sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Cardápio do Dia - Garcia Márquez e Emir Sader


Caros e Caras,

Hoje o blog vem com carga pesada. Material excelente que busquei na net ontem.

Pra quem gosta de Gabriel Garcia Márquez, nossa leitora Camila Alves já declarou seu gosto por ele, trago o relato do seu biográfo numa história bem interessante sobre como conseguiu fazer e finalizar a monografia desse belíssimo autor. No texto temos uma notícia ruim, mas esperada. O fato de que o Gabo não irá escrever muito mais. De fato o avançar da idade vai dificultanto e nós admiradores de sua obra temos que aceitar esse fato. Em momento algum isso diminui nosso grande autor.

Aliás, isso vem sendo um drama pra mim. Muito novidade e de maneira muito rápida. Mitos e ídolos da minha vida estão morrendo ou deixando de produzir. Ou ainda quando teimam fazem besteiras, como no caso da praça da soberania do Niemeyer. E também quando todos os grandes jogadores de futebil que estão surgindo são dez anos mais novo que vc, é a prova real do fim do sonho de ser jogador de futebol! (eita sonho que demorou pra passar. rsrsrs).

Por último trago um excelente texto do Emir Sader sobre o Fórum Social Mundial. Impressionante como o Emir tem uma clareza do que pode significar e o que significa o Fórum. Lembro em 2003 ele criticando a ausência dos partidos políticos no comitê e hoje o Foro de São Paulo acompanha as reuniões. Hoje ele traz um importante debate sobre a participação de ONGs e Movimentos Sociais no FSM. Debate importante, pois até que ponto as ONGs ocupam o espaço que eram dos movimentos sociais e servem como primeiro espaço de contenção das demandas da sociedade organizada. Não me lembro o nome do professor que fazia doutorado em Política Social na UnB, em que ele analisa justamente isso. Tomando por base o processo da constituição, onde os movimentos atuaram de maneira importante, e no momento atual. Quando descobri passo pra vcs.

Particularmente pra mim esse debate é fundamental. Até mesmo um debate mais de fundo sobre o FSM. Encontrei muitos amigos e amigas na rua e virtualmente e quase todos perguntaram pq não fui ao FSM em Belém. Respondi que tinha ido em todos, até na India e menos no Quênia, e que não me motivava tanto pelo espaço, apesar de achar de grande importância. De outra forma que a minha muitas organizações veem o FSM. Vão pra lá, mas já com a percepção de que muito pouco acumula de concreto e com isso já vão desmotivada. Fazem sua reunião, algumas bilaterais e ponto. Enfim, isso é muito importante, o FSM é uma importante ferramenta na luta socialista internacional e esse ano teve a participação de 5 presidentes, contudo pode ser muito mais e motivar muito mais corações e mentes pelo mundo.

Bem, já escrevi demais e os textos são longos. Sei pelo Google Analytics que muitos só passam o olho nos textos. Mas sugiro de verdade dessa vez lê-los.

Grande Abraço!

'García Márquez não deve escrever mais', diz biógrafo


'García Márquez não deve escrever mais', diz biógrafo

Há 18 anos Gerald Martín está vivendo mais a vida de Gabriel García Márquez que a sua própria. Confessa isso no pátio do Claustro de Santo Domingo, enquanto a luz do Caribe se dilui no entardecer. O diz com um bom espanhol, que aprendeu desde os treze anos em um colégio inglês.

Por José Luis Novoa, no Terra Magazine

Quando saiu da adolescência decidiu que lhe interessava conhecer algo do chamado terceiro mundo, mas não aquele que tinha a ver com o velho império britânico, por isso a América Latina resultou num destino natural.

Escreveu 2.500 páginas do que até agora é considerada a biografia mais profunda sobre García Márquez, prêmio Nobel de literatura em 1982. As conveniências editoriais o obrigaram a deixá-la com um pouco mais de 500, que foram publicadas recentemente em inglês com o título de Gabriel García Márquez — A Life e pela qual o público hispano-americano deverá esperar até o próximo mês de outubro.

E não vai parar. "Já tenho mais de 6 mil notas de rodapé e espero continuar até a véspera da minha morte". Da sua biografia, o que considera um "oráculo" da América Latina, diz o contrário: "Eu acredito que provavelmente Gabo não vai escrever muito mais".
Começou como um projeto de quatro anos, que se tornaram dezoito até ver publicada a biografia, que foi precedida por um estudo crítico da obra e que será continuada com os "bastidores" da biografia, para a qual entrevistou centenas de poderosos e pessoas próximas ao escritor colombiano.

Antes de conhecer profundamente a obra de García Márquez, se dedicou, casualmente, a dois dos que são considerados seus principais rivais literários na América Latina: o guatemalteco Miguel Ángel Asturias e o peruano Mario Vargas Llosa.

Uma coincidência trágica o aproximou muito mais de García Márquez. Em 1995 Martin começou a sua luta contra um câncer linfático, a mesma doença que atacaria o escritor poucos anos depois. Martín achou que a superstição de García Márquez sobre a morte o induziria a achar que o seu biógrafo tinha algo a ver com o seu próprio padecimento.

Foi ao contrário. "Gabo começou a me cuidar mais, como se fosse menos incômodo que no passado", diz. "Uma vez me disse que éramos colegas, guerreiros e sortudos sobreviventes".

Sobre o quanto de verdade ou de mentira há no que diz García Márquez, Martín opina que "mente pouco, mas inventa muito. Quase sempre há um núcleo de verdade no que diz, mas ele brinca, modifica, tira sarro dos jornalistas".

Conhecer o Gabo (Apelido de Gabriel Garcia Márquez)



Esta é, nas palavras do próprio Martín, a historia de como conheceu o escritor, há dezoito anos.

Como um inglês pérfido e cínico, decidi ir a Havana porque sabia que ele sempre ia ao Festival de Cinema. Pensei: ‘Se não for a minha vez de conhecer o Gabo, pelo menos era a minha vez de conhecer o festival de Havana’.

Fui em 1990. A primeira coisa que tive que fazer foi descobrir onde morava García Márquez, que era um grande segredo em Havana. Há muitos segredos em Havana e esse era um deles. Tomando muitos mojitos (bebida típica) finalmente um jovem de Zimbábue me disse que ele sabia onde morava García Márquez e eu perguntei a ele como havia descoberto. Então ele me contou isto:

Em um 31 de dezembro havia terminado o plantão noturno no hospital e com uns companheiros íamos pelas ruas, quando parou do meu lado um grande Mercury preto e dele desce um senhor de barba e com uniforme militar que me pergunta: "Rapaz, aonde vocês vão?" Dissemos a ele que íamos para casa, que estávamos mortos de cansaço. 'Não. Vocês vão a uma festa com um grande amigo meu', nos disse".

Naturalmente eles foram para a casa de García Márquez, que sempre faz uma festa no dia 31 de dezembro em Havana. Ali estavam ele e Mercedes, a sua esposa e, naturalmente, eles iam guiados pela mão de Fidel Castro.

Fidel Castro negou a minha historia, dizendo-me que simplesmente era uma invenção e que esperava que todo o que eu colocasse na biografia não fossem coisas desse tipo. Gabo me disse que evidentemente era mentira, mas era tão convincente que eu continuo acreditando nessa historia. E, de todos os modos, o jovem de Zimbábue sabia mesmo onde morava García Márquez. E me orientou que se não pudesse chegar pelas boas maneiras, poderia chegar pelas más, quase como os jornalistas dos tablóides britânicos que colocam o pé na porta.

A verdade é que sim, fui um dia desesperado à casa de García Márquez. É verdade, e coloquei o meu pé na porta. Então veio uma pessoa que eu conhecia bastante, que era uma amiga e companheira de García Márquez e que me disse, quando eu já quase estava apertando a campainha, que se eu fizesse isso, García Márquez nunca falaria comigo. 'E vai perder esta biografia'.

Estive com essa mulher há duas semanas e ela me levou de novo à casa de García Márquez. Quando cheguei, ele estava com o meu livro nas mãos. Isso é o que se chama um final feliz depois de 18 anos.

Aquele dia ela me disse que eu esperasse e quatro horas depois recebi uma mensagem que dizia "Vou te dar dez minutos. Meu Mercedes preto vai te buscar. Não disse Mercedes preta, então eu sabia que não se tratava da sua esposa. O carro veio e o resto é historia.

Mais Movimentos, Menos ONGs no Fórum Social


Emir Sader: mais movimentos, menos ONGs no Fórum Social

Um balanço do FSM (Fórum Social Mundial) de Belém não deve ser feito em função de si mesmo. Ele não nasceu como um fim em si mesmo, mas como um instrumento de luta para a construção do “outro mundo possível”. Nesse sentido, qual o balanço que pode ser feito do FSM de Belém, do ponto de vista da construção desse “outro mundo”, que não é outro senão o de superação do neoliberalismo, de um mundo pósneoliberal?

Por Emir Sader, na Carta Maior

Duas fotos são significativas dos dilemas do FSM: uma, a dos 5 presidentes que compareceram ao FSM — Evo, Rafael Correa, Hugo Chávez, Lugo e Lula —, de mãos dadas no alto; a outra, a fria e burocrática de representantes de ONGs brasileiras em entrevista anunciando o FSM.

Na primeira, governos que, em distintos níveis, colocam em prática políticas que identificaram, desde o seu nascimento, o FSM: a Alba, o Banco do Sul, a prioridade das políticas sociais, a regulamentação da circulação do capital financeiro, a Operação Milagre, as campanhas que terminaram com analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, a formação das primeiras gerações de médicos pobres no continente, pelas Escolas Latinoamericanas de Medicina, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Segurança, o gasoduto continental, a Telesul — entre outras. A cara nova e vitoriosa do FSM, nos avanços da construção do posneoliberalismo na América Latina.

Na outra, ONGs, entidades cuja natureza é fortemente questionada, pelo seu caráter ambíguo de “não-governamentais”, pelo caráter nem sempre transparente dos seus financiamentos, das suas “parcerias”, dos mecanismos de ingresso e de escolha dos seus dirigentes — a ponto que, em países como a Bolívia e a Venezuela, entre outros, as ONGs se agrupam majoritariamente na oposição de direita aos governos.

Sua própria atuação no espaço que definem como “sociedade civil” só aumenta essas ambigüidades. Entidades que tiveram um papel importante no inicio do FSM, mas que monopolizaram sua direção, constituindo-se, de forma totalmente não democrática, como maioria no Secretariado original, deixando os movimentos sociais, amplamente representativos, como a CUT e o MST, em minoria.

A partir do momento em que a luta antineoliberal passou de sua fase defensiva à de disputa de hegemonia e construção de alternativas de governo, o FSM passou enfrentar o desafio de se manter ainda sob a direção de ONGs ou passar finalmente ao protagonismo dos movimentos sociais. No FSM de Belém tivemos a primeira alternativa, no momento daquela fria e burocrática entrevista coletiva das ONGs.

E tivemos, como contrapartida, sua formidável cara real, com os povos indígenas e o Forum PanAmazonico, com os movimentos camponeses e a Via Campesina, com os sindicatos e o Mundo do Trabalho, com os movimentos feministas e a Marcha Mundial das Mulheres, os movimentos negros, os movimentos de estudantes, os de jovens — com estes confirmando que são a grande maioria dos protagonistas do FSM.

O FSM transcorreu entre os dois, entre a riqueza, a diversidade e a liberdade dos seus espaços de debate, e as marcas das ONGS, refletidas na atomização absoluta dos temas, na inexistência de prioridades — terra, água, energia, regulação do capital financeiro, guerra e paz, papel do Estado, democratização da mídia, por exemplo. À questão: o que o FSM tem a dizer e a propor de alternativas diante da crise econômica global e diante dos epicentros de guerra — Palestina, Iraque, Afeganistão, Colômbia —, que propostas de construção de um modelo superados do neoliberalismo e de alternativas políticas e de paz para os conflitos, a resposta é um grande silêncio.

Houve várias mesas sobre a crise, nem sequer articuladas entre si. As atividades, “autogestionadas”, significam que os que detêm recursos — ONGs normalmente entre eles — conseguem programar suas atividades, enquanto os movimentos sociais se vêem tolhidos de fazer na dimensão que poderiam fazê-lo, para projetar-se definitivamente como os protagonistas fundamentais do FSM.

Para os que acreditam que o fim do FSM é o intercâmbio de experiências, devem estar contentes. Para os que chegaram angustiados com a necessidade de respostas urgentes aos grandes problemas que o mundo enfrenta, a frustração, o sentimento de que a forma atual do FSM está esgotada, que se o FSM não quer se diluir na intranscendência, tem que mudar de forma e passar a direção para os movimentos sociais.

Surpreendente a quantidade e a diversidade de origem dos participantes, notáveis as participações dos movimentos indígenas e dos jovens, em particular, momento mais importante do FSM a presença dos presidentes — cujas políticas deveriam ter sido objeto de exposição e debate com os movimentos sociais de maneira muito mais ampla e profunda.

Triste que todo esse caudal não fosse ouvido, nem sequer por internet, a respeito do próprio FSM, das duas formas de funcionamento, da sua continuidade — outro sintoma do envelhecimento das conduções burocráticas dadas ao FSM. No dia seguinte ao final do FSM, reuniu-se o Conselho Internacional, de maneira fria e desconectada do que foi efetivamente o FSM, em que cada um — seja desconhecida ONG ou importante movimento social — tinha direito a dois minutos para intervir.

O “Outro mundo possível” vai bem, obrigado. Enfrenta enormes desafios diante dos efeitos da crise, gestada no centro do capitalismo e para a qual se defendem bastante melhor os que participam dos processos de integração regional do que os que assinaram Tratados de Livre Comercio. Enfrentam a hegemonia do capital financeiro, a reorganização da direita na região, tendo no monopólio da mídia privada sua direção política e ideológica. Mas avança e deve-se se estender, sempre na América Latina, para El Salvador, com a provável vitória de Mauricio Funes, candidato favorito, da Frente Farabundo Marti à presidência, em 15 de março próximo.

Já não se pode dizer o mesmo do FSM, que parece girar em falso, não se colocar à altura da construção das alternativas com que se enfrentam governos latinoamericanos e da luta de outras forças para passar da resistência à disputa hegemônica. Para isso as ONGs e seus representantes tem, definitivamente, que passar a um papel menos protagônico no FSM, deixando que os movimentos sociais dêem e tônica.

Que nunca mais existam conferências como aquela de Belém, que nunca mais ONGs se pronunciem em nome do FSM, que os movimentos sociais — trata-se do Forum Social Mundial — assumam a direção formal e real do FSM, para que a luta antineoliberal trilhe os caminhos da luta efetiva por “outro mundo possivel” — de que a América Latina é o berço privilegiado.

Mais homenagens para Adão Pretto

Reproduzo aqui um poema do poeta Pedro Tierra.

Há uma gaita que geme e desafia
Filho do barro

e da esperança: Adão.



Pai

da palavra, da trova, do canto,

apoiado na gaita e na invenção.


Regressas ao barro,

na estação das chuvas,

como quem fecunda...

Levas no corpo que baixa sobre o pampa

– e se enterra com a lágrima

de teus irmãos e amores e filhos e sonhos –

a surda condição da semente.


Em que madrugada

o corpo de Adão Pretto

se apartou do barro

e se fez vagido, grito, palavra, canto?


Em que marcha as foices

levantaram a vontade da manhã,

acenderam a luz azul dos seus olhos

e desataram o rio da palavra

que brotou de sua garganta?


Havia uma cruz e uma encruzilhada.

Havia frio. E medo.

E a morte dos anjos.

Havia panos brancos sobre os braços da cruz

como bandeiras de paz.

Para que não se extravie a memória dos anjos.


Havia medo.

E a palavra como centelha

acendendo no acampamento

uma canção de coragem.

Ouvidos que ouvem e olhos que brilham

contra a tarde de cinzas.


Há uma gaita que geme e desafia.

Sempre haverá

enquanto houver ouvidos

que acolham e desafiem a ordem,

o medo, a submissão.


Não houve tempo para colher a semeadura.

Mas houve tempo suficiente para erguer os olhos

e deixá-los contemplar a bandeira vermelha

– sinal de terra livre –

no portal dos assentamentos.


Há uma gaita que geme e desafia

a ordem, o medo, a submissão.

A gaita de Adão Pretto

desafia o silêncio.


Brasília, 05 de fevereiro de 2009.

Pedro Tierra

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Valeu a luta Adão Pretto! Sempre presente...


Uma Homenagem ao Adão Pretto - O quadro Campesino Catalão lutando pela Terra de Juan Miró! A mostra que a luta pela terra e por trabalho é internacional!




Com muita tristeza o texto de hoje. Nessa quinta, 5 de fevereiro, faleceu o grande companheiro Adão Pretto. Ele foi um dos fundadores do MST, era deputado federal e um combatente na luta em defesa dos trabalhadores e pelo socialismo.

Sempre humilde e divertido ele é uma pessoa marcante. Sua simplecidade era algo cativante. Foi bem lembrado pela companheira Alê Terribili em seu blog hj dos tempos que passávamos em seu apartamento em Brasília. Uma casa sempre aberta aos estudantes, campesinos e trabalhadores. Literalmente uma casa do povo! E os encontros que tínhamos nestes momentos mostrava muito bem que nós e ele eramos iguais. Como muito bem resume o slogan de seu mandato: um pé na luta e outro no parlamento.

Certamente sua família e amigos estão sofrendo muito. Mas não perdemos só uma pessoa. Perdemos um exemplo de que o povo organizado faz acontecer. Sempre enfrentou grandes batalhas, seja de superar suas limites de formação até o embate político direto com os ruralistas.

Quando afirmamos que ele sempre estará presente será principalmente por isso, pela sua luta e exemplo. Certa vez um amigo, o Zé Ricardo, disse que nossa vida continua na terra pelo aquilo que construimos e que isso sim seria a vida eterna. Pois bem, tomando isso por referência podemos afirmar que nosso Adão terá uma grande vida eterna.

Hoje o mundo fica mais triste e perde um grande lutador de uma sociedade mais justa e igualitária!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Uma pequena Brincadeira!

De uma idéia dada por um amigo meu, Tadeu Fanis

Novo Colunista Marcelo Arruda - A vida não se resume a Forum Sociais...


Caros e Caras,

primeiro quero agradecer o grande público de ontem, superamos nossa marca historica de acesso ontem. Tamo até parecendo o Lula com sua popularidade... Menos né?

Mas hoje trago a notícia de nosso novo colunista Marcelo Arruda. Conheço o Marcelo deve fazer quase uma década. Entre os corredores da UnB ou na luta do movimento estudantil ou num debate fraterno nós nos conhecemos. Entre acordos e desacordos fomos de nossos CAs mais ou menos na mesma época, estivemos no comando de Greve em 2001 e reabrimos o DCE em 2002.

Sempre carreguei um grande respeito pelo camarada. Hoje, depois de muito brigar, somos até companheiros da mesma corrente no PT, a Articulação de Esquerda. Tínhamos de ter descoberto essa afinidade mais cedo! rsrs Brincadeira Marcelo!

Hoje Marcelo é um dos responsáveis pela Rádio Comunitária Rala-Coco na UnB e milita no Intervozes. Rádio essa que surgiu durante a greve de 2001, foi mantida a duras penas pela militância de comunicação social e instrumento importante durante a ocupação da reitoria da UnB ano passado.

Nosso colunista traz um texto sobre o Fórum Social Mundial e seus desafios na visão dos lutadores da comunicação.

Segue o texto de Marcelo Arruda:

"A vida não se resume a Forum Sociais..."

Nas semanas anteriores ao Fórum Social Mundial, várias Rádios Comunitárias foram fechadas em Belém. Estes eram um dos poucos meios de comunicação que estavam transmitindo uma visão do evento que iam além do festivo-turístico. Todas elas estavam transmitindo desde a UFPA para toda Belém no espaço de Comunicação Compartilhada do Fórum de Rádios.

Além disso, foi anunciada a convocação 1ª Conferência Nacional das Comunicações. Posteriormente mais de 200 pessoas estiveram presentes na plenária promovida para debater a conferência, já começando a organizar a sociedade civil no processo. As falas deste espaço apontaram a necessidade de organização popular nas etapas estaduais.

Este dois fatos, entre muitos, mostram como os desafios da vida real serão marcantes na luta pelo direito a comunicação. Mesmo dentro do Fórum, esta perspectiva entra em choque com uma realidade existente de verticalização, restrição e criminalização de uso dos meios, conseqüências do sistema comunicações existente no Brasil. O que nos impõe, citando Marcos Dantas , desafios de “fomentar, fortalecer, consolidar os sistemas não-comerciais de comunicações, as publicações, emissoras, portais, sítios ou blogs que prestem serviço ao público, na sua diversidade, não sendo e não podendo, por isto, serem sustentados por anúncios publicitários, nem servirem à ideologia do mercado.”

Tivemos espaços de reflexão ricos neste sentido, espaços que não existem na dinâmica da luta concreta. Seja pela falta de tempo que a mesma é conseqüente e até pela própria ontologia do Fórum apontar para isso. Sem falar nos espaços de Comunicação Compartilhada, em que se mostrava na prática como poderiam contrapor o modelo da grande mídia. Que poderiam ser ocupados a quem esteve presente no Fórum. E podem estimular que, quando os participantes voltarem para seus lares, estes contruam seus próprios meios de comunicação com seus próprias formas de distribuição.

Os espaços de troca de Experiência do FSM devem apontar a organização de uma nova realidade, onde se horizontaliza a possibilidade de uso da Comunicação. Afinal, é na prática que se constrói o mundo que pensamos e queremos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Contra o Aumento dos Ônibus no DF


Recentemente o Governo Arruda do Factóide aumentou as passagens de ônibus. O precário transporte público do DF padece e sua péssima qualidade já prejudica muitos trabalhadores e trabalhadoras. Com essa medida, em meio ao avanço do desemprego, a vida de muita gente será prejudicada.

Já não bastasse o novo PDOT, que impulsiona a especulção imobiliária e deixará ainda mais caótico o transporte no DF.

Segue a nota do PT-DF

NOTA PÚBLICA À POPULAÇÃO DO DF

Enquanto o mundo inteiro vive assolado por uma crise econômica internacional, deflagrada nos Estados Unidos, o governo brasileiro mantém uma política voltada aos interesses nacionais, com foco na defesa dos trabalhadores. A prova disso reside no aumento concedido no salário mínimo em 12% a partir de fevereiro.

Na contramão dessa política o Governo Arruda aumenta a tarifa de microônibus e metrô em 50% do já oneroso e precário sistema de transporte do Distrito Federal. Tal atitude é inaceitável. Enquanto o Governo Federal tem sua política orientada para proteção da população, o governo local alimenta a indesejável ciranda inflacionária no DF e retira dos trabalhadores os ganhos proporcionados pelo Governo Federal.

O Partido dos Trabalhadores se soma a indignação da população usuária de transporte urbano e exige do Governador do DF a revogação desse abusivo aumento. Não é possível que frente a essa crise internacional que o país enfrenta, a ameaça patronal de desemprego, o governo local ataque de forma tão traiçoeira os interesses dos trabalhadores.

Não ao aumento das passagens.

Contra a política de ataque aos trabalhadores.

Partido dos Trabalhadores do DF

Juventudes no Chile!


Leitores e Leitoras do Blog,

hoje visitando alguns sites me deparei com essa iniciativa das juventudes partidárias da Concertacion Chilena. Me parece algo muito positivo e importante no que diz respeito ao governo Bachelet. No Brasil tentamos fazer algumas reuniões como está, entre as juventudes da base do governo, mas a política aqui tem nuances muito diferentes e que dificulta ações como esta.

Durante a gestão da Secretaria Nacional de Juventude do PT recompomos as relações com a JS e a JPD, em especial com a JS. Importante fato, pois eles tem uma história de organização juvenil muito grande. Entre os inúmeros encontros o mais especial foi a vinda do Daniel Melo, presidente da JS e este na foto, e o Daniel Manouchehri, coordenador de RI e vice-presidente da IUSY para América Latina, ao Congresso da JPT em maio do ano passado.

Fica aqui minha saudação aos compas do Chile e que tenham êxito em suas demandas!!
Segue as notícias:


TERRA:
Crónica


Exigen cambio de estilo

Juventud PS manda carta a Bachelet pidiendo participar del Comité Político de la Concertación


El presidente de la juventud socialista, Daniel Melo, comentó los alcances de la misiva enviada a la Mandataria, en la cual solicitan incluirlos en las reuniones políticas.

SANTIAGO, enero 29.- Hacer participar a los jóvenes en la política ha sido una de las premisas de la administración de la Presidenta Michelle Bachelet, la que se reflejó en el sentido inclusivo que el Gobierno argumentó para impulsar la reforma constitucional de voto voluntario e inscripción automática. No obstante, los timoneles de las juventudes de los partidos de la Concertación instaron al Ejecutivo a "abrirse a la renovación y los nuevos aires", tras solicitar, a través de una carta, su inclusión en el comité político de los lunes junto a los líderes de las tiendas oficialistas.

El presidente de la juventud socialista, Daniel Melo, comentó los alcances de la misiva enviada a la Mandataria, en la cual solicitan incluirlos en las reuniones políticas.

"Solicitamos participación, ya que somos un aporte generacional. Con la aprobación del voto voluntario se abre un espacio para los jóvenes en la política y en la democracia y, en ese sentido, las juventudes de la Concertación deben tener un espacio significativo e importante", sostuvo.

El dirigente se declaró "confiado" en la buena acogida que puede tener la petición por parte del Ejecutivo, lo cual calificó como "una señal a los jovenes, y en ese sentido esperamos que la Concertación se la juegue y se den cuenta que estamos para grandes cosas y para eso la juventud política tiene una visión importante".

"Los jóvenes en política le darán ese nuevo aire que la Concertación necesita para derrotar a la Alianza en las próximas elecciones, porque los jóvenes chilenos no están por el mercado ni por las ganacias; sino que se busca poder político", manifestó.

Asimismo, reconoció la "falta la capacidad de oir a las nuevas generaciones", pero no sólo de la multipartidista gobernante, sino que en la sociedad en general y planteó que por eso "vinimos a reivindicar nuestro rol y que el conglomerado entienda que para derrotar a la derecha se necesita un programa de cambio".

La petición realizada en conjunto con sus pares radicales, democratacristianos y pepedés se fundamenta por la "necesidad de estar presente para exponer nuestras demandas, tales como una educación pública, una nueva Constitución o los derechos ciudadanos".

A modo de conclusión, el concertacionista añadió a ORBE que "estamos por una combinación generacional que relacione experiencia con rostros nuevos y recambio en la política"

Finalmente, Melo se declaró confiado de que "la próxima semana tengamos una respuesta formal de la Presidenta y también de los partidos, porque éste es el minuto para reinvindicar los espacios políticos para los jóvenes, y para eso la Concertación se la tiene que jugar por el cambio de estilo y de forma a la nueva vida de la política".

Fuente: ORBE

EMOL:
Presidentes de juventudes de la Concertación envían carta a Bachelet pidiendo entrar al comité político


Se unieron los cuatro presidentes de las juventudes de partidos de la Concertación y le enviaron en conjunto una carta a la Presidenta Bachelet. Nicolás Navarrete (PPD), Cristián Fernández (PRSD), Daniel Melo (PS) y Héctor Gárate (DC) le piden nada menos que integrarse formalmente al comité político en el que se reúnen los presidentes de los partidos oficialistas todos los lunes con la Mandataria.

En la carta dicen además que no los han invitado a integrar comisiones ni han podido participar de la elaboración de políticas públicas. Y en uno de los puntos principales afirman que "la posible puesta en marcha de la inscripción automática y voto voluntario para las próximas elecciones presidenciales nos posiciona en la primera línea al momento de liderar un trabajo marcado por la seducción y las ideas renovadas".

Homenagem à Iemanjá! 2 de Fevereiro

Hoje é dia de Iemanjá! Como uma forma de homenagem divulgo um pouco sobre essa deusa doCamdonblé e da Umbanda!





Rainha do mar, Iemanjá é a grande mãe do panteão umbandista. A palavra Iemenjá vem de yeyé omo ejá, que significa mãe cujos filhos são peixes. Diz a lenda que o mar é salgado pelas lágrimas que Iemanjá verteu por seus filhos que partiram. Acredita-se que o culto a Iemanjá surgiu entre os egbá, um dos povos ioruba. Para eles, Iemanjá era a orixá do rio Ogum que corre pela atual Nigéria. No entanto, há outros mitos africanos que falam de Iemanjá, o que dificulta a definição precisa da mitologia dessa orixá. Pode-se dizer que a existência de mitos variados no oeste africano envolvendo Iemanjá são um indicativo da importância dessa orixá na religiosidade ioruba. Para alguns, ela é filha de Olokum, o senhor do mar; para outros, é filha de Obatalá com Oduduá. Uma das lendas diz que Iemanjá foi esposa de Orunmilá e depois, de Olofin, rei de Ifé. Iemanjá foi mãe de muitos filhos, entre eles, Oxóssi, Ogum e Xangô.

Houve uma transformação na mitologia de Iemanjá quando essa orixá passou a ser cultuada no Brasil. Na África, ela era orixá da água doce e no Brasil está fortemente ligada ao mar. Provavelmente, isso se deve ao processo histórico em que os negros foram trazidos de suas terras na África para servir como escravos no Brasil em cidades litorâneas.

Iemanjá é a mãe zelosa que cuida de seus filhos com afeto e autoridade. Está sempre de braços abertos para acolhê-los. Iemanjá lembra a mulher madura, mas vigorosa, que exerce grande influência no lar. Ao mesmo tempo, Iemanjá no Brasil, está fortemente ligada à proteção das pessoas ligadas ao mar. Ela protege pescadores e navegantes. No Brasil, há inúmeras celebrações a Iemanjá em cidades litorâneas. Essas festividades repercutem na sociedade, tornando Iemanjá a orixá mais conhecida entre a população não adepta.

Da mesma forma que Oxum, Iemanjá está ligada à maternidade. Oxum, porém, é arquétipo da mãe jovem e sua ligação é com a gravidez, a lactação e com as crianças pequenas. Já, Iemanjá se associa mais à imagem da mãe de filhos criados. Iemanjá é vaidosa, gosta da cor do azul do mar, de roupas bonitas e vistosas, de jóias caras, de respeito e consideração.

Simbolismos ligados a Iemanjá

Axé: a energia sagrada de Iemanjá está nas águas, principalmente as do mar.

Cor: azul claro.

Dia da semana: sábado.

Elemento natural: água.

Número: 7

Objetos: conchas e pedras marinhas.

Protegidos: as pessoas que vivem do mar e no mar.

Santa católica: Nossa Senhora da Conceição.

Saudação: odó iyá.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sobre Samba!



Caros leitores e leitoras,

Nesse domingão, dia que geralmente não escrevo, decidi trazer pra vocês um pouco sobre o samba. Além do carnaval estar chegando, eu tb decidi fazer aulas de dança de gafieira. Não sei onde estava com a cabeça, pois nunca tive ritmo nenhum e estou apanhando muito pra conseguir aprender.

Nos últimos anos o samba vem ganhando uma legião de fãs e vem se tronando meio que o ritmo da moda. Ploriferam-se sambinhas por Brasília, nem todos com a qualidade devida. Lembro da história de meu amigo Áli. Uma vez ele estava na sala do trabalho(não é o trabalho atual) chega uma patricinha com um CD do Martinho da Vila e ela diz: olha o CD novo do Martinho que comprei. E nosso amigo Áli pensa: Novo? eu tenho esse CD deve fazer bem uns 10 anos. rsrs

Resumidamente é isso que está acontecendo com samba nos últimos anos. As palavras de um outro amigo bem são boas, nosso colunista HFdT, dizendo sobre um sambinha aqui de Brasília: Eu não vou pra aquele lugar não, um samba horrível, mal tocado, que não tem um negro na roda e só serve pro povinho meio intelectual, meio de esquerda mostrar que é cult. O samba tb se tornou cult! E daí outra forma de avanço da cultura do samba.

Foi justamente essa frase que me fez aprender a dançar samba, pois gosto de samba faz muito tempo e não acho ruim a ploriferação de sambinhas. Isso pq assim posso escutar mais samba. Mas o fato de ser confundido com essa turminha que gosta de samba faz pouco tempo e ficar dançando como um idiota me incomodava. Quero não só gostar de samba, mas ter samba na veia!

E com intuito de divulgar um pouco mais o samba fiz uma coletânea de textos pra trazer um pouco mais sobre o samba! Desta forma, espero estar contribuindo pro samba não morrer assim que acabar a nova moda...

Muito bom o Texto


Sobre Samba

A palavra samba surgiu de vários elementos africanos e
o samba do Rio de Janeiro surgiu do batuque africano, de
Angola e do Congo.

Antes do surgimento do samba propriamente dito, se
dançava o batuque africano em filas ou em rodas com o ritmo
sendo acompanhado por palmas. Desde o século XVII já se
dançava ao ar livre, danças de origem provavelmente
portuguesa, que com a influência negra deu origem a danças
rurais que recebiam o nome de xiba, no Rio de Janeiro, cateretê,
em Minas Gerais e fandango nos estados do sul.

Depois da abolição da escravatura, no final do século
XIX, se formaram basicamente duas vertentes do samba, a
primeira na Cidade Nova/Praça Onze, onde nomes como
Pixinguinha e Donga estavam presentes, esse samba tinha uma
grande influência do maxixe, e desse samba surgiu
posteriormente o samba dançado a dois, o samba de gafieira.
Que foi a mistura do maxixe com outras danças
européias.

A segunda vertente foi a que subiu o morro, levada por
problemas socio-econômicos da época, onde deu origem, entre
outras coisas, às escolas de samba, e na forma dançada, ao
samba-no-pé. Foi nessa vertente que a percussão, oriunda do
batuque africano, se fez mais presente.

O primeiro samba oficialmente gravado foi o "Pelo
Telefone" datado de 1917. Foi registrado em nome de Donga,
mas pesquisadores indicam que além de Donga outros músicos
participaram da composição na casa de Tia Ciata na Cidade
Nova. Donga porém foi o único a ter visão comercial.
Posteriormente Mauro de Almeida conseguiu constar
como co-autor.

Dança-se a dois quase todos os sambas, alguns
exemplos:

Samba-enredo: não aconselho a tentar a dois, é mais
indicado para o samba-no-pé, ou simplesmente para pular,
como no carnaval. É composto especialmente para o carnaval,
para os desfiles das escolas de samba. É cantado e dançado
também nas quadras das escolas de samba.
Choro ou chorinho: permite os dançarinos viajarem na
melodia, para quem está começando é mais difícil, pois
geralmente é rápido e o ouvido tem que estar treinado para
sentir a marcação.
Samba-canção: melódico, suave e muitas vezes
cantado, às vezes é dançado até como bolero, se for muito
lento, mas o correto é dançar como samba.
Samba: o samba propriamente dito, do Rio de Janeiro
são ótimos para dançar.
Pagode paulista: ou sambalanço, apesar de não ser dos
mais ricos musicalmente, é fácil de dançar pois é de modo geral
lento.
Samba de breque: caracteriza-se por paradas súbitas
(breques) na execução da música, onde se encaixam frases
faladas. Criado no início da década de 1930. dança-se da mesma
forma que o samba normal, exceto que se para junto com os
breques.

Gafieira

Gafieira é o local onde, por volta do fim do século XIX e início do século XX em diante, tradicionalmente as classes mais humildes podiam freqüentar para praticar as danças de casal, ou danças de salão. Não chegava a ser um clube e sim uma alternativa para essas pessoas e, pelo que consta a história, as gafieiras sempre existiram no município do Rio de Janeiro.

Samba de Gafieira

A partir de meados da década de 1940 e ao longo da década de 1950, o samba sofreu nova influência de ritmos latinos e americanos: surgiu o SAMBA DE GAFIEIRA, mais propriamente uma forma de tocar ,geralmente instrumental, influenciada pelas orquestras americanas,( adequada para danças aos pares praticadas em salões públicos, gafieiras e cabarés) do que um novo gênero.

Existem no Rio de Janeiro diferenças no samba
dançado. De modo geral é o mesmo
samba, mas pode-se dividi-lo em três estilos :
Samba rasgado (rápido);
Samba lento sem ginga com técnica apurada;
Samba com ginga sem técnica apurada.

Um dos principais aspectos observados no estilo samba de gafieira é a atitude do dançarino frente a sua parceira: malandragem, proteção, exposição a situações supresa, elegância e ritimo, além de uma quase total predominância na condução da relação que se estabelece na hora da dança, onde o homem conduz a sua dama, e nunca o contrário. Diz-se que, antigamente, o malandro da Lapa fazia uso de um terno branco, sapatos preto e branco, ou marrom e branco, camisa preto e branca ou azul e branca, litradas horizontalmente, por debaixo do paletó, além de um Chapéu Panamá ou Palheta - há uma confusão sobre esses dois chapéus, parecidos de longe, porém, de perto bem diferentes - e, dentro do bolso uma navalha. A mão sempre ficava dentro de um bolso na calça segurando a navalha em prontidão para o ataque; a outra gesticulava normalmente; suas pernas não andavam uma do lado da outra, paralelas, mas sempre uma escondendo o movimento da outra, como se estivesse praticamente andando sobre uma linha. Dançando, o dito "malandro" sempre protege sua dama, dando a ela espaço para que ela possa se exibir para ele e para o baile inteiro ao seu redor e, ao mesmo tempo, impedindo uma aproximação de qualquer outro homem para puxá-la para dançar. Daí também a atitude de se sambar com os braços abertos, como se fosse dar um abraço, além de entrar no ritimo da música, proteger sua dama. A principal figura da do samba de gafieira é o gancho, que, como o próprio nome diz, pode ser utilizado como início de um passo, ligação para outro passo ou até mesmo para finalização de uma frase de passos.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sobre o caso Battisti


Poucos dias atrás entramos em um longo debate sobre o caso Battisti. Impressionante como a mídia conseguiu criar um senso comum e não explicou nada. Simplesmente um factóide!

Não explicam nada sobre a prisão e condenação dele na Itália. Até mesmo Norberto Bobbio já escreveu sobre os absurdos praticados pela justiça naquele período. Culpado ou não Battisti foi um perseguido político e sua extradiação tem claro sentido político. Por óbvio a tradição brasileira é de conceder asilo.

Nesse episódio foi nojento o editorial da Bandeirantes. Eles fizeram um desserviço a nação. Ainda tiveram a pachorra de citar os dois atletas cubanos extraditados... Ora, se eles são atletas da seleção de um país eles são perseguidos políticos lá? Não citam por exemplo a concessão de asilo a banda cubana que estava em Recife.

Ou ainda temos que lembrar a concessão de asilo político ao senhor Alfredo Strossner, ditador paraguaio por 35 anos, responsável por um regime que matou milhares de paraguaios e destruiu o país. Uma hegemonia colorada de anos no Paraguai, que só foi quebrada em 2008 com a eleição de Fernando Lugo. Esse asilo foi duramente criticado mundialmente, sendo aprovado no parlamento do Mercosul seguidos pedidos de revogação desse asilo político do Brasil, até que o senhor Alfredo faleceu em 2006.

Vale lembrar ainda que a Itália negou a extradição do senhor Salvatori Carcciola. Este senhor ganhou rios de dinheiro no Brasil, aplicou um mega desfalque durante o Governo FHC, contando inclusive com ajuda do presidente do Banco Central do Brasil. Mas isso não interessa falar...

Me parece que a mídia, sem pauta, tentou muito mais fazer marola do que ter razão. Reproduzo aqui uma matéria que cita OAB e outros jurista em que diz que a decisão do MJ é soberana e constitucional. Assim como uma pequena entrevista que mostra como existe jurisprudência de sobra pra justificar a escolha do Brasil.

segue então as matérias!


Decisão de refúgio político a Battisti está dentro da lei, afirmam juristas
Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias

A decisão do Ministério da Justiça de conceder refúgio político a Cesare Battisti é soberana e deve ser respeitada. É o que afirmam juristas sobre a concessão de status de refugiado ao ex-ativista da esquerda radical, condenado a prisão perpétua por quatro assassinatos. O anúncio foi feito na terça-feira (13) pelo ministro Tarso Genro, cujo entendimento foi criticado por familiares das vítimas e pelo governo italiano.
Condenado por quatro mortes na Itália

Cesare Battisti, ex-ativista de extrema esquerda italiano, foi um dos chefes da organização de extrema esquerda Proletários Armados pelo Comunismo; na foto de março de 2007, é escoltado pela Polícia Federal ao chegar a Brasília (DF), onde estava preso à espera do processo de extradição

Para o especialista em direito internacional Durval de Noronha Goyos Jr, a decisão do ministro é correta e segue a Constituição, que veda a extradição por crime político. "O asilo político é um ato soberano do país, que não pode ser questionado por outro. O Brasil tem plena autonomia para conceder asilo, autorizado pela legislação brasileira, e cabe ao governo a análise de cada caso", afirma.

O mesmo diz Eduardo Carvalho Tess Filho, presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo. "A decisão está dentro da normalidade jurídica. Há regras para a concessão do refúgio, que têm de ser respeitadas. O Ministério da Justiça tem esse poder discricionário. E não é uma decisão do ministro, é do ministério", completa.

Os advogados de Battisti afirmam que ele foi julgado à revelia, sem direito à defesa, por quatro assassinatos. Dizem ainda que, em nenhum momento, ele foi condenado por terrorismo. Battisti, que aguardava o julgamento de sua extradição no presídio da Papuda, em Brasília, afirmou sentir "alívio" com a decisão. Autoridades italianas pediram que o governo brasileiro reconsidere a liberdade, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinalizou que não haverá recuo. Cabe a Lula a palavra final sobre o caso.

Parecer jurídico sobre Battisti

Em parecer utilizado pelos advogados de Battisti ao requerer o refúgio, o jurista Dalmo Dallari defende a concessão com base na Constituição Federal. Ele afirma, citando o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Sepúlveda Pertence, que, no caso de crimes políticos, é vedada a extradição.

Planos para a liberdade

Após decisão, Battisti afirma que refúgio é um alívio e que faz planos para retomar carreira de escritor

Para Durval Noronha, "a desordem italiana traz consequências jurídicas, insegurança". "Na época, havia uma convulsão política que se aproximava de uma guerra civil, e a Itália jamais anistiou seus perseguidos políticos. Aqui no Brasil, mesmo com a anistia, temos ainda a questão da tortura", afirma.

Dallari diz que o entendimento não foi considerado pelo Conare (Conselho Nacional de Refugiados) por "excesso de trabalho ou inadvertência" e que o refúgio se justifica porque, além de Battisti ter sido julgado por um tribunal viciado, o italiano teme retornar ao país de origem.

"Uma decisão em tal sentido será coerente às disposições constitucionais e será, essencialmente, um ato de soberania do Estado brasileiro", escreveu.

O constitucionalista também avalia que decisões relativas a asilo político levam em conta fatores políticos, mas defende que não se pode acusar Tarso Genro de ter tomado uma decisão política.

"Há sérios indícios, analisados com mais profundidade pelo governo brasileiro, de que Battisti foi condenado à revelia, sem o devido processo legal. Está bastante claro", diz Noronha.

"Se o Ministério da Justiça estava convencido de que ele corre risco se for extraditado, é um direito conceder asilo, está na legislação", completa Tess Filho



O Estado de S. Paulo - 29/01/2009
Giuseppe Cocco: "Governo seguiu a jurisprudência do STF''

Há 14 anos no Brasil, o italiano Giuseppe Cocco, doutor em história social pela Universidade Paris I e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aplaudiu a concessão do refúgio político a Cesare Battisti. A seguir, trechos de entrevista concedida por telefone:

O Brasil agiu corretamente ao conceder o refúgio político a Battisti?

O governo brasileiro fez bem, na medida em que confirmou a jurisprudência do STF em relação a outros italianos (ligados à luta armada). Battisti foi condenado à revelia, então não teve direito a ampla defesa. A decisão brasileira é técnica e, ao mesmo tempo, tem a dimensão do reconhecimento político de que Battisti fez parte de um movimento nos anos 70 e que a repressão daquele movimento passou por uma dinâmica específica, com leis especiais. A grande imprensa se refere ao ?terrorista Battisti? como se tivesse agido ontem, mas estamos falando de coisas acontecidas entre 30 e 40 anos atrás. O ministro Tarso Genro tem razão ao dizer que a imprensa teve comportamento diferente quando ele propôs a rediscussão da punição aos torturadores. Aí disseram que era coisa do passado.

Como o sr. vê a reação da Itália?

O governo italiano e o conjunto da classe política estão protestando com uma dupla postura. Eles nunca convocaram seu embaixador em Paris quando a França deu abrigo não a um ou dois, mas a centenas de italianos. Com o Brasil a atitude é neocolonial. Segundo, quando falam das vítimas, por um lado têm razão: é um período triste, duro, e as famílias não entendem a posição brasileira. Mas os mesmos que falam da dor das vítimas não veem problema no fato de que leis da própria Itália premiaram um monte de assassinos, que circulam livremente no país, com períodos curtíssimos de prisão.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A Falência de Davos e o Fortalecimento do FSM!


O Mundo está mudando...


Recentemente estamos vendo inúmeras notícias nos meios de comunicação sobre o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e sobre o Fórum Social Mundial, em Belém. Muitos leitores daqui sabem muito bem o que são esses fóruns e o que eles representam. Mas a grande mídia faz um baita desserviço com a cobertura das duas atividades e por sinal omitem muita coisa.

As notícias de abertura expressam muito bem isso, enquanto o FSM era um oba-oba, o FEM era a imagem de sobriedade. O que não se noticia é que Davos perdeu seu sentido. Lá era o fórum dos neoliberais, da santificação do mercado e de toda catilenga que afundou o mundo e principalmente os países mais ricos. Lá era o pólo agregador dos principais presidentes do mundo, sendo que em 2003 o Lula saiu do FSM direto pro FEM. Hoje Davos está esvaziado e falido como o sistema financeiro que ele ajudou a construir. Nem mesmo os EUA deram importância, pois enviaram para lá somente uma sub da sub assessora de Obama. Enquanto isso o FSM recebeu 5 presidentes latino-americanos, o casal Pitt-Jolie e outras milhares de militantes que desde 2001 dizem que o neoliberalismo era a barbárie humana e que outro mundo é possível e necessário.

Não posso citar rapidamente o que aconteceu ontem no FSM. A vinda de 5 presidentes latino-americano é um marco histórico pro FSM e pra geopolítica mundial. Essa presença traz um peso político nunca antes conseguido. Em um cenário onde o mundo caminha pra recessão e a América Latina é o único continente que aponta crescimento termos 5 presidentes no FSM tem impacto na conjuntura. Esse sinal já era apresentado com as vitórias eleitorais. Basta lembrar que em 2001, data do I FSM, tínhamos Cuba, Chile e Venezuela com governos progressistas. Hoje já temos em vários países do continente e em grande parte isso só foi possível graças à luta social representada no FSM.

As palavras dos presidentes ontem foram animadoras. Rafael Correa, presidente do Equador, foi brilhante em dizer que os responsáveis pela crise estão em Davos. Lula puxou a orelha do FMI quando disse que os países ditos desenvolvidos se acham infalíveis e está esperando o FMI dar o pacote de solução para eles. O pior de tudo é que Davos deu palpites, santa cara de pau! E palpite dos ruins, pois recriminou medidas de ajuda a produção e a manutenção de empregos. Ora bolas, vcs afundam o mundo e ainda acham que o remédio foi pouco?

Apesar de tantas mudanças positivas não podemos perder de vista o tamanho de nossos desafios, pois eles não são pequenos. Chegamos aos governos por meio de eleições e um novo ciclo de eleições começarão se abrir em 2009/2010. Com isso, a geopolítica dos governos pode mudar. Temos que estar atento para isso e fazer todos os esforços internacionais para enfrentar a crise e manter os governos progressistas na América Latina. O FSM tem que superar seu limite histórico, onde reúne muita gente, mas não encaminha quase nada. Estamos no meio de uma janela mundial e não podemos perder a chance de fazer mudanças estruturais no mundo em que vivemos. O FSM não pode ser mais só uma grande reunião, tem que propor ações e alternativas à realidade que está aí. Caso contrário,irá falir Davos e corremos o risco da falir o FSM por falta de alternativas concretas.

Pois bem, pra quem lutou muito contra o neoliberalismo e que participou do FSM em tempos muito mais difíceis ver essa mudança é gratificante. Por menos que ela seja e por mais simbólica que pareça a transferência de poder de Davos para o FSM fará muito bem ao Mundo. Se em 2001 o FSM disse que um outro mundo é possível, a realidade de hoje mostra que isso era verdade. Contudo, essa mesma realidade nos mostra que além de possível esse outro mundo é necessário e urgente!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sobre Campos de Futebol


Campos de futebol

Andar pelo Brasil faz vc ter certeza que somos o país do futebol. Por toda parte do país vc encontra campos de futebol dos mais diversos tipos. Às vezes conseguir o espaço do campo é um desafio maior que jogar futebol. Impressionante como isso está enraizado na cultura popular de nosso país. Podemos dizer que em alguns lugares temos verdadeiras mobilizações para garantir a pelada. Isso pq a grande maioria desses campos são pra jogar de 16 a 22 pessoas, sem dúvida em alguns lugares é preciso deslocar por alguns quilômetros para garantir o quorum.

No final do ano passado e início desse pude andar por alguns estados que ainda não conhecia. Fui ao belo Ceará, local que vc custa acreditar que existe de verdade de tão bonito que é. Fui rapidamente ao Piauí e tive experiências com um Brasil inacreditável. Essas horas que passei no Piauí serão futuramente inspirações pra uma crônica. E estive no Maranhão, estado que tem inúmeras belezas e um povo extremamente cordial. Diz um deles que tive sorte, mas foram tantos encontros com pessoas legais que custo acreditar que tive tanta sorte assim. Passei 12 dias no Maranhão, muitas coisas me impressionaram, mas nenhuma delas me impressionou tanto quanto a quantidade de campos de futebol. Dos mais variados e diferentes tipos.

Minha chegada ao Maranhão deu-se de barco. Uma travessia de 8 horas num Tó-tó-tó pelo Delta do Parnaíba. O que poucos sabem é que 70% do delta é Maranhão e não Piauí. Foi nesse caminho que comecei a ter contato e perceber a quantidade de campos de futebol. A foto no início da postagem é justamente o primeiro deles, um campo na Ilha do Meio (local em que almoçamos) e que tinham no máximo 3 casas a vista. Contudo, o campo era enorme e perguntei como eles conseguiam juntar tanta gente pra jogar ali. O proprietário do restaurante disse que aos finais de semana vêm homens de vários vilarejos próximos e jogam. Organizam até campeonatos... Impressionante! E nem sempre as condições do campo são as melhores, como o momento registrado na foto pela fotografa Lívia, uma das pessoas que conheci no meio do caminho da minha viagem supostamente solitária.

A partir desse momento não parei de perceber o número de campos de futebol. Cheguei a começar a contar, mas logo perdi a conta. A primeira cidade do Maranhão que fomos foi Tutóia. Rápida passagem! Chegamos de noite e saímos pela manhã. Fomos para Paulinho Neves, onde conheceríamos os Pequenos Lençóis. Um caminho árduo, de uma estrada de areia infinita. No meio do caminho comecei a perceber de fato como os campos de futebol se proliferavam pelos povoados que passávamos. Tentei criar alguma explicação para aquela surpresa e a única que tive foi que a cada três casinhas juntas, tem um campos de futebol no Maranhão. Essa explicação criada nesse caminho foi brilhante, pois ela seguiu por toda viagem.

De Paulinho Neves chegamos em Caburé. De lá fomos visitar Mandacaru e Atins, dois povoados próximos dos Lençóis Maranhenses. Arrisco dizer que em Atins, na beira das dunas, deva ter no mínimo 5 campos de futebol. É importante definir que quero dizer com campo de futebol. É uma área grande, onde jogam 16 a 22 pessoas, com balizas construídas perfeitamente com traves e travessão de madeira.

Passada essa região fui pra Barreirinhas e Santo Amaro. Nessas cidades fiz diversos passeios, num deles demorei duas horas pra percorrer 36 km, só areia! Isso foi do Sangue pra Santo Amaro e a volta tb! Nesse caminho fui surpreendido por 6 campos de futebol dessas dimensões!!! Estamos falando que 96 pessoas se reúnem, provavelmente toda semana, pra jogar futebol nesses campos invejáveis. No Sangue peguei uma pelada de final de dia. Começava a chegar gente por todos os lados, sendo que a grande maioria vinha de bicicleta. Tinha um time completo de próxima e mais algumas pessoas. Eram, cerca de 25 homens reunidos.

O que mais impressionou foi o campo de futebol perfeitamente montado na Queimada dos Britos. Pra vcs terem uma idéia a Queimada dos Britos é um povoado no meio dos Lençóis Maranhenses, praticamente um oásis no meio de tanta areia. É lá tinha um campo. Quando comentei com meu guia Nilson sobre os campos ele relatou uma interessante história. Aquele pequeno povoado tinha uma grande disputa entre times de futebol. Num jogo acirrado e de grande rivalidade um dos jogadores deu uma entrada duríssima em outro, que teve alguma lesão interna e acabou falecendo. Distante 9 horas de “pés” de Santo Amaro, sem carro e sem qualquer alternativa de atendimento de saúde uma pequena pelada pode levar a morte!!! Dizem que lá eles levam os doentes em rede, montada entre dois jegues pra caminhar até Santo Amaro, que não é uma grande cidade!

Os campos continuaram aparecendo a cada 3 casas juntas pelas estradas que percorri no Maranhão. Se eu fosse empresário do ramo de futebol certamente teria alguns olheiros pelo Maranhão, pois com essa quantidade de campos certamente deve ter uma grande quantidade de talentos não aproveitados. Minha breve passagem por esse estado tão sofrido deixou essa marca, na qual pro resto de minha vida sempre que ver um campo de futebol em um vilarejo lembrarei que no estado do Maranhão basta 3 famílias pra construção de um! E assim esse estado foi batizado por mim como o estado dos Campos de Futebol!

Termino dizendo que intenção de relatar minha viagem será assim. Será por passagens que me marcaram e não por uma ordem cronológica. Faço isso pq assim tento passar não os acontecimentos que vivi, mas o meu olhar por onde passei. Acho isso infinitamente mais interessante do que simplesmente relatar acontecimentos. A história de hoje foi sobre meus 12 dias no Maranhão, se fosse relatar todos os 12 dias assim certamente não teria espaço pra contar de cada campo de futebol. Às vezes o relato será somente de algumas horas. E nem sempre será um texto claro, algumas serão crônicas e narrativas do momento vivido. Espero que assim vcs possam desfrutar um pouco de minha viagem tb! Afinal, o que estou fazendo tb é uma viagem!

Hasta la vista!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não posso deixar de falar da Palestina!



Caros e Caras leitores e leitoras,

Desde o final do ano passado assistimos um verdadeiro genocídio na Palestina. Os ataques de Israel fazem lembrar os piores momentos da humanidade. Pouco da história do conflito é dita e muita coisa é construída pela grande mídia.

Reproduzo pra vocês hj um texto do José Luís Fiori sobre o tema. O economista e cientista político José Luis Fiori* visita o embasamento religioso das atrocidades israelenses na faixa de Gaza, que, "normalmente", fariam Israel ser considerado um Estado perigoso e desestabilizador, pela régua liberal-democrática dos países anglo-saxônicos. "Mas isto não acontece porque no mundo dos mortais, de fato, Israel foi uma criação e segue sendo um protetorado anglo-saxônico, que opera desde 1948, como instrumento ativo de defesa dos interesses estratégicos anglo-americanos, no Oriente Médio".

Minha intenção era reproduzir um trecho do texto "A História Materialista da Palestina", contudo não encontrei em meus arquivos. Mas boa parte da visão está de acordo com o texto do Fiori.

Segue então o bom texto!

A visão sagrada de Israel

"Se o Hamas quer acabar com Israel, Israel tem que acabar com o Hamas antes" - Efraim, 23 anos, estudante de uma escola religiosa de Jerusalém, FSP 24/01/2009.


Durante vinte um dias de bombardeio contínuo, Israel lançou 2.500 bombas sobre a Faixa de Gaza - um território de 380 km² e 1.500 milhão de habitantes - deixando 1.300 mortos e 5.500 feridos, do lado palestino, e 15 mortos, do lado militar israelita. A infra-estrutura do território foi destruída completamente, junto com milhares de casas e centenas de construções civis.


Ataques "escandalosos e inaceitáveis"


É provável que Israel tenha utilizado bombas de "fósforo branco" - proibidas pela legislação internacional com conseqüências imprevisíveis , no longo prazo, sobre a população civil, em particular a população infantil.


Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, se declarou "horrorizado", depois de visitar o território bombardeado, e considerou "escandalosos e inaceitáveis" os ataques israelitas contra escolas e refúgios mantidos em Gaza, pelas Nações Unidas. Richard Falk, relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos em Gaza, também declarou que, "depois de 18 meses de bloqueio ilegal de alimentos, remédios e combustível, Israel cometeu crimes de guerra e contra a humanidade, na sua última ofensiva contra os territórios palestinos. Crimes ainda mais graves porque 70% da população de Gaza tem menos de 18 anos."


"Visões sagradas"


Dentro de Israel, entretanto - com raras exceções - a população apoiou a operação militar do governo israelita. Mais do que isto, as pesquisas de opinião constataram que o apoio da população foi aumentando, na medida em que avançavam os bombardeios, até chegar à índices de 90%. E no final, na hora do cessar-fogo, metade desta população era favorável à continuação da ofensiva, até a reocupação de Gaza e a destruição do Hamas. (FSP, 24/01/09).


Seja como for, duas coisas chamam a atenção - de forma especial - nesta última guerra: a inclemência de Israel, e sua indiferença com relação às leis e às críticas da comunidade internacional. Duas posições tradicionais da política externa israelita, que têm se radicalizado cada vez mais, e são quase sempre explicadas "escalada aos extremos" do próprio conflito.


Mas existe um aspecto desta história que quase não se menciona, ou então é colocado num segundo plano, como se as "visões sagradas" do mundo e da história fossem uma característica exclusiva dos países islâmicos.


"Uma nação santa"


Desde sua criação, em 1948, Israel se mantém sem uma constituição escrita, mas possui um sistema político com partidos competitivos e eleições periódicas, tem um sistema de governo parlamentarista segundo o modelo britânico e mantém um poder Judiciário autônomo. Mas ao mesmo tempo, paradoxalmente, Israel é um Estado religioso, e grande parte de sua população e dos seus governantes tem uma visão teológica do seu passado e do seu lugar dentro da história da humanidade. Israel não tem uma religião oficial, mas é o único Estado judeu do mundo, e os judeus se consideram um só povo e uma só religião que nasce da revelação divina direta e não depende de uma decisão, ou de uma conversão individual: "Se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis uma propriedade peculiar entre todos os povos. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa", Êxodo, 19, 5-6.

Além disto, o judaísmo estabelece normas e regras específicas e inquestionáveis que definem a vida cotidiana e comunitária do seu povo, que deve se manter fiel e seguir de forma incondicional as palavras do seu Deus, mantendo-se puros, isolados e distantes com relação aos demais povos e religiões: "não seguireis os estatutos das nações que eu expulso de diante de vós... eu Javé, vosso Deus, vos separei desses povos. Fareis distinção entre o animal puro e o impuro... não vos torneis vós mesmos imundos como animais, aves e tudo o que rasteja sobre a terra", Levítico, 20, 23-25.

Para os judeus, Israel é a continuação direta da história deste "povo escolhido", e por isto, a sua verdadeira legislação ou constituição são os próprios ensinamentos bíblicos. O Torá conta a história do povo judeu e é a lei divina, por isto não pode haver lei ou norma humana que seja superior ao que está dito e determinado nos textos bíblicos, onde também estão definidos os princípios que devem reger as relações de Israel com seus vizinhos e/ou com seus adversários.


Em Israel não existe casamento civil, só a cerimônia rabínica, e os soldados israelenses prestam juramento com a Bíblia sobre o peito e com a arma na mão: "Javé ferirá todos os povos que combateram contra Jerusalém: ele fará apodrecer sua carne, enquanto estão ainda de pé, os seus olhos apodrecerão em suas órbitas, e a sua língua apodrecerá em sua boca", Zacarias, 14, 12-15.


Bíblias e bombas atômicas


As idéias religiosas dos povos não são responsáveis nem explicam necessariamente as instituições de um país e as decisões dos seus governantes. Mas neste caso, pelo menos, parece existir um fosso quase intransponível entre os princípios, instituições e objetivos da filosofia política democrática das cidades gregas, e os preceitos da filosofia religiosa monoteísta que nasceu nos desertos da Ásia Menor.


Mas o que talvez seja mais importante do ponto de vista imediato do conflito entre judeus e palestinos, e do próprio sistema mundial, é que Israel - ao contrário dos palestinos - junto com sua visão sagrada de si mesmo, dispõe de armas atômicas, e de acesso quase ilimitado a recursos financeiros e militares externos.


Com estas idéias e condições econômicas e militares, Israel seria considerado - normalmente - um Estado perigoso e desestabilizador do sistema internacional, pela régua liberal-democrática dos países anglo-saxônicos. Mas isto não acontece porque no mundo dos mortais, de fato, Israel foi uma criação e segue sendo um protetorado anglo-saxônico, que opera desde 1948, como instrumento ativo de defesa dos interesses estratégicos anglo-americanos, no Oriente Médio. Enquanto os anglo-americanos operam como a âncora passiva do "autismo internacional" e da "inclemência sagrada" de Israel.


* Professor titular do Instituto de Economia da UFRJ e autor do livro O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações (Editora Boitempo, 2007); artigo tomado do Valor Econômico;

Sobre Carnaval!


Foto do Bloco Cordão do Bola Preta

Carnaval está chegando, falta menos de um mês. Por isso, decidi fazer um tópico sobre o carnaval. Em especial destacando o renascimento do carnaval do Rio de Janeiro. Fui somente em 2006, mas posso dizer que é o esquema que curto bastante hoje.

Há quem pense que o carnaval do Rio se resume ao sambódromo. Um grande engano! Nos últimos anos, com a queda de público nos clubes, ocorreu o ressurgimento do carnaval de rua com a volta dos blocos.

A marca dos blocos do Rio sempre foi a irreverência e as críticas sociais e políticas. como a "Banda de Ipanema" que surgiu em 1965 – um ano após a implantação da Ditadura Militar – com desfiles críticos ao governo.

Os primeiros clubes carnavalescos

Foi a partir de 1855 que apareceram os primeiros clubes carnavalescos, chamados de Grandes Sociedades. Desde então, outros clubes foram se formando, dando início ao carnaval carioca, no estilo europeu, com mascarados pelas ruas e blocos fantasiados.

O próprio desfile das escolas de samba teve origem nos cordões e blocos dos carnavais antigos. O primeiro desfile extra-oficial de escolas de samba ocorreu em 1932 e foi vencido pela Mangueira, com um enredo de Cartola e Carlos Cachaça. Nesse ano, também, já existia a Portela, que se chamava "Vai como pode". O primeiro desfile oficial foi vencido pela "Vai como pode", em 1935, na Praça Onze.

Foi na Praça Onze também que, durante muitos anos, ficavam concentrados os blocos de carnaval e os foliões que vinham de vários lugares do estado. Hoje, o local é ocupado pelo Terreirão do Samba, que recebe diversos artistas ligados ao mundo do samba, principalmente nos dias de carnaval para aquelas pessoas que não tem acesso à Passarela do Samba, que fica logo ao lado.

Em 1852, surgiu o "Zé Pereira" – um conjunto que saía pelas ruas tocando bumbos e tambores, tendo à frente o sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes. Surgiram em seguida os instrumentos do que mais tarde viriam a formar uma bateria de carnaval: as cuícas, os tamborins, os tambores e os pandeiros.

Depois os desfiles passaram para a Avenida Presidente Vargas e de lá para a Passarela Professor Darcy Ribeiro, criado em 1982 pelo, então governador do Rio, Leonel Brizola, onde durante o resto do ano funciona uma escola pública.

Pra falar um pouco mais sobre o momento que vive o carnaval do Rio deixou uma matéria bem interessante públicada na revista época no ano passado!


Só não vai quem já morreu

Por Rafael Pereira


Eram 9 horas da manhã do sábado do último Carnaval. Um grupo de centenas de animados e fantasiados foliões esperava pelo desfile do bloco Cordão do Boitatá, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, programado para percorrer naquele dia as ruas do Centro da cidade. Depois de um atraso de duas horas, o povo percebeu que tinha levado "um bolo". Tudo levava a crer que aquela multidão teria de procurar outra coisa para fazer, ou voltar para casa. Até que... Um vendedor ambulante de cerveja tinha, por acaso, um tamborim e começou a batucar o instrumento. Dois ou três fregueses começaram a acompanhar o ritmo cantando músicas antigas de Carnaval. Logo, o ânimo tomou conta dos cabisbaixos órfãos do Boitatá. Alguns poucos tambores de última hora juntaram-se ao tamborim precursor e, animados pelo inusitado, saíram pelas ruas do Centro como um bloco recém-criado. Uma jovem fantasiada de vaca foi eleita a musa - ou "muuuuusa". O naipe de metais tinha apenas um trompetista. Algum folião catou um pedaço de papelão, prendeu em um tridente de plástico de algum diabinho e batizou o bloco com tinta de batom, criando um estandarte: Cordão do Boi-Tolo.

Neste ano, o Boi-Tolo sairá oficialmente no Carnaval do Rio. Está entre as dezenas de novos blocos que debutam neste ano nas ruas. Foram 137 blocos inscritos na prefeitura para desfilar com local e horário marcados, policiamento reforçado e banheiros químicos. Mas a própria prefeitura estima que o total de desfiles passará de 300, um número 20% maior do que no ano passado. "A maioria surge de grupos de amigos, quase sempre jovens, que criam blocos de acordo com os seus interesses", afirma Guilherme Studart, pesquisador de blocos de rua, economista durante o ano e folião profissional durante o Carnaval.

O Boi-Tolo é um exemplo clássico de como nasce um bloco hoje em dia, em tempos de internet. Poderia ter acabado no sábado de Carnaval do ano passado, tão rápido quanto nasceu. Mas no dia seguinte ao desfile improvisado, já havia quatro comunidades em sua homenagem no Orkut. "As discussões esfriaram um pouco durante o ano, mas em outubro já estava todo mundo decidindo o local de desfile, horário, onde seriam os ensaios e quem faria parte da bateria", diz Luis Otávio Almeida, um dos organizadores do bloco. Assim como o Boi-Tolo, estão saindo pela primeira vez o Estressa, Mas Não Surta, de Botafogo, A Praça É Nossa, de Santa Cruz, Um Dia Isso Enche o Saco, na Ilha do Governador... Isso sem contar os tradicionais, como Banda de Ipanema, Suvaco de Cristo, Monobloco e o próprio Cordão do Boitatá, cada vez mais lotados de foliões.

"Eu nunca pensei que estaria vivo para assistir ao renascimento do Carnaval de rua do Rio", diz Sérgio Cabral, jornalista e um dos maiores pesquisadores de samba do país. Cabral lançou no mês passado o espetáculo Sassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha, escrito em parceria com a historiadora Rosa Maria Araújo. A peça, um dos maiores sucessos em cartaz na cidade, recupera as músicas de uma época em que o Carnaval era brincado nas ruas ou em bailes de salão.

Os blocos de rua são a origem do Carnaval brasileiro. O ato de "brincar Carnaval" chegou ao país no século 16, vindo de Portugal com o nome de Entrudo. Na prática, era um conjunto de brincadeiras consideradas violentas, levadas a cabo basicamente pela população pobre. No Brasil, a folia ganhou forma em ranchos, da classe alta, cordões, mais populares, e os blocos, uma espécie de meio-termo, mais democrático. Na história recente, já no século passado, os blocos de rua deram origem ao que hoje são as Escolas de Samba e foram ofuscados pela fama dos desfiles competitivos. O primeiro renascimento deu-se com a Banda de Ipanema, criada em 1965 por Albino Pinheiro para zombar da recém-instalada ditadura militar usando de humor fino. Nos anos 80, durante o período de abertura que marcou o fim do regime autoritário, outros blocos como o Simpatia É Quase Amor, Suvaco de Cristo e Barbas seguiram os passos da Banda de Ipanema e deram início ao que seria a primeira retomada do Carnaval de rua carioca.

Depois de passarem os anos 90 na sombra do sucesso dos carnavais de rua de Salvador e Olinda, os blocos cariocas entraram no século 21 com a maior popularidade da história. Encantado com o retorno do Carnaval brincado nas ruas, o jornalista Sérgio Cabral, apesar de responsável pelo resgate cultural das marchinhas, não vê o saudosismo com bons olhos. "No fim do século 19, Olavo Bilac tinha saudade do chamado 'Carnaval de antigamente'. O João do Rio, no começo do século passado, a mesma coisa. Na verdade, as pessoas não têm saudade de seus carnavais. Têm é saudade de seus 18 anos", afirma Cabral. Ele próprio criou o bloco Vaca-Totó, trocando e-mails com os amigos de um tradicional bar no Leblon, zona do sul do Rio.

A brincadeira ficou tão séria que os principais blocos da cidade fazem concursos de samba tão disputados quanto o das mais famosas escolas de samba da cidade. Os principais blocos da "retomada", dos anos 80, formam hoje o chamado "grand slam" - referência ao nome dado ao conjunto dos principais torneios de tênis do mundo. O Simpatia É Quase Amor, bloco de desfila em Ipanema desde 1985, tem uma das disputas mais acirradas. Na última, em uma quadra da Lapa, a batalha final ficou entre três sambas. Para se ter uma idéia do nível do concurso, um samba tinha sido feito pelos compositores do samba deste ano na Portela e outro, pelos vencedores da disputa na Mangueira. O terceiro concorrente foi o argentino Jorgito Sapia, um habitué dos carnavais cariocas e criador do bloco Meu Bem, Volto Já, que desfila no Leme.

O vencedor foi o samba de Diogo Nogueira, filho do grande sambista João Nogueira. Diogo, autor do enredo da Portela deste ano, participou pela primeira vez da disputa de sambas em um bloco e ficou impressionado com o profissionalismo. "O intuito é a diversão, mas a coisa foi séria. Eu gostei mais do que na escola, que tem uma sinopse definida. No Simpatia foi tema livre, e a recompensa é apenas a de ver o samba cantado pelo público", afirma Diogo, que recebe direitos autorais pelo samba da Portela e nenhum centavo pelo que ganhou o Simpatia.

Apesar da seriedade, a verdadeira marca do Carnaval de rua carioca é a irreverência. E tem para todos os gostos. Na Gávea, na zona sul do Rio, um grupo de atores, diretores e produtores de cinema criaram o bloco Me Beija, Que Sou Cineasta para os profissionais do meio. A atriz Guta Stresser, sucesso na telona com o filme A Grande Família, é uma das organizadoras e comanda a ala Dou pra Ser Atriz. "Foi tudo criado em uma mesa de bar no Baixo Gávea. No ano passado, organizei a ala com minhas colegas. Mas como eu realmente 'dou pra ser atriz', tive de sair correndo para uma gravação e deixei a Camila (Pitanga), a Dira (Paes) e a Mariana (Ximenez) lá sambando. Neste ano, espero ter tempo de brincar mais", diz Guta.

Blocos de colegas de trabalho são muito comuns, como o Só o Cume Interessa, dos alpinistas, Imprensa que Eu Gamo", dos jornalistas, e até o Regula Mas Libera, dos funcionários da agência reguladora de petróleo do governo, a ANP. Se a sua ocupação não é contemplada com um bloco, não tem problema. São tantos que, não importa a sua tribo, você encontra lugar para brincar. Para os gays, tem a Banda de Ipanema e os Amigos da Carmen, no Arpoador. As crianças podem brincar Carnaval no Bafo de Leite, da Urca, ou no Gigantes da Lira, em Laranjeiras. Já os idosos sambam no Bloco da Geriatria, de Campo Grande, ou no Unidos da Terceira Idade, do Centro. Até quem não gosta de samba tem vez. A Xaranga 3D, em Copacabana, mistura bateria e música eletrônica; o Bloco da Ansiedade diverte os foliões com o frevo de Pernambuco; os Filhos de Gandhi levam o afoxé baiano para a Gamboa. Só não tem desculpa para ficar em casa, vendo o desfile pela TV.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Estamos de volta e com novidades!!!

Primeiro tenho que pedir desculpas aos meus leitores, pois já cheguei de viagem faz mais de uma semana e ainda não retomei as atividades no blog. Segundo o Google foram em média uns 10 acessos por dia. Não é pouca coisa pra um bloguinho que não era atualizado desde do ano passado.Que aconteceu foi que a resistência para voltar a vida normal está grande.Mas voltamos e empolgado, pois a viagem estimulou muitas mudanças de hábito para 2009.

Não fiquem curiosos ou ansiosos, pois farei uma série de crônicas sobre a viagem. Não será uma narrativa cronológica, mas abordagens com meu olhar de determinadas partes da viagens. As vezes serão períodos curtos, como por exemplo a estrada de santo amaro pra barreirinhas, ou períodos maiores, como a relação com minhas amigas paulistas que conheci no meio da jornada. Enfim, acho que ficará legal... A pena é ter demorado tanto pra escrever, alguns detalhes serão esquecidos. Mas sem perder o brilho.

Pra marcar esse retorno trago boas notícias. Nosso amigo Rodrigo Pereira aceitou o convite de ser colunista de nosso site. Enviou o primeiro texto e mesmo sua foto! Aplicado colunista esse. O Rodrigo foi diretor da executiva da UNE na mesma gestão que fiz parte. Foram muitas atividades e viagens juntos.Quando entrei na gestão da UNE pouco conhecia o Rodriguets, no final da gestão foi um dos grandes amigos que ganhei!!! Ele é militante da Ação Popular Socialista, corrente que era do PT até final de 2005 e que depois ingressou no PSOL. Hoje ele é estudante de mestrado em Avaliação Institucional da UnB e frequentador, igual eu, do samba de terça no Balaio.

Com vocês Rodrigo Pereira!



A amizade é o que nos une.

Bom, há tempos penso em escrever sobre a amizade. Pois bem, não pretendo me alongar visto que essa temática, se tratando de mim e de meus amigos, merece ser abordada várias vezes.

O faço de primeira, pois fui surpreendido no final do ano passado por um convite de um grande amigo. Ele me escreve no Orkut: Rodriguet´s(apelido para os mais íntimos) quero te convidar para ser colunista do meu blog, você pode ser o representante do PSOL (ah! é... estou no PSOL). Eu respondo: representante do PSOL, eu! Jamais... Ele retruca: não é isso mano, é porque só estou convidando os amigos... Ah ta! Então tudo bem... respondi.

Porque relatei nossa conversa orkutiana? Porque na realidade sempre me pego em situações parecidas, uma outra amiga me escreve: Rodriguinho: Quando o PSOL é consenso na mesa... ou então uma outra: hoje é o dia da minha festa para os meus amigos do PSOL, vc é o convidado de honra... Enfim. e por ai vai.

E o que esses amigos têm incomum... todos eles são do PT.

E porque escrevo sobre isso, porque aprendemos juntos, na porrada e na política a nos respeitarmos mutuamente, a admirar o compromisso do outro e, principalmente, a separar nossas divergências políticas(que são enormes) da nossa amizade.

Parece meio blasé ficar falando isso, mas na real, o que nos move e nos faz pensar que é possível ter ao seu lado amigos de verdade, mesmo que eles estejam a quilômetros de distância, são coisas, falas, recados, ligações, como essas que relatei...

Inicio minha fase de colunista do blog do Popito com essa mensagem... Abraços aos amigos...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Rápido e Direto



Caros e Caras,

como vcs perceberam o blog parou! E será assim um tempo... Estou de férias. Estou aguardando contribuições e nossos colunistas.

Desejo uma ótima virada pra todos.

O visual do início é a Lagoa do Cauípe em Fortaleza, lugar MARA que fomos hj

Fui

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Empresários tentando pegar carona na Crise!




Ao longo da história das crises do capitalismo quem pagou a conta foram os trabalhadores. A chamada crise de lucros é o momento em que os donos dos meios de produção para garantir os lucros começam a demitir e defender a redução dos escassos direitos dos trabalhadores.

Vivemos hoje, talvez, a maior de todas essas crises. O cenário muda a cada momento e ninguém sabe onde irá parar o mundo quando a recessão atacar com mais força os EUA e a Europa.

Recetemente, no dia que escrevi sobre a CRISE(clicando aqui vc verá esse post). Este post foi na véspera do debate com Guido Mantega e com Marco Aurélio Garcia sobre a crise.

Tenho que confessar que o debate me decepcionou. Mas em todo momento ambos mostrava bastante empenho em manter emprego. Pra isso inúmeras medidas estão sendo feitas pelo governo e isso é muito positivo. Eu fui um dos poucos sorteados pra fazer perguntas. Abri com uma intervenção dizendo que nesses momentos abrem brechas para desenvolver iniciativas mais progressistas e desvincular das ações imperialista. Seria um período bom para fazermos mudanças estruturais da pauta histórica da esquerda. No sentido que o governo vem trabalhando, manter empregos, tem a pauta histórica da redução da jornada de trabalho, sem a redução do salário. Diversos estudos mostram a capacidade dessa medida gerar emprego, o próprio presidente do IPEA já mostrou estudos que a capacidade brasileira poderia gerar jornada de 35 horas. Mas a luta nem é pra tanto, a luta é pra reduzir de 44 pra 40 horas!

Minha decepção foi grande. A resposta foi que isso era uma pauta dos movimentos sociais e que eles tinham que brigar por isso. Ora, tirou o corpo do governo fora. Nesse cenário os trabalhadores estão suando no chão da fábrica para garatir seus empregos, os sindicatos lutando pra evitar demissões, é um período de resistência. Era hora do governo, com amplo apoio dos trabalhadores, dar um passo mais forte em defesa deles.

Mas essa semana parte da minha decepção passou, quando o Ministro Guido Mantega disse que não irá mexer nos direitos trabalhistas. Muito positiva a iniciativa...

Isso pq pouco a pouco os empresários estão soltando as asinhas e querendo pegar carona no cenário de crise. Como disse antes é preciso entender essa crise de lucros.

Fazendo um rápido resumo, durante o boom econômico do pós-guerra, essa taxa girou entre 15% a 20%. A crise do final dos anos 1960, que marcou o fim deste período, derrubou a taxa para 8% e 9%.

O imperialismo teve, então, uma recuperação importante com a globalização e a restauração do capitalismo no Leste Europeu. Elevou a taxa de lucros para 10%, nos anos 1980, e 13%, no final dos anos 1990, sem chegar, porém, aos níveis do pós-guerra.

Durante a crise de 2000-2001, a taxa caiu para 6%. No período de expansão dos últimos anos, ela aumentou novamente para 12%. A crise atual se manifestou com clareza nos últimos quatro meses de 2007 quando, segundo o The Wall Street Journal, a taxa de lucros caiu 8,4%. Foi isso que determinou o início da crise e não a evolução do mercado financeiro.

E a saída como sempre pra manter lucro é ferrar trabalhador. Deixou aqui então uma notícia que mostra claramente a movimentação dos empresário do Brasil para retirar direitos e tentar manter seus lucros em queda.

A matéria foi retirada do site www.vermelho.org.br

Depois da Vale, agora lojistas também pedem fim dos direitos trabalhistas

O empresariado brasileiro mostra que não tem escrúpulos quando o assunto é tirar proveito da atual crise econômica financeira. Depois que o presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, cantou a bola, agora é a vez da A Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) sugerir que a flexibilização dos direitos trabalhistas para supostamente "evitar demissões em 2009". Conforme o presidente da entidade, Nabil Sahyoun, os empresários vão buscar um diálogo com o governo neste sentido a partir de janeiro. "É preciso que as flexibilizações durem por, no mínimo, um ano, e não apenas três meses", disse.


Segundo Sahyoun, o setor está evitando demissões até o final deste ano para avaliar melhor as perspectivas para 2009, e as decisões ficarão para janeiro. "Quem mais gera emprego no Brasil é o varejo e o setor de serviços. O governo tem feito muito pouco para ajudar estas empresas", disse.



Mas parece que a crise ainda não atingiu o setor como quer fazer crer seus dirigentes. Mesmo em plena crise internacional, o setor de shoppings prevê a inauguração de 23 novos empreendimentos em 2009. Segundo o presidente da Alshop, todos estes empreendimentos já tiveram sua construção iniciada durante 2008, o que garante que eles serão concluídos. "Sai mais caro interromper as obras do que concluí-las com agilidade", disse. O executivo destacou que não faltarão lojistas interessados em participar destes shoppings porque é uma maneira de aumentar a participação de mercado. Ele afirmou que, com os novos empreendimentos, o número de shoppings no Brasil no final de 2009 chegará a 689.



Sahyoun disse que algumas empresas terão dificuldades em obter crédito para os futuros empreendimentos, mas que isso será suprido por bancos nacionais ou eventuais parcerias com empresas estrangeiras. Ele afirmou ainda que algumas empresas que captaram recursos na Bovespa estão em boa situação de caixa e poderão utilizar estes recursos em novos projetos.



Para os próximos dois anos, estão previstos investimentos de R$ 8,3 bilhões no setor, mas o executivo admitiu que eles vão variar de acordo com as condições da economia. "É possível que alguns projetos que ainda estão na fase das discussões iniciais não saiam do papel", disse. Segundo ele, a crise levará ao fechamento de muitas lojas, enquanto outras vão aproveitar o momento para crescer e investir. "É natural viver altos e baixos", disse. Na dúvida sobre se o próximo período será de alta ou baixa demanda, os empresários já querem garantir seus lucros a custa da redução dos direitos trabalhistas.


Centrais repudiam proposta


Em meados de dezembro, quando veio à tona as sugestões do presidente da Vale de flexibilização das leis trabalhistas, as centrais sindicais foram unânimes em repudiar a proposta.


Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, o momento é de garantir o emprego. Ele diz que parte dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador vai para o BNDES. "Esse dinheiro beneficia tanto a Vale quanto outras empresas e, por isso, elas deveriam diminuir os lucros e manter os empregos".


Santos disse, na ocasião, que os sindicatos ligados à CUT estão orientados a fazer mobilização e greve em caso de propostas de suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e de salário.


O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira dos Santos, o Paulinho, criticou a idéia de mudança temporária nas leis trabalhistas. "Essa medida pode se tornar definitiva depois da crise, por isso não podemos mexer nas garantias dos trabalhadores", diz. Paulinho admite a possibilidade de utilização dos instrumentos previstos na lei para garantir os empregos. "A suspensão do contrato e a redução de jornada com redução do salário devem se tornar mais freqüentes no ano que vem, com o agravamento da crise."


A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) condena toda mudança nas leis trabalhistas . "A choradeira dos empresários não tem nenhuma justificativa. Eles lucraram muito e agora querem descontar nas costas dos trabalhadores no primeiro momento de dificuldade", diz o coordenador da entidade, José Maria de Almeida.