o da ideia de que os mercados se podem auto-regular com sucesso, o dos princípios que inspiraram a gestão financeira e, sobretudo, o daqueles que fizeram crer a todo mundo que aquilo que convém aos financeiros e especuladores é bom para todos, para citar apenas três deles. Mas há um fracasso especialmente importante, o qual se tenta varrer para debaixo do tapete: o dos bancos centrais independentes.

Nas últimas décadas tiveram no papel uma capacidade imensa para decidir, vigiar, autorizar ou pôr em andamento a política monetária. Praticamente não houve um aspecto das finanças nacionais e, por extensão, internacionais sobre o qual não tenham podido atuar mais ou menos diretamente. E tudo isso sem interferências, com plena independência, de modo que agora não podem assacar senão às suas próprias limitações os desastres que contribuíram para provocar.

Com o tempo, poder-se-á analisar com mais detalhe o papel que tiveram, mas de momento é fácil avaliar que, ao impulsionar as mudanças tão negativas que ocorreram nos últimos anos e ao deixar agir os grandes poderes financeiros, atuaram como catalisadores da crise.

Em primeiro lugar, foram um dos principais instrumentos para aplicar as políticas deflacionárias das últimas décadas. Políticas orientadas a criar escassez e a provocar desemprego para vencer as resistências trabalhistas e que provocaram uma diminuição da capacidade potencial de crescimento das economias. Graças a elas, foi possível recuperar a taxa de lucro, mas, ao debilitar os salários, e com eles a procura, conseguiram-no à custa de uma perda global de rendimentos que foi um dos fatores que impulsionou o contínuo desvio de capitais para o âmbito especulativo, onde se podia alcançar lucros mais elevados e rápidos. Um fenômeno que está na origem dos problemas que agora paralisam a economia mundial.

Em segundo lugar, aplicaram políticas monetárias ao serviço dos interesses do grande capital financeiro e para apoiar um modelo produtivo baseado na geração de bolhas que, como se pôde comprovar em inúmeras ocasiões e agora de forma particularmente clara, é materialmente insustentável.

Em terceiro lugar, os bancos centrais deixaram atuar os capitais especulativos, favoreceram a criação e o funcionamento dos mecanismos legais e materiais necessários para que as suas atividades se tivessem estendido por todo o planeta e, no sentido de salvar o princípio de liberdade de mercado, não puseram praticamente limite algum à barbárie especulativa das últimas décadas.

O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) olhou para o outro lado durante anos, quando se gestava a bola de neve das hipotecas-lixo, quando o alavancamento e a engenharia financeira geravam um risco sistêmico a todos os títulos insuportável a médio prazo e quando os bancos e as grandes empresas desviavam sem pudor as suas contas e lucros para os paraísos fiscais. Não os preocupou a opacidade, nem a criação artificial de dinheiro fácil, nem a falta efetiva de supervisão...

Como agora se pode saber, fizeram ouvidos surdos aos avisos de fraudes, ao risco ingente acumulado por dúzias de entidades financeiras em operações que os bancos centrais conheciam sem lugar a nenhuma dúvida, e manipularam as taxas de juro para ir favorecendo esse tipo de ganhos...

Em quarto lugar, os bancos centrais contemplaram em silêncio, quando não deram seu consentimento explícito, à desnaturalização progressiva do negócio bancário, que acabou por deixar exausta a economia real. Em lugar de obrigar que o financiamento se dirigisse preferencialmente para a atividade produtiva, deixaram agir os bancos e nada fizeram para desestimular a especulação e a transferência de recursos multimilionários da poupança privada para a especulação financeira.

E, sempre, os bancos centrais atuaram como os mais privilegiados difusores da ideologia que justificava tudo isso, louvando sempre o mercado, a quem reconheciam propriedades de auto-ajuste que nunca se puderam comprovar na realidade, antes pelo contrário, e promovendo sempre as reformas mais favoráveis ao grande capital para debilitar o poder negociador dos trabalhadores.

Apesar de gozarem de mais meios que nenhuma outra instituição econômica, apesar de se auto-apresentarem como o summun da ciência econômica, a verdade é que nada anteciparam, que quando estalou a crise não acertaram em adotar medidas eficazes, que se viram superados pelos fatos e que, finalmente, tiveram que deixar nas mãos dos governos a capacidade para enfrentar os problemas que, com a sua enorme inércia, contribuíram tão decisivamente para gerar.

Nem sequer se pode dizer que tenham sido capazes de conseguir sucessos na luta pela estabilidade dos preços. Até há pouco, continuavam a ameaçar com a inflação. Agora, fazem-nos temer a todos pela deflação, o que constitui uma indiscutível mostra de que a estabilidade perseguida está longe de ter sido alcançada. E, quando se conseguiu, foi, como assinalamos no princípio, à custa de reduzir muito perigosamente a capacidade de crescimento potencial das economias.

Para que serviu então dar independência a estas instituições senão para que as suas competências ficassem fora do alcance das instituições representativas, para que decisões que antes podiam ser tomadas em função de preferências representativas agora estejam em mãos de políticos que não o são, no melhor dos casos, ou dos poderes financeiros privados, no pior?

Os bancos centrais independentes só foram úteis para que os grandes investidores do setor financeiro e os banqueiros sem escrúpulos tirassem proveito nestes últimos anos. O desenvolvimento da crise mostra a sua impotência e a sua efetiva incapacidade para dar respostas, primeiro de previsão e depois de solução. Mas enquanto existirem como tais, subtraindo aos governos representativos a possibilidade de adotar políticas que respondam às preferências cidadãs, não só continuarão a ser um limite material para que se viva em democracia, mas impedirão que as respostas às crises sejam eficazes.

É preciso rever o seu estatuto, democratizar a política monetária e pô-la nas mãos de organismos que, como qualquer outro âmbito do estado, estejam sempre ao serviço dos interesses sociais e não dos oligárquicos que uma vez mais provocaram o desastre financeiro e econômico.

Fonte: Informação Alternativa

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Marcha Mundial da Maconha 2009



Caros e Caras,

Hoje trago no blog o debate sobre a legalização das drogas. Colocarei alguns pequenos artigos sobre o movimento da Marcha Mundial da Maconha. Conheci essa iniciativa no primeiro semestre da minha gestão a frente da secretaria nacional de juventude do PT. No I Congresso da JPT aprovamos a defesa da jpt na luta pela legalização da maconha. Eu sou mais amplo e pretendo escrever sobre isso em breve. Sobre Capitalismo e o mercado das drogas.

Amanhã, dia 9 de maio, é o dia convencionado há anos como o dia da marcha da maconha. Aqui no Brasil a justiça vem tentando impedir, a OEA criticou a postura da justiça brasileira.

Enfim, vejam um pouco desse movimento e as notícias:

O que é? segundo o site da marcha em Portugal
http://www.mgmlisboa.org/


A MGM – Marcha Global da Marijuana é uma iniciativa internacional, pacífica, que tem lugar em várias cidades do planeta em simultâneo, sempre no primeiro sábado do mês de Maio.

O objectivo desta marcha é chamar a atenção dos governos, dos decisores políticos e das instituições relacionadas com as drogas e a toxicodependência em concreto, e da sociedade civil em geral, para as vantagens da legalização / normalização do cultivo, venda e consumo de canábis planeada e baseada na realidade e em factos científicos; e para a ineficácia e o falhanço da proibição na sua missão de reduzir o consumo, o tráfico de drogas e o crime associado.

Em 2009, a Marcha Global da Marijuana vai ter lugar, no dia 2 e 9 de Maio em mais de 225 cidades em todo o mundo.



Marcha Mundial da Maconha 2009 - Brasil!

Nas primeiras semanas de maio, milhares de pessoas em todo o mundo sairão às ruas em mais de 300 cidades para lembrar a luta política contra a proibição injusta que tornou ilegal o cultivo de plantas da espécie Cannabis sativa em quase todos os países do mundo.

O Coletivo Marcha da Maconha está apoiando eventos em 13 cidades em todo o país. Os dias 2, 3 e 9 de maio serão marcados com caminhadas em clima de descontração, música, concursos de fantasias, distribuição de material informativo e espaço para manifestações artísticas, performances e outras expressões culturais. Além disso, em diversas cidades ocorrerão também debates, palestras, seminários, exibições de documentários e outros tipos de eventos para discutir diversos aspectos relacionados ao tema, principalmente ligados às leis e políticas públicas sobre drogas.

A Marcha da Maconha Brasil não é um evento de cunho apologético, nem seus organizadores incentivam o uso de maconha ou de qualquer outra substância ilícita. Respeitamos as Leis e a Constituição do país do qual somos cidadãos e procuramos respeitar não só o direito à livre manifestação de idéias e opiniões, mas também os limites legais desse e de outros direitos civis.

O objetivo do Movimento é possibilitar que todos os cidadãos brasileiros possam se manifestar de forma livre e democrática a respeito das políticas e leis sobre drogas do país, ajudando a fazer do Brasil um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Com essas atividades procuramos tão somente ajudar a fazer com que essas leis e políticas possam ser construídas e aplicadas de forma mais transparente, justa, eficaz e pragmática, respeitando a cidadania e os Direitos Humanos.

Acreditamos que já é hora de discutir reformas mais concretas nas políticas e leis sobre a planta e seu uso, de forma a incluir os dados científicos mais atuais e contando com uma maior participação da sociedade civil.

Maiores Informações:
Coletivo Marcha da Maconha Brasil
www.marchadamaconha.org
contato@marchadamaconha.org
+55 (21) 8705-3357
+55 (11) 6333-5505

» 2 DE MAIO
• GOIANIA
Pça. Universitária, 14h

» 3 DE MAIO
• FLORIANÓPOLIS
Trapiche - Beira-mar Norte, 15h
• FORTALEZA
Aterro da Praia de Iracema, 15h
• JOÃO PESSOA
Pça. Antenor Navarro, 14h
• RECIFE
Rua do Apolo - Bar do Fogão, 14h
• SALVADOR
Farol da Barra, 14h
• SÃO PAULO
Parque Ibirapuera - Marquise, 14h

» 9 DE MAIO
• BELO HORIZONTE
Praça da Estação, 15h
• BRASÍLIA
Catedral, 15h
• CURITIBA
Largo da Ordem, 14h
• JUÍZ DE FORA
Parque Halfeld, 11h
• PORTO ALEGRE
Av. José Bonifácio, 15h
• RIO DE JANEIRO
Ipanema - Posto 9, 15h



OEA diz que proibição da Marcha da Maconha vai contra Convenção internacional.
08/05/09

Apoio, Brasil, Internacional, Justiça, Marcha da Maconha, Notícias
Brasil não assegura livre expressão, avalia OEA
sexta-feira, 8 de maio de 2009, 09:54

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Relatório da divisão especial para Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA), apresentado ontem em Washington, nos Estados Unidos, faz críticas ao ordenamento jurídico brasileiro. Redigido anualmente, o documento adverte de que, apesar da derrocada da Lei de Imprensa, o Brasil não oferece segurança suficiente para que cidadãos informem sobre assuntos de interesse público sem medo de serem presos, perder seus patrimônios ou sofrer agressões.

Compilado pela juíza colombiana Catalina Botero Marino, o documento tem como base denúncias apresentadas por entidades brasileiras e internacionais que monitoram o direito à informação, como Repórteres Sem Fronteiras, Artigo 19 e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Ao todo, dez páginas descrevem casos de agressão, assassinato, prisão e perseguição judicial a jornalistas e cidadãos brasileiros que publicaram reportagens ou expressaram suas opiniões em público.

A OEA demonstrou preocupação com atentados realizados contra sedes de jornais e equipes de reportagem. Interpretou também que a proibição da Marcha da Maconha vai contra a Convenção Americana. Segundo o texto, manifestações pacíficas são legais, desde que não façam ?propaganda a favor da guerra? ou ?apologia de ódio nacional, racial ou religioso?. A relatoria posicionou-se ainda contra a obrigação do diploma de jornalista para exercer a profissão, assunto que permanece na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal O Estado de S. Paul

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Artigo de nosso Colunista Marcelo Arruda!

Hoje temos um artigo do nosso colunista Marcelo Arruda, como já disse aqui, ele foi meu companheiro de DCE e hoje é militante da comunicação comunitária. Esteve na ocupação da reitoria da UnB um ano atrás e hoje trás uma visão sobre os desdobramentos daquele movimento.

Valeu Grande Marcelo!



Um ano de que?

Para Norton Guimarães, ouvinte da Rádio 5000 Por hora.

Ano passado tava trabalhando numa produtora de vídeo. Muito. Tanto que nem notei quando o celular alertou o recebimento de mensagem. Quando fui dar uma olhada, já fim-de-expediente tava lá escrito: Mais de 300 Estudantes ocuparam reitoria UnB. Quem puder ajudar, compareça.

Saí voado para a UnB, que era relativamente perto, a fim de ver de qualé. E qualé: dia 3 de abril de 2008 aconteceu uma Assembléia Geral dos Estudantes. Depois, ato na reitoria para o enterro do reitor, de seus amigos e da corrupção na UnB. (mais info a respeito, ver link). Rolou que o ato virou ocupação da reitoria.

Foram duas semanas onde a UnB recuperou respeito. Menos para muita gente de dentro da UnB, mas foi o que se ouvia nas ruas, substituindo um “e os estudantes, eles não vão fazer nada?”

Fizeram, mas ainda não foi suficiente. Se nos últimos dez anos esta é a que mais mexeu (apesar de pouco) na forma organizacional da estrutura da Universidade, ficou muito aquém do Saldo Organizativo que poderia ter. Comparando por exemplo com a greve estudantil de 2001, não houve criação de coletivos posterior a mobilização (alguns até sumiram), e o dialogo com o que ocorria na universidade ficou pontuado no eventismo do caso Thimothy, sem maiores propostas de dialogo coma sociedade.

Como a memória da Universidade (e principalmente a estudantil) é bem curta, escrever e agir a respeito pode ser uma saída. Sabendo que os estudantes estão em movimento, cabe saber que direcionamento vai este movimento. Pois mais frustante do que não se chegar a um objetivo é saber que todas as condições foram das e não se aproveitaram elas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Importante debate sobre a Água!


Água: Escassez afetará metade do planeta

A Organização das Nações Unidas alertou que mais da metade da população mundial – mais de três bilhões de pessoas – sofrerá escassez de água em 2025. Se as atuais tendências continuarem, incluindo as secas, o aumento populacional, a crescente urbanização, a mudança climática, a proliferação indiscriminada do lixo e a má administração dos recursos, o mundo se dirigirá para uma catástrofe. Estes novos problemas estarão na agenda de uma importante conferência internacional, o Quinto Fórum Mundial da Água, que acontecerá em Istambul, Turquia, entre 16 e 22 deste mês.

Por Thalif Deen, da IPS



Entrevistado pela IPS, o diretor-geral do Conselho Mundial da Água (CMA), Ger Bergkamp, que organiza o encontro em Istambul, disse que enquanto a população do planeta triplicou no século 20, o uso de recursos renováveis de água cresceu seis vezes. “Nos próximos 50 anos, a população mundial crescerá 40% ou 50%. Este aumento populacional, somado à industrialização e à urbanização, provocará uma demanda maior de água e terá sérias consequências para o meio ambiente”, afirmou.

IPS - A ONU alertou que mais de um bilhão de pessoas ainda sofrem escassez de água potável segura. Prevê-se que esta crise será solucionada ou irá piorar na próxima década, particularmente no contexto da mudança climática e de seu impacto negativo?

Ger Bergkamp - Informes de importantes centros de pesquisa e organizações internacionais nos dizem que, se os seres humanos não mudarem seu comportamento, desde hábitos pessoais até os processos industriais e a administração pública, teremos uma crise ainda maior em nossas mãos. Estamos em uma encruzilhada histórica. Temos a capacidade para reverter a tendência e criar uma nova realidade. As soluções estão à mão, como coletar água da chuva, melhorar os sistemas de armazenamento e conservação, aperfeiçoar os métodos de irrigação nos campos e desenvolver cultivos tolerantes às secas.

Estas devem estar acompanhadas de uma governabilidade suficientemente boa para procurar uma melhor administração dos recursos hídricos e conseguir maior acesso aos serviços para mais pessoas. É óbvio que um consumo desenfreado dos recursos naturais, especialmente da água, não pode continuar. Mas, temos de saber como e quais são as ferramentas para mudar as coisas. O que precisamos é de ação. Os governos, as companhias e os grupos da sociedade civil devem aproveitar o momento.

IPS- Deveria a ONU, e em especial o Conselho de Direitos Humanos, procurar um plano duradouro para considerar a água um direito humano básico?

Ger- O consumo mundial de água duplicou tão rápido quanto a população no último século. O aumento da demanda de água é constante quanto há um aumento da população, e multiplicou com a rápida urbanização. Garantir água segura para as pessoas está no coração dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU para o Milênio, fixados pelos 192 membros das Nações Unidas. A meta é reduzir pela metade o número de pessoas que carecem de acesso à água segura. Há três anos, o Quarto Fórum Mundial da Água no México pôs sobre a mesa o direito a este recurso. Os prefeitos, que ocupam a linha de frente político-administrativa para a água e o saneamento, expressaram de forma esmagadora seu apoio ao direito à água.

As declarações no México também mostraram que um grande apoio a essa idéia por parte de parlamentares, empresários, organizações não-governamentais, grupos de mulheres, igrejas e a sociedade civil em geral. Também significou a primeira vez que o direito à água foi discutido por ministros de diversos países em nível internacional. O CMA apresentou no México o Informe sobre o Direito à Água. Esse documento forneceu uma importante ferramenta para as pessoas que tentam desenvolver políticas nacionais. O informe também é uma grande contribuição ao trabalho do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Na nova edição do fórum, em Istambul na próxima semana, o direito à água será novamente tema destacado da agenda. Esperamos ver compromissos sobre este assunto, principalmente de líderes políticos que podem fazer as coisas acontecerem em nível local. Muitos temas precisam ser resolvidos em níveis local e nacional. Para levar serviços de água e saneamento a mais pessoas de forma mais rápida devemos insistir no direito ao recurso. Também temos de redobrar esforços para encontrar soluções sobre as quais trabalhar em qualquer lugar onde se compartilha a água entre fronteiras nacionais. Devem ser feitos esforços bilaterais e multilaterais para encontrar soluções duradouras sobre como compartilhar a água.

IPS- Como os problemas podem ser resolvidos? Que papel pode ter o fórum em alertar o mundo sobre a crise de escassez mundial?

Ger- O fórum é um processo de três anos de diálogo e reflexão que culmina na mais importante reunião mundial sobre a água. São mais de 20 mil participantes, incluindo políticos, cientistas, profissionais e ativistas de todo o mundo. Ao trabalhar com uma ampla gama de atores no fórum, o CMA pode reunir grupos e interesses díspares para encontrar um campo em comum e soluções práticas. Os debates do fórum ajudam a definir o papel estratégico da água para o desenvolvimento, a qualidade de vida e a segurança. O fórum é organizado pela CMA em colaboração com a cidade e o país anfitriões, neste caso Istambul.

O encontro é precedido por um processo preparatório que envolve o que poderíamos chamar de diálogos sobre a água. Entre outras coisas, estes diálogos incorporam contribuintes regionais para tratar desafios específicos em diferentes partes do mundo. A intenção do fórum é fornecer uma plataforma onde seja possível construir sociedades nacionais, regionais e mundiais, os cientistas e cidadãos podem dar novas perspectivas sobre os problemas graves, os políticos e especialistas podem trocar idéias e desenvolver soluções, os líderes mundiais podem assinar acordos e a cobertura jornalística pode dar à água o destaque que merece no cenário internacional.

Um grande número de funcionários eleitos, incluindo, prefeitos, parlamentares, ministros e chefes de Estado, participam do fórum. Isto representa uma oportunidade única para pressionar no sentido de que uma sábia administração da água esteja mais acima na agenda política. Também há uma Conferência Ministerial, em torno da qual o CMA colabora estreitamente com o país anfitrião e a ONU. Em meio à voragem de toda esta atividade, no meu ponto de vista, ainda precisamos manter o olhar em duas simples metas: uma sábia administração dos recursos e o acesso à água e ao saneamento para todos.

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Agência Envolverde/IPS




Água no Oriente Médio: a solução está no deserto


Muitos preveem escassez de água no Oriente Médio, e inclusive alertam sobre guerras por esse recurso. Mas, há muita riqueza hídrica no deserto, afirma o geógrafo tunisino Habib Ayeb. Este professor da Universidade de Paris e da Universidade Norte-americana do Cairo, de 52 anos, é autor de várias publicações, como “Consequências econômicas e ecológicas dos conflitos no mundo árabe”. Ayeb esteve em Madri para dar uma conferência na Casa Árabe sobre os recursos hídricos e seu impacto no Oriente Médio.

Por Baher Kamal, para a agência Envolverde/IPS



“A disponibilidade de água na região seria suficiente se à água subterrânea a das chuvas e dos rios”, afirmou o professor. A quantidade total de água na região excede os dois mil metros cúbicos por pessoa ao ano, enquanto que a fronteira com a escassez é de aproximadamente 500 metros cúbicos”. Ayeb disse que o problema da água no Oriente Médio se deve a uma “hidropolítica” que dá seu aval ao controle por parte das “superpotências da água”, bem como à falta de rigorosos tratados internacionais para fornecer acesso ao recurso.

IPS - Como explicar o divórcio entre a realidade hidrológica no Oriente Médio e o que o senhor considera alarmes apocalípticos?

Habib Ayeb - Temos de olhar alguns fatos geográficos e geopolíticos que se sobressaem na região. Em primeiro lugar, o Oriente Médio é parte da grande plataforma de deserto que cobre uma área que vai do oceano Atlântico até as fronteiras das montanhas de Taurus e Zagros no Irã e no Iraque.

Em segundo lugar, a região importa água do exterior. O rio Nilo toma suas águas dos Grandes Lagos Africanos, enquanto o Tigre e o Eufrates nascem na Turquia. Esses rios contribuem com cerca de 160 milhões de metros cúbicos por ano, o que é muito mais do que as reais necessidades de toda a população do Oriente Médio, de 150 milhões. Há muita água ali.

IPS - Então, qual é o problema?

HA - O problema é que a distribuição da água é desigual, desequilibrada. Alguns países têm consideráveis recursos, como o Iraque, com mais de quatro mil metros cúbicos por pessoa ao ano, comparados com os cerca de 200 metros cúbicos em Gaza, por exemplo, Cisjordânia e Israel de fato não possuem muita água. Este grande desequilíbrio explica uma parte desses alertas catastróficos.

IPS - A água é um tema político?

HA - Não posso ver outro tema mais político do que a água.

IPS - O mapa da água na região pode determinar as fronteiras finais de Israel e do especulado Estado palestino?

HA - Na realidade, não. Nem Israel nem os palestinos têm suficiente água própria. Ambos dependem de recursos externos.

IPS - Mas alguns dizem que no Congresso Judeu Mundial e na Conferência da Agência sionista, ambos encontros realizados na Suíça no final do século 18, foi elaborado um mapa de Israel que implicitamente leva o Nilo...

HA - Isso tem a ver com o projeto sionista. Entretanto, não creio que se permita a Israel alargar suas fronteiras mais além das que tem hoje.

IPS - Mas o senhor diz que Israel não tem suficiente água própria e que depende de recursos externos. Israel poderia ter acesso às águas do Tigre e do Eufrates?

HA - Não diretamente. Sabemos da prática de arrendar terras agrícolas de um país a outro. Muitos fazem isso hoje. A Israel poderia ser permitido arrendar vastas terras agrícolas próximas aos dois rios, para cultivar e exportar seus produtos. Isso pode ocorrer neste novo Iraque. Esta prática de arrendar terras é conhecida como o fenômeno da “água virtual”, isto é, água “comprada” de um país por outro na forma de produção agrícola irrigada com recursos hídricos da nação que aluga a terra.

IPS - Então, o senhor não vê nenhuma próxima guerra no Oriente Médio?

HA - Na verdade, não. A principal razão destas guerras pela água não ocorrerem é que nenhum país tem interesse em lançá-la. Israel, Turquia e Egito, que reúnem os principais recursos de água disponíveis na região, não têm nenhum interesse em provocar guerras que poderiam levá-los a qualquer parte. Por outro lado, os “países vítimas”, como Palestina, Jordânia ou Iraque, não têm os meios para declarar uma guerra contra Israel ou Turquia.

IPS - Mas há acordos regionais para compartilhar a água...

HA - O problema da água no Oriente Médio se agravou justamente pela falta de acordos que são plenamente aceitos por todas as partes. Há algumas regulamentações internacionais, mas não são politicamente vinculantes e são ambíguas. Isto dá a cada país o direito de interpretá-las e usá-las com acharem mais apropriado aos seus próprios interesses.

Algumas destas regulamentações definem um curso de água como um que cruza dois ou mais países e que seja navegável. A primeira parte desta definição é clara. A segunda, entretanto, permite todo tipo de interpretação e depende de muitos fatores, como a temporada, a embarcação, os obstáculos à navegação, etc.

IPS - Pode dar exemplos?

HA - Vejamos o caso da Turquia, que considera que nem o Eufrates nem o Tigre são rios internacionais por não serem navegáveis em nenhum de seus cursos. Portanto, a Turquia se sente livre em usar suas águas como desejar, e por fim ignora passados acordos com Síria e Iraque. A Turquia é militar e economicamente mais forte do que esses dois países e, portanto, pode lidar com acordos provisórios para compartilhar a água, mas não com um tratado definitivo. Depois de muitas negociações fracassadas, Ancara esteve disposta a assinar um protocolo de três partes em 1987 com Síria e Iraque, no qual se comprometia a “ceder-lhes” 500 metros cúbicos de água por segundo de “suas” águas do Eufrates.

IPS - Então, chegou-se a uma solução...

HA - Bem, isto não está funcionando de forma adequada. A Turquia constrói grandes represas, como a de Atarturk, iniciada em 1983, e o grande projeto hidrológico na região de Anatolina, que Síria e Iraque temem que tenham impacto em sua parte das águas “turcas”.

Por sua vez, a Síria construiu em 175 a represa de Tabqa nesse rio, um projeto que despertou o perigo de um conflito armado ali e no Iraque. Bagdá considerou que a Síria estava roubando parte de sua água, enquanto Damasco dizia que de fato estava cedendo ao Iraque algo de sua própria parte.

IPS - Os vizinhos do Iraque podem privar esse país de água?

HA - Isto de fato já ocorreu em 1991, durante a primeira guerra do Iraque. Sua parte dos recursos hídricos foi reduzida em 50%. A água sempre foi uma ferramenta política, econômica e militar. Há uma perigosa carência de “justiça da água”, em termos de uma justa divisão e acesso a ela.

Há muitas formas de negar acesso à água. Por preço nela é uma. Se há cobrança pela água, o acesso somente será permitido a quem puder pagar, sendo negada aos mais vulneráveis. A falta de justiça na água afeta todos os países em desenvolvimento. há uma clara linha de separação entre países com excedente de água e os que têm déficit. Isto coincide com as linhas entre o Norte e o Sul.

Agência Envolverde/IPS

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Briga de Cachorro Grande! EUA x CHINA


Briga de Cachorro Grande

O calote do Dólar

Desta vez não foi nenhum palpiteiro mal-humorado que cantou a degringolada dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos no mercado como treasuries. Foi o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, já externou preocupações sobre a capacidade futura do Tesouro americano de honrar sua dívida.

Em linguagem mais simples, o governo chinês avisou que teme o calote do governo dos Estados Unidos. Convém levar em conta que, no final de dezembro, a China detinha nada menos que US$ 1,9 trilhão em reservas externas, das quais pelo menos US$ 739,6 bilhões estavam aplicados em treasuries. A China é o maior credor dos Estados Unidos.

A contundência de Wen não caiu no vazio. Domingo, na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: "Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos."

Wen Jiabao não está refletindo uma preocupação apenas do seu governo. Está verbalizando o que muitos analistas vêm se perguntando. O rombo orçamentário do governo americano deste ano fiscal (que se encerra em setembro) está projetado em US$ 1,5 trilhão, o que exigirá aumento da dívida. Apenas o pacote fiscal destinado ao socorro dos bancos será de pelo menos US$ 1 trilhão. No entanto, o déficit patrimonial dos bancos é de pelo menos US$ 2 trilhões, o que sugere a necessidade de emissão de mais títulos. Como não há o que chegue, é natural perguntar até onde vai esse despejo de títulos no mercado e se, de uma hora para outra, não pode ocorrer a rejeição deles.

Isso não é tudo. Esses títulos estão em dólar. Se houvesse forte desvalorização do dólar, a própria dívida do país seria fortemente desvalorizada. Num ambiente de juros básicos próximos do zero, em que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode despejar dólares "de helicóptero", como já disse Ben Bernanke, presidente do Fed, não seria tão despropositado perguntar se o dólar não correria o risco de virar pó.

Embora muito se tenha escrito sobre o assunto, até agora, a solidez dos treasuries e do próprio dólar nunca foi seriamente questionada. A cada surto de intranquilidade ou de crise de confiança, é neles que os investidores buscam refúgio. De qualquer forma, as declarações de Wen suscitam novas questões.

A primeira delas tem a ver com o verdadeiro interesse de Wen. Na condição de credor mais importante dos Estados Unidos, o governo chinês seria o menos interessado numa desvalorização da dívida americana e do próprio dólar. A simples declaração do primeiro-ministro chinês poderia, em princípio, provocar uma desvalorização patrimonial da China.

Talvez o governo chinês esteja apenas tentando desencorajar novas e crescentes pressões do governo americano pela valorização do yuan, a moeda chinesa. Ao lembrar publicamente que detém o maior estoque de títulos do Tesouro, Wen parece avisar que, no limite, pode usá-los como poder de barganha. Bastaria que despejasse uma pequena parcela deles no mercado para provocar a derrubada das cotações do dólar e dos próprios treasuries.

CREDORES DOS EUA

Em bilhões de dólares

China: 739,6
Japão: 634,8
Exportadores de petróleo: 186,3
Centros bancários do Caribe: 176,6
Brasil: 133,5
Reino Unido: 124,2
Rússia: 119,6